Paulo Pereira da Silva, 7° Semestre

 

“Eu tenho um sonho”! A tão célebre e reverberante frase de Martin Luther King , traz consigo não somente a esperança, mas o grito agônico e extenuante de quem luta por mudanças estruturais imediatas. Transformações que urgem e demandam medidas concretas e pontuais.

A Universidade Presbiteriana Mackenzie, pelos mais diversos fatores, possui um público majoritariamente branco. Neste prisma, a situação se reitera nos espaços mais elitizados, como a Faculdade de Direito. Faculdade com corpo discente seleto, excludente e dotado de contextos sociais muito privilegiados.

Em contraste, estão as poucas vozes de quem, ainda que de modo silente, grita: “eu tenho um sonho”! Tais quais os africanos escravizados na América do Norte, na dor e no suor de seu injusto trabalho, cantavam as denominadas “slave songs”, como forma de obter momentos de guarida e atenuar o sofrimento, estão os (as) alunos (as) negros (as) buscando maneiras de resistir às mazelas de um sistema que os oprime desde a mais tenra idade.

O (a) Mackenzista negro (a), em sua maioria, é bolsista, oriundo da periferia e da escola pública e está inserido (a) em realidades sociais diametralmente opostas das que desfrutam os colegas da Faculdade de Direito. Logo, quase que inevitavelmente, acaba enfrentado grandes dificuldade de inserção nos ciclos sociais através dos quais criam-se vínculos afetivos que são importantíssimos ao longo da graduação.

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Para além do mencionado, está um problema ainda maior: a dificuldade de inserção da pessoa negra no Mercado de Trabalho. Agora, ainda murmurando que “tem um sonho”, passa a cantar: “Negro sem emprego, fica sem sossego, o negro é a raiz da liberdade”.

Pois bem, com muito sofrimento, após vencer as imensas e nefastas barreiras do Enem e vestibulares, a pessoa negra conquista sua vaga na Universidade e já se vislumbra e projeta como “doutor”. Passa a fazer planos. Magnífico. Ocorre que, muitas empresas e escritórios, em seus moldes elitistas e que reproduzem diversas facetas da discriminação, fecham as postas para candidatos que não “estejam de acordo com o perfil” (branco).

Professores da casa, Sílvio de Almeida e Adilson José Moreira, escrevem, respectivamente, acerca do racismo e estrutural e das teorias da discriminação, de forma a elucidar que espaços públicos e privados, são negados a pessoas negras e que, por mais qualificada que seja, terá que enfrentar desafios eminentemente maiores do que enfrentam os colegas brancos.

Diante deste conjunto de situações, o Centro de Estudos das Sociedades de Advogados (CESA), criou o projeto “Incluir Direito”, que promove intensa capacitação a um grupo de alunos negros, que recebem cursos e oficinas de formação pessoal e profissional, além de lhes proporcionar a oportunidade de que, cada aluno, tenha um mentor, que seja advogado de um grande escritório de advocacia, em parceria com a instituição. Ao final, os alunos são encaminhados a processos seletivos para estagiar em escritórios como Pinheiros Neto, Demarest, Mattos Filho, dentre outros , que que fazem parte do programa.

O Mackenzie aderiu ao projeto e já está na sua terceira edição (2019). Os alunos que participaram em edições anteriores e que hoje estagiam em escritórios de elite, testemunham a importância decisiva e determinante do projeto para o ingresso no Mercado de Trabalho, uma vez que foi oferecida uma oportunidade exclusiva para que mostrassem o seu potencial.

Analisando as trajetórias e testemunhos , pode-se visualizar de forma cristalina a necessidade de projetos e iniciativas como o Incluir Direito, para que se possa caminhar em direção ao fomento de oportunidades mais isonômicas de modo que a pessoa negra siga proclamando, de cabeça erguida, “eu tenho um sonho”, o sonho aconteceu, está acontecendo e continuará se realizando, com lágrimas, talvez, mas, insofismavelmente, com um “sorriso negro que traz felicidade”.

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