Depois de uma cansativa peregrinação, como relatei nas notícias extras 1 e 2, nesse espaço, havia me recolhido no silêncio sepulcral da minha tumba secreta, nos fundos do Cemitério da Saudade, local onde ninguém se atreve frequentar. Pensava que iria descansar dos absurdos vividos (?) por mim nas últimas semanas ao flanar sobre a Esplanada de Brasília. Mas qual… Ledo engano, pois não é que recebi mensagem telepática do meu tio americano, o secular vampiro Ronald Ferr, tradicional morador do Queens, nas cerimonias da velha ponte sobre o Hudson River, que me questionou absolutamente surpreso a respeito de nova reunião dos capas pretas que iriam decidir sobre a decisão que já havia decidido sobre antiga decisão sobre presunção de inocência. Segundo ele – meu tio – a questão era saber se o culpado é inocente e se só pode ser considerado culpado após a interposição de centenas de recursos em diversas Instâncias, inclusive na Quarta Constitucional, quando, finalmente, ocorreria o chamada “trânsito em julgado”, situação jurídica essa estranhíssima para ele.

É que para o tio Ronald Ferr alguém pode ser inocente se, de fato o for, até prova concreta imediata em contrário, analisável por um julgador singular, como ocorre no mundo todo, até no Inferno. Não conseguia o velho parente compreender o significado desse amplo conceito de inocência na jurisprudência local, considerado o seu profundo conhecimento da cultura humana e sobrenatural, levando em conta, especialmente, a conjuntura brasileira, terra de reconhecida tradição de culpados. Para ele, por exemplo, nunca existiu vampiro inocente no Brasil!

Só voarei para Brasília nessa semana por causa do meu tio Ferr… Cada dia mais difícil ser vampiro por essas bandas!

Assinado: Lucius Ferr


A coluna “Cronículas” nos prestigia com diversas crônicas e textos do professor emérito da Faculdade de Direito do Mackenzie Jeremias Alves Pereira Filho, que lecionou por 40 anos no Mackenzie e foi presidente do Centro Acadêmico

Postado por Rafael Almeida

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