Aparecida Oliveira – 3o semestre

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Hoje a Coluna Mulheres Mackenzistas entrevista a professora Ana Cláudia Ruy Cardia Atchabahian, professora e inspiração para todas as mulheres!

1) Qual seu nome e formação acadêmica?

Ana Cláudia Ruy Cardia Atchabahian. Mestre e Doutora em Direito Internacional. Advogada.

2) Há quanto tempo atua na área?

Desde que me formei, em 2011.

3) Há quanto tempo está no Mackenzie? Qual disciplina ministra?

Desde 2015, com muita alegria! Disciplino Direito Internacional Privado.

4) Você acha (ou tem certeza) que já sofreu preconceito por ser advogada? Acha que os homens são tratados de forma diferente no mundo do Direito?

Sem dúvida alguma. O Direito – no Brasil e no mundo – sempre foi uma profissão de natureza masculina. Nas últimas décadas as mulheres entraram nesse mercado, mas ainda sofrem muito com a pressão de um ambiente criado apenas para a satisfação das necessidades dos homens. É necessário repensarmos a profissão a partir de um novo olhar.

5) Você teve receio ao decidir por sua profissão? Acha que a escolha foi, de certa forma, enviesada por seus familiares?

Não tive receio, porque nunca fui desestimulada a pensar e a lutar por tudo aquilo que considero justo para mim e para as demais pessoas.

6) Você acredita que deve se esforçar mais do que seus colegas para demonstrar que é tão capaz quanto eles?

Sem dúvida – não apenas aos homens, mas sobretudo aos homens mais velhos.

7) Qual é o maior desafio para você em sua profissão?

Atualmente, convencer as pessoas que hoje decidem (juízas e juízes) sobre a importância do estudo aprofundado do Direito Internacional.

8) Você acredita que para uma mulher advogada ter reconhecimento na profissão há exigências e prejulgamentos quanto à sua competência devido à forma como se veste?

Sem dúvida. Infelizmente, nossa aparência ainda é percebida antes de nossa capacidade. Enquanto vivermos em uma sociedade que culturalmente preza por tais atributos, estaremos fadadas e fadados a esse problema. Precisamos, novamente, ressignificar a profissão, criando uma cultura de igualdade em que o que importa – em homens e mulheres – é o conhecimento, e não a aparência física.

9) Você é ou pretende ser mãe? Acredita que ter filhos e sucesso no mundo do Direito são caminhos de trilhas opostas? Como uma mulher advogada, de qual forma vc acha que pode contribuir para a diminuição da desigualdade entre homens e mulheres , e violência contra as mulheres?

Não sou, mas pretendo ser no futuro. Não deveriam ser trilhas opostas, mas há ainda muitos empregos que assim o veem. Meu trabalho como advogada e professora sempre esteve voltado à ideia de igualdade de gênero. Em 2016 publiquei meu livro “Empresas, Direitos Humanos e Gênero: desafios e perspectivas na proteção e no empoderamento da mulher pelas empresas transnacionais”, em que trabalhei a dificuldade de mulheres ascenderem nas empresas e quais poderiam ser os caminhos para tanto – a começar pela mudança cultural no ambiente doméstico e intrafamiliar.
Atualmente, sigo a mesma linha de trabalho com meu grupo de estudos sobre Direitos Humanos e Empresas na Faculdade de Direito. E claro: pretendo educar minhas filhas e meus filhos da mesma maneira. Educar para a igualdade é a chave para uma sociedade mais inclusiva e desprovida de preconceitos.

10) Qual conselho/orientação você daria para as estudantes de Direito para enfrentarem as dificuldades e preconceitos que enfrentarão na profissão por serem mulheres?

Para não abaixarem a cabeça. Jamais. Enfrentem todo e qualquer tipo de assédio. Falem, não escondam. Não tenham medo ou vergonha. É apenas relatando tais abusos que conseguimos mudar a mentalidade e a cultura de uma sociedade. E se apoiem umas nas outras. A mudança cultural que tanto queremos não virá da guerra, mas sim da união e da coragem para ter voz.


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