O coletivo de bolsistas “4 da Manhã” deseja boas-vindas a nossas companheiras e nossos companheiros bolsistas ingressantes deste semestre! Um novo desafio, em um período de aumento das dificuldades para os jovens trabalhadores e para a educação em geral, porém, como sempre, combatido por nós com muita luta. Parte dessa luta está marcada para o dia 13 de agosto, em mais um ato em defesa da educação. No entanto, gostaríamos que cada bolsista se perguntasse: “e depois?”

Certamente, a manifestação demonstra nossa insatisfação com as medidas tomadas pelo governo Bolsonaro. O  bloqueio de 348,47 milhões para a compra, produção e distribuição de materiais pedagógicos, parcela de mais um contingenciamento (congelamento) anunciado pelo ministério comandado por Abraham Weintraub, afetará os livros didáticos, acervos de bibliotecas (ou criação daquelas que nem existem), jogos educativos, entre outros elementos necessários para facilitar o ensino-aprendizagem em toda educação básica e é só mais um exemplo que mostra a necessidade de nossa indignação. Basta, algum dia ter, ao menos, visualizado as condições destes materiais em uma escola pública, isto é, quando sequer existem.

Entretanto, você que chegou na universidade agora sabe que com ou sem Bolsonaro a situação dos materiais pedagógicos e de toda a educação pública sempre pareceu ser projetada para nos impedir de alcançar uma real e significativa formação. Foram e são marcadas pela luta dos professores em conseguir construir o conhecimento com os alunos em salas lotadas e assistência mínima e pela dificuldade dos alunos em aprender o necessário para exercer sua cidadania.

Portanto, podemos dizer que nossa manifestação será motivada não apenas pela precariedade da educação brasileira, mas por causa das medidas recentemente tomadas que visam agravar ainda mais o quadro em que ela se encontra. Tudo isso foi estranhamente justificado pelo argumento de que o sucateamento da educação seria uma etapa para que a economia “saia do lugar”. Além de ser essencialmente incoerente, uma vez que o investimento em educação é, de fato, um investimento a longo prazo na economia, tal afirmação não se sustenta também no que diz respeito às medidas a curto prazo: por exemplo, o próprio governo pretende perdoar dívidas ruralistas e, muito embora tenha afirmado anteriormente ter como prioridade a educação básica, garantiu recentemente que cortará a verba para livros didáticos nas escolas.

Dessa forma, voltamos a perguntar, amiga e amigo bolsista: e depois? Nós que estávamos insatisfeitos antes e estamos ainda mais agora, o que faremos depois do dia 13 para alterar essa situação? A ação da juventude, tão significativa no período de luta contra ditadura se resume em apenas mostrar sua indignação esporadicamente?

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Obviamente, nós bolsistas, muito além das manifestações, diariamente, estamos ocupados com o exaustivo deslocamento da quebrada à universidade, com empregos que arranjamos para garantir o nosso sustento e das nossas famílias, além da constante resistência à perda de direitos ou da tentativa de compensar nossas formações deficitárias a fim acompanhar aulas que são ministradas muitas vezes por profissionais que não compreendem as questões objetivas que temos que lidar para estudar. Além disso, por mais que a condição social que nos encontramos não seja uma escolha nossa, reconhecemos que agir passivamente não provoca mudanças.

Se demonstramos insatisfação com o projeto vigente, é preciso que tenhamos uma alternativa a apresentar. No entanto, nós não podemos estruturar uma proposta da mesma maneira que aqueles que criticamos estruturam as suas. Precisamos de uma proposta que atenda às necessidades daqueles que como nós, são excluídos de toda a elaboração do histórico cenário brasileiro. Nosso projeto não pode estar sujeito ao interesse de grandes conglomerados da educação que veem na formação do indivíduo, a oportunidade de lucro, oferecendo uma educação sucateada em que saímos nos perguntando no que seu conteúdo será útil em nossas vidas. É preciso que a finalidade de nosso projeto de educação não seja o vestibular, precisamos de uma educação que nos forme para atuar em uma sociedade que enxergue organicamente seus integrantes e não somente como números. Com isso, a nossa educação precisa ser formada a partir daqueles que lutam todos os dias e não esperando que supostos representantes a construa, antes mesmo de falar com quem vive a situação, como coloca Freire: “Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica”.

É preciso construir uma Universidade com a nossa gente e pela nossa gente! Um projeto popular se constrói no seio da formação coletiva e organizada! Por isso, convidamos a todas e todos bolsistas, calouras e calouros, veteranas e veteranos a levar para as ruas, no dia 13 de agosto, sua revolta com o atual e histórico projeto de sucateamento da educação e a lutar por melhores condições para todas e todos estudantes bolsistas e trabalhadores, buscando construir um projeto popular de educação no coletivo 4 da manhã!

Instrui-vos porque teremos necessidade de toda vossa inteligência. Agitai-vos porque teremos necessidade de todo vosso entusiasmo. Organizai-vos porque teremos necessidade de toda vossa força.

                                                                                              Antonio Gramsci

Terceiro grande ato pela educação: 13 de agosto, às 16h, concentração no vão do Masp.

Reuniões abertas do coletivo 4 da Manhã: 21 de agosto, às 12h e às 18h, no bosque da Arquitetura, Mackenzie.

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