Albert Camus, o célebre autor de “O Estrangeiro” e “O mito de Sísifo”, foi um escritor, jornalista e dramaturgo argelino. Nascido em 07 de novembro de 1913, em Mondovi, e falecido em 04 de janeiro de 1960 aos 46 anos de idade, em Villeblevin, na França, o autor obteve o título de doutor em filosofia por sua dissertação sobre Santo Agostinho. Em 1957, recebeu o Prêmio Nobel, um ano após a publicação do romance “A Queda”. Camus, de pais camponeses, tinha um irmão e teve duas filhas gêmeas. Uma curiosidade acerca do falecimento de Albert Camus reside no fato dele ter morrido num acidente de carro, dirigido por seu editor Michelle Gallimard, enquanto, em seu bolso, havia um bilhete de trem, que, no último minuto, ele havia desistido de usar.

Camus, em sua literatura, retratou o absurdo resultante do conflito entre a vontade de sentido humana e a aparente indiferença do universo perante o homem: está estabelecida aí a sua revolta. O filósofo vai além: o destino do homem apenas é trágico, pois este é consciente da inevitável falibilidade de seus esforços por significado à sua existência.

Embora amigo pessoal de Jean-Paul Sartre, Camus afasta-se do Existencialismo de Kierkegaard, criando a corrente filosófica denominada Absurdismo. Ambas perspectivas baseiam-se na falta de um sentido último e imutável à condição humana, neste ponto, aproximando-se do niilismo. Entretanto, o Existencialismo prega que cada homem é capaz de criar um sentido para sua própria vida, enquanto o Absurdismo prega que, nesta busca por significado, o indivíduo deve estar previamente cônscio de que tal objetivo é, na melhor das hipóteses, inalcançável, devendo, não obstante, ser percorrido mesmo assim. Há de se notar, todavia, que a incessante busca por si só já se coloca acima da rendição e do vazio e o nada proporcionados pelo niilismo.

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Não sejamos pessimistas! O próprio autor que vos apresento não o era: “E no meio de um inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível.”; esta frase denota a perseverança de Camus que, durante sua vida inteira teve de lutar e resistir. “No entanto, estou bastante tentado a acreditar que é preciso ser forte e feliz para ajudar as pessoas em desgraça. Quem arrasta a sua vida e sucumbe sob seu próprio peso não pode ajudar ninguém.”

Um ano após seu nascimento, em 1914, Albert perde seu pai na Primeira Guerra Mundial e enfrenta crises financeiras familiares, necessitou de ajuda para completar seus estudos, fato este que, a princípio, sua família não aprovava,  defendendo que o jovem argelino deveria trabalhar com seu tio numa fábrica de tonéis e barris para prover o sustento. Albert Camus pretendia seguir carreira acadêmica, no entanto, em 1930 é diagnosticado com tuberculose, condição esta que lhe impede o exercício docente na universidade.

O ano é 1934, Camus entra para o Partido Comunista Francês e casa-se com Simone Hie, de quem se divorcia em pouco tempo, e em seguida no Partido do Povo da Argélia, passando a escrever para dois veículos socialistas, iniciando-se como jornalista.

Em 1936, fundou a companhia Théâtre du Travail onde trabalhou como diretor e ator e também ficou conhecido por fundar a companhia L’Equipe. Camus, certa vez, disse a seguinte frase: “(…) uma cena de teatro é um dos lugares do mundo onde estou feliz.” Em seu constante engajamento político, em 1938, Camus ajudara a fundar o Jornal Alger Républicain e, até 1947, colaborou no jornal Combat, atuando também no jornal Paris-Soir. Fã de futebol, acima ainda do teatro, também a seguinte frase é atribuída ao autor trabalhado neste texto: “O que finalmente eu mais sei sobre a moral e as obrigações do homem devo ao futebol.”

Em mais uma reviravolta, em 1940, Camus rompe com o Partido Comunista e passa a viver em Paris, de onde logo foge, devido à invasão alemã, juntamente com sua esposa, Francine Faure, com quem se casa neste mesmo ano.

Como filósofo, Albert Camus debruçou-se seriamente sobre o problema do suicídio: as primeiras palavras do primeiro capítulo de seu livro “O Mito de Sísifo” são: “Só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não vale ou não vale a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia.” Neste tratado de 1942, o autor explora se “há uma lógica que chegue até a morte?” (p. 23), respondendo negativamente à sua própria pergunta, culminando, no capítulo final, no mito de Sísifo em si, como uma analogia da condição humana, do homem comum, da seguinte maneira: “É preciso imaginar Sísifo feliz.”

Também em 1942, Albert Camus publica seu livro “O Estrangeiro”, obra que chamou muita atenção e até hoje é tida como “ritual de passagem” entre adolescentes franceses, que o leem comumente próximo à entrada na idade adulta. O protagonista, Mersault, numa praia argelina, assassina com cinco tiros, sem plausível justificativa, um jovem árabe que tinha problemas com um amigo de Mersault, em função de um relacionamento deste amigo com a irmã do homem árabe. Igualmente interessante são o começo e final do livro, no qual, respectivamente, o protagonista enfrenta o velório de sua mãe e carrega o caixão dela sem, entretanto, manifestar qualquer emoção nem sofrimento, como desconectado do evento; e, ao fim, o personagem recebe uma sentença e seu único desejo é ser recebido pela plateia, ao caminhar por um corredor pela última vez, com gritos de ódio.

Em seu discurso do Prêmio Nobel, Camus diz:

 “Durante mais de vinte anos de uma história demente, abandonado sem socorro, como todos os homens da minha idade, nas convulsões da época, fui amparado assim: pela obscura sensação de que escrever nos dias de hoje era uma honra, porque este ato não me obrigava apenas a escrever. Ele me obrigava particularmente a suportar, tal como eu era e segundo minhas forças, com todos aqueles que viveram a mesma história, o sofrimento e a esperança que compartilhávamos.”

De modo geral, Camus era considerado um homem charmoso, sempre bem vestido, relacionava-se muito bem com as mulheres e foi, até mesmo, convidado a um ensaio fotográfico pela revista Vogue.

Em 1951, Camus publica o livro “O homem revoltado” e este acontecimento, que abala a esquerda francesa, que abalou a esquerda francesa e pôs fim à duradoura amizade com Jean-Paul Sartre. A título de curiosidade, Camus mantinha também contato com a esposa de Sartre: Simone de Beauvoir, numa relação de intensa rivalidade. O trio, que se posicionava em desfavor do modelo convencional de casamento, engajavam-se em “jogos sexuais”, nos quais Simone frequentemente encaminhava aos outros dois mulheres com quem ela mesma já se havia deitado, algumas delas virgens.

Outras obras do autor incluem: A Peste (1947), Calígula (1945), O Avesso e o Direito (1937), A morte feliz (obra póstuma publicada em 1971, escrita entre 1936 e 1938), A inteligência e o Cadafalso (1943) e Estado de Sítio (1948).

Referências

Escrito por Guilherme Pierina, membro da ALEMack, que tem como patrono o escritor Albert Camus

Postado por Rafael Almeida

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