Aparecida de J. Oliveira – 3º semestre

“É só uma caipirinha, vai”. Quantas vezes você ouviu esta frase este ano? E pra quantas delas você conseguiu resistir e dizer não?

Bem, comecemos. Você está no final do semestre, fazendo as últimas provas e não vê a hora do ano acabar? Com muita sorte já passou em todas as matérias, frequentou todas as aulas e não tem falta, então nem precisa ir pra responder presença e já está curtindo as tão “esperadas férias”. SQN. Quem dera…. Muitos ainda aguardam a publicação de notas (que cá entre nós, tem professor publica nos 45 do 2º tempo) ou já sabem que tem uma sub aqui ou ali pra fazer e estão estudando pra não pegar a tão temida DP. Seja lá em que patamar você está, reta final de semestre (principalmente do final do ano) é um sufoco! Chega 31 de janeiro do próximo ano, mas não chega final de novembro deste!

Mas antes de dar pulos de alegria e respirar aliviado, cabe também uma reflexão: sobre que tipo de alunos fomos neste 2º semestre de 2019 ou mesmo durante todo o ano. Sempre prometemos a nós mesmos que seremos melhores, mas quando o colega nos chama pra “ir ali rapidinho no bar”, “só uma aula, a gente volta rapidinho”, quem aguenta? “Só uma caipirinha, vai” e de sexta em sexta, cada vez assistimos menos aulas, menos explicações são ouvidas, chega a P1 e aquele mínimo de 7,5 não é alcançado. Bate o desespero, mas não.. ainda tem a P2 ainda, desta vez vamos nos esforçar! Só que da mesma forma que “seguimos o baile”, as matérias também seguem. E um assunto puxa o outro e às vezes não dá pra entender o ponto seguinte se perdemos o anterior. É igual aula de inglês: não adianta querer entender o Presente do Subjuntivo se não sabemos o Presente Simples, esquece!

Se trabalhamos duro e tiramos do bolso o valor da mensalidade (que não é baixo), dói mais imaginar a possibilidade de ter ainda que pagar uma DP. Se são nossos pais que pagam vemos o desespero (e a fúria) deles de talvez ter mais um gasto no orçamento. E, por fim, se somos bolsistas sabemos que o mau desempenho pode nos prejudicar na manutenção do benefício (pelo menos na minha época de bolsista, há mais de 10 anos, era assim, até recebíamos carta do Ministério da Educação referindo que a bolsa seria renovada “de acordo com o desempenho acadêmico”. Dava até um frio na espinha…)

Seja lá qual for a sua estória (e espero que se forem os seus pais que pagam a faculdade, você saiba valorizar isso), como diz o velho ditado “Não há maior juiz do que nossa consciência”, pois sabemos o que fizemos e o que deixamos de fazer durante todo o ano. Ficamos irritados com os sermões sobre “que tipo de profissional queremos ser”, mas no fundo no fundo sabemos que há uma parcela de razão e hoje por estar cursando a 2ª faculdade digo que sim, lá na frente faz uma baita diferença! O mercado seleciona os melhores, não adianta, esta é a lei! Fora que, em específico para o Curso de Direito, o filtro já começa na temida prova da OAB. Hoje entendo porque ela tem tanta fama de reprovar tanto, pois vemos diariamente na faculdade quem leva a sério e quem está na Universidade só para pegar o diploma. Tive um professor que disse aos alunos em sala que “o momento que se começava a estudar para a OAB era no primeiro dia de aula, dando importância a cada matéria que era ensinada”. E ele tinha razão. Já ouvi falar de alunos que estudam para o Exame da Ordem no último ano da faculdade. Que insensatez! E hoje creio que, mesmo que façam cursinho e passem, no dia a dia eles serão provados de inúmeras outras formas. Aliás, creio que esta prova já começa nos estágios e por isso vemos aquele que sempre se destaca mais em detrimento do que se destaca menos. Não estou dizendo sobre ficar horas a mais no local pra mostrar que “veste a camisa da empresa” e chamar a atenção da chefia mas sim de conhecimento, competência e segurança nas tarefas desenvolvidas no dia a dia. De qual lado queremos estar?

Isso sem mencionar as outras obrigações da vida acadêmica, como as horas completamentares… Extensão, Ensino, Pesquisa e dizemos a nós mesmos “No próximo semestre eu começo, ainda dá tempo”. E quando vemos, lá se foram dois, três, quatro semestres. Daqui a pouco encostamos no TCC!

Diante de todas estas reflexões (e talvez ela se encaixe na sua vida, do contrário meus parabéns), é impossível que não nos olhemos no espelho e vejamos que precisamos nos organizar melhor, talvez abrir mão de alguns momentos. Não estou dizendo que é proibido ir ao bar, ou deixar de ir à faculdade um dia quando se está muito cansado ou ainda emendar um feriado e viajar, mas temos que repensar e decidir como faremos no próximo ano: se ainda manteremos comportamentos que eu digo são de “risco acadêmico” ou se seremos mais sábios e nos reorganizaremos, sabendo dizer “não” quando necessário. Ou teremos apenas o “diploma Mackenzie” na mão, já que ele abre portas? Nos dias atuais, onde tanto se é exigido dos profissionais (que eles sejam cada vez mais qualificamos e multifacetados), será que ter um diploma e ter apenas saído de uma boa faculdade será o bastante? 

Fica a reflexão…

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