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Aparecida Oliveira – 3º semestre (Coluna Mulheres Mackenzistas)

O Jornal do Prédio 3 inicia este semestre com uma coluna que é dedicada às mulheres mackenzistas: professoras, alunas, ex alunas e funcionárias. Vamos contar a história dessas mulheres que têm muito a nos dizer sobre suas lutas e dificuldades, mas também sobre suas conquistas e vitórias e como elas chegaram lá.

A primeira entrevistada, e que tão gentilmente nos concedeu falar um pouco sobre a sua vida, foi a professora Fernanda Pessanha de Amaral Gurgel. Abaixo, um pouquinho sobre sua trajetória:

1) Qual seu nome e formação acadêmica?

Fernanda Pessanha do Amaral Gurgel. Sou mestre e doutoranda em Direito Civil. A tese será defendida neste mês.

2) Há quanto tempo atua na área?

Sou formada há 21 anos e atuo como advogada desde então. Dou aula há 19 anos.

3) Há quanto tempo está no Mackenzie?

Estou no Mackenzie há 9 anos.

4) Você acha (ou tem certeza) que já sofreu preconceito por ser advogada? Acha que os homens são tratados de forma diferente no mundo do Direito? 

No início eu sofri sim, principalmente  por ser mulher e muito nova. As pessoas me viam como uma menina e foi difícil conquistar uma certa “credibilidade”. Comecei a dar aula aos 24 anos como assistente de um professor e aos 26 anos assumi como professora titular. Nesta época já advogava na área cível (família, contratos, responsabilidade civil, consumidor…). Conseguir respeito e confiança, sendo jovem e mulher, não foi tarefa fácil. Ainda hoje, em determinadas situações, os homens são tratados diferentes, principalmente se estivermos diante de uma postura sua mais combativa e aguerrida. Nesses casos, o homem é visto como um profissional competitivo e ofensivo, a mulher, por outro lado, sempre é associada à falta de equilíbrio, instabilidade emocional, etc…

5) Você teve receio ao decidir por sua profissão? Acha que a escolha foi, de certa forma, enviesada por seus familiares? 

Não tive muitos dilemas para escolher minha profissão e não sofri qualquer influência da minha família. Meu pai é médico, minha mãe professora primária, não tenho parentes próximos na área do Direito. Minha escolha foi um pouco intuitiva, eu acho. Hoje eu vejo que não tinha muita informação específica sobre a profissão. Escolhi o Direito porque gostava de história e achava lindo os filmes e novelas em que tinham personagens advogados.

6) Você acredita que deve se esforçar mais do que seus colegas para demonstrar que é tão capaz quanto eles? 

Sim, me considero uma pessoa esforçada. Na minha vida nada cai do céu, tudo é conquistado com muito trabalho e estudo.

7) Qual é o maior desafio para você em sua profissão? 

O maior desafio certamente é lidar com as pessoas. Saber administrar os problemas das pessoas, a ansiedade, a insatisfação, as angústias e as perdas.

8) Você acredita que para uma mulher advogada ter reconhecimento na profissão há exigências e prejulgamentos quanto à sua competência devido à forma como se veste?

Acredito que seja uma questão de postura e não apenas o modo de se vestir. Ter uma postura que passe confiança e seriedade é o mais importante. O dress code certamente influencia nesta postura que o mercado exige do profissional do Direito, mas não é tudo.

9) Você é ou pretende ser mãe? Acredita que ter filhos e sucesso no mundo do Direito são caminhos de trilhas opostas? Como uma mulher advogada, de qual forma você acha que pode contribuir para a diminuição da desigualdade entre homens e mulheres, e violência contra as mulheres? 

Sou mãe de um bebê lindo de 1 ano. Fui mãe tarde, aos 41 anos e consegui aproveitar o últimos anos para trabalhar bastante, estudar e viajar. Hoje eu vejo que meu filho chegou na hora certa. Ter filhos não atrapalha o sucesso no mundo do Direito, mas eles devem chegar no momento certo, com uma organização e esquema em casa para que a mulher possa continuar ativamente no mercado de trabalho.

Na minha atuação com Direito de Família muitas vezes lido diretamente com casos de violência contra as mulheres. Procuramos sempre dar o apoio jurídico integral, visando sua proteção e resolução de todas as questões atinentes ao rompimento do relacionamento. Em sala de aula, procuro enfatizar a igualdade e a dignidade da pessoa humana como valores universais.

10) Qual conselho/orientação você daria para as estudantes de Direito para enfrentarem as dificuldades e preconceitos que encontrarão na profissão por serem mulheres? 

Sendo mulher, muitas vezes a profissional terá que se esforçar mais para provar o seu valor. Então é esse o caminho a seguir: estudo e dedicação. A mulher profissional precisa entender o seu valor e agir com seriedade e comprometimento.

Fim

Com esta entrevista, iniciamos a Coluna de Mulheres Mackenzistas. Se você se sentiu inspirada pela história da professora Fernanda, siga sua receita de estudo e dedicação e não duvide dos seus sonhos ou que não vai conseguir algo que deseja porque é mulher e  ter entrado num mundo predominantemente “dominado por homens”. Nós não os menosprezamos nem os queremos “fora de campo”, mas almejamos o nosso espaço.

Aguardem as próximas entrevistas!

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