Matheus Melo Rodrigues da Silva – 2º semestre

CALMA AÍ! AGORA LÊ ATÉ O FINAL, PEÇO UMA CHANCE, POR FAVOR!

Semana passada um professor fez o seguinte comentário na minha sala: “A Organização Mundial da Saúde considera que países com mais de 10 homicídios para cada 100 mil habitantes são aqueles com violência endêmica. Vocês sabem qual a taxa para o bairro de Moema? 2. Já se perguntaram qual é para o Jardim Ângela? 69.”.

Fui bolsista a vida toda em um Colégio particular e conheço a realidade de pessoas que superam ou não desafios pesados que encontramos na vida. Eu conheço qual foi, e, qual ainda é, minha realidade. O meu objetivo com esse texto é fazer você, que acredita que todos deveriam aceitar as dificuldades e, simplesmente, superá-las – como em um filme que você foi assistir no Cidade Jardim ou no canal da sua TV por assinatura -, entender que as coisas NÃO SÃO TÃO SIMPLES ASSIM, QUERIDÃO.

O ponto principal é: não é frescura reclamar ou pedir/sonhar com uma vida diferente. Principalmente no ano passado ouvi e vi pessoas, algumas vezes políticos, considerando “mimimi” o fato de pessoas criticarem o sistema ou de exporem sua vida pessoal, clamando por um modo de organização social e econômica diferente.

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No ambiente de Universidade, por exemplo, existem pessoas que, desde que nasceram, ou melhor, há gerações, não conhecem uma vida de abundância, uma vida como a sua, leitor. Não estou falando que você não tem problemas, não estou achando que você é uma pessoa ruim por ter dinheiro ou pelas coisas na sua vida virem com mais facilidade, não mesmo! Aproveite isso e faça um mundo melhor. A QUESTÃO É: é impossível não perceber a diferença monstruosa entre a vida de uns, e a de outros. Para isso, damos o nome de privilégios.

Não é legal acordar mais cedo, pegar coletivos, ver uma quantidade considerável do seu dinheiro ir embora quando quer comer algo diferente, de maior qualidade; não ter muitos exemplos perto de você de pessoas que conseguiram superar todas essas dificuldades; viver, em alguns casos, em lugares perigosos; sempre em alerta para ninguém levar o que é seu, para não gastar errado a grana, para não seguir alguns exemplos da família ou do bairro; a incerteza do amanhã em relação a emprego… Tudo isso. Se você nunca passou por uma fase assim por muitos anos, você pode pensar que é pouco, que só precisa de um coaching te falando que vai dar tudo certo se você acreditar nos seus sonhos. MANO, só vai dar tudo certo se eu não perder o busão ou se não tiver que pagar muito para que comprar algum livro.

Não chame de frescura, de falta de fé, de “mimimi” o fato de pessoas que tem uma vida, nesses aspectos, mais difícil que a sua, pedirem, por exemplo, para que o Estado as ajude. Não fala isso. O exercício da empatia é fundamental para qualquer profissional, ainda mais o do Direito – acima de tudo, para qualquer pessoa. “Ah, mas eu trabalhei na fazenda quando eu era criança, tá okey?” E quem foi que achou que você nunca teve alguma dificuldade? O lance é respeitar a dor do outro e não desconsiderar ou ridicularizar nunca ela, principalmente se essa dor dura anos, leva tempo, leva esforço, exige sonhar com o improvável.

Da próxima vez que você ridicularizar alguém ou achar que essa pessoa é imatura porque tá de “mimimi de minoria”, reflita no que você está falando, é isso que peço. Porque se você refletir, talvez na próxima, antes de falar, você lembre que a sua vida não é igual a de todo mundo.

“Sou cravo, vivi dentre os espinhos treinados com as pragas da horta
Pior que eu já morri tantas antes de você me encher de bala
Não marca, nossa alma sorri
Briga é resistir nesse campo de fardas”

“Eles querem que alguém
Que vem de onde nóis vem
Seja mais humilde, baixa a cabeça
Nunca revide, finja que esqueceu a coisa toda” – Emicida – 10 anos de Triunfo – Mandume part. Drik Barbosa, Coruja BC1, Amiri, Rico Dalasam, Muzzike, Raphão Alaafin e Rashid.

empatia

Fonte da imagem: gauchazh.clicrbs.com.br

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