Ontem, dia 30/04, o nosso Centro Acadêmico completou 65 anos de história!

São 65 anos de muita luta, conquistas e representação dos mais de 6 mil alunos da Faculdade de Direito do Mackenzie. O Centro Acadêmico foi um símbolo de resistência dentro da Universidade durante o período da Ditadura Militar, e hoje é uma das maiores entidades de representação estudantil do país.

O JP3 tem muito orgulho de fazer parte dessa trajetória, e continuaremos trilhando, junto ao CAJMJr, um caminho em defesa da educação e da democracia.

Deixamos, como homenagem, a íntegra do texto da Podemos+, atual gestão do CA, que conta um pouco mais sobre a história da entidade:

Há 65 anos, os primeiros estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie reuniam-se para fundar o Centro Acadêmico João Mendes Júnior, que futuramente se tornaria uma das maiores entidades de representação discente e extremamente significativa para os mais de seis mil alunos do curso.

A entidade nasceu em um momento político conturbado, ainda com Café Filho governando o país. Para disputar as primeiras eleições da diretoria executiva surgiram dois partidos, o Partido Acadêmico Realizador (PAR) e o Partido Acadêmico Democrático (PAD). Na época, a criação de um partido estudantil com o nome “Democrático” foi uma inovação em um Estado que ainda vivia às sombras da Era Vargas.

Durante o período de Ditadura Militar, com a imposição da Lei Suplicy de Lacerda (Lei n. 4.464, de 9 de novembro de 2964), os estudantes vivenciaram a época mais difícil para a representação estudantil no país. Apesar de o Mackenzie ter sido inserido em um contexto considerado conservador, com a presença de movimentos de direita, estudantes da Faculdade de Direito fizeram parte da diretoria da União Nacional dos Estudantes (UNE) por vários anos, inclusive durante a Ditadura.

Há uma história muito bem contada no livro “Maria Antônia: a história de uma guerra”, de Gilberto Amendola sobre a instalação de uma urna de votação para a União Estadual dos Estudantes dentro do Mackenzie, o que causou 16 estudantes trancados dentro de uma sala para proteger a urna, policiais no pátio e gente sendo levada ao DOPS.

Zé Dirceu conta, em seu livro “Zé Dirceu – memórias volume I”, que durante a chamada “Guerra da Maria Antônia”, não houve guerra entre os estudantes do Mackenzie e da USP- Filosofia. Inclusive, a UNE e a UEE eram apoiadas pelo DCE e por quatro dos cinco Centros Acadêmicos que existiam no Mackenzie na época, dentre eles o João Mendes Jr., presidido por Lauro Pacheco de Toledo Ferraz, militante ativo do Movimento Estudantil.

Durante a Ditadura, muitos estudantes do Mackenzie, principalmente os que faziam parte de entidades estudantis, passaram por momentos difíceis onde a censura prevalecia. Quase todos os presidentes do CA desse período foram fichados pelo DOPS, destacando-se um membro que foi sequestrado às vésperas da sua posse como presidente do CA.

Ao longo dos 65 anos, inúmeros estudantes, das mais diversas orientações políticas, passaram pelo nosso Centro Acadêmico. Deles, partiram grandes vitórias, derrotas e confrontos por uma maior qualidade de ensino e um país mais republicano. O Miro, mais antigo funcionário da Faculdade, conta animado as brigas que muitos estudantes travaram na sede da associação, em uma época em que a política fervia de uma forma diferente nas veias dos alunos.

Uma das conquistas mais importantes da organização dos estudantes do curso foi a fundação, em 1959, do Departamento Jurídico João Mendes Júnior, hoje denominado Assistência Judiciária João Mendes (AJ).

Ainda como forma de incentivar o protagonismo estudantil, o Centro Acadêmico, junto a Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito fundou o JP3, um jornal on-line escrito pelos próprios alunos. O jornal faz referência ao antigo e tradicional prédio 3, edifício que abriga a Faculdade de Direito desde 1953. Desde se fundação, em 2017, até os dias atuais, o JP3 se tornou um dos maiores jornais universitários com mais de 100 mil acessos anualmente.

Atualmente, com 65 anos de história, o Centro Acadêmico exerce um papel crucial na vida dos mais de seis mil alunos do curso de direito que cruzam o campus diariamente. A principal preocupação da entidade é melhorar o ambiente universitário para todos os estudantes, acolhendo coletivos feministas, movimento negro e LGBTTQIA+.

É nesse contexto que o Centro Acadêmico João Mendes Júnior continuará a sua história em defesa da educação e da democracia dentro e fora dos tijolinhos vermelhos do Mackenzie, eternizando uma história linda de resistência e luta, mesmo em tempos sombrios de ditadura militar, escrita pelos estudantes ao longo de todo os seus 65 anos.

30.04.2020

Gestão Podemos+

Publicado por Rafaela Cury


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