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Alexander Da Silva Santos

alexander.dsvsantos@gmail.com

Todos nós temos um sonho, um objetivo almejado que sentimos motivação e força para realizá-lo. Quem não tem? Essa pergunta implica a trazer um sujeito e caracterizar esse sentido a ele. Pensemos numa pessoa sem sonho: é alguém vazio e sem esperança expressando faces visualmente diferentes aparentando angústia, tristeza ou felicidade, cada um com sua máscara. Mas nenhuma pessoa se apresenta sem um sonho, apenas inúmeros fatores levaram-na ao esquecimento e sucumbência ao “Todo Poderoso Social” entendido por Émile Durkheim. “Meu sonho é estudar, ter uma casa, uma família. Se eu fosse mágico não existiria droga, nem fome, NEM POLÍCIA” (“Mágico De Oz” – Racionais MC’s). Mormente, ressalto que a empatia e a solidariedade podem acender uma luz no fim do túnel. 

Sou um garoto de escola pública, a mesma proveniente de um sistema de retenção planejado para impedir que meus semelhantes absorvam conhecimento intelectual a fim de disputar o vestibular em paridade com os “nascidos em berço esplêndido”. Cresci no Campo Limpo, periferia da zona sul de São Paulo a qual só tem “limpo” no nome. Ouso em dizer, metaforicamente, a terra operária vinculada a uma espécie de vassalagem para com a metrópole (centro). Mas lembre-se caro leitor, não há nobreza e respeito na relação, o burguês carrega seus torrões de dinheiro e o camponês apenas a sua cruz. Outrora, a região abarca o trabalhador “nos corre”, jovens brincando, partindo “pros baile” ou enquadrados pela polícia com um fuzil apontado para sua cabeça. “This Is America” ou This Is Brazil?

Porém, aqui estou eu cursando o terceiro semestre de Direito no Mackenzie e visualizando cotidianos diferentes da elite paulista, vida pacata que parece “Malhação” retratando uma ficção, isto é, a realidade invertida e maquiada. Em regiões próximas daqui distribuem-se drogas e bebidas livremente e nenhum “gambé” chega de helicóptero com uma sniper pronta para atirar. Sejamos sensatos, “Se chama inversão de valores, ou show de horrores/ Quando a definição de suspeito vem numa tabela de cores/ Sua justiça morreu quando embrião, sua lei já falhou no protótipo/ E o azar é daquele que assim como eu se encaixa no estereótipo, ótimo” (“Estereótipo” – Rashid). Transmito com muito orgulho que estou em uma das melhores faculdades do país e estou seguindo uma trilha longa a caminho de um sonho, alimentado com dificuldades que se tornam motivação para seguir em frente. Não sei vocês, mas este que subscreve se satisfaz com uma boa leitura de Literatura Brasileira e as Escolas Literárias Naturalista, Realista e Modernista são favoritas. “O Cortiço” de Aluísio Azevedo retrata fortemente a ideia do Determinismo, a qual afirma que o meio vivido pelas pessoas determina ou influencia o seu destino. Ressalto veracidade na Escola Determinista, entretanto, não creio ser absoluta porque por mais que as coisas andem mal “Quem acredita sempre alcança// […] Nunca deixem que lhe digam que não vale a pena/ Acreditar no sonho que se tem// Ou que seus planos nunca vão dar certo/ Ou que você nunca vai ser alguém” (Mais uma vez – Legião Urbana).

Eu gosto de Rap e me inspiro muito no rapper Rashid, considero-o como um pedaço do meu ser com aptidão artística. Talvez para alguns não haja significação, entretanto, esse artista me ensinou a enxugar as lágrimas, olhar a frente e mudar meu destino; por princípio, dar valor as pequenas coisas e sempre estar acompanhado dos bons amigos; em seguida, manter a coragem e não duvidar de si, pois o mundo suscitará e meticulosidades e estagnação e o que será de mim se perguntar “e se” antes de tentar? Por fim, abrir novos horizontes adquirindo conhecimento e referências em função de novas ideias.

Eu tenho um sonho. Realizar uma pesquisa científica em função da sociedade por sentir que é o certo a se fazer, afinal, se não fosse por políticas públicas talvez eu não estivesse escrevendo esse texto. Eu tenho um sonho. Estagiar em escritórios com programas  sociais em prol da inclusão, Pro Bono e palestras de conscientização com a finalidade de fomentar o altruísmo e solidariedade entre futuros operadores do Direito. Eu tenho um sonho. Participar de um projeto social e ajudar alunos bolsistas e demais pessoas, por exemplo, em aprender um novo idioma, sendo este a minha grande dificuldade que por outro lado pode ser sanada com pessoas dispostas a ajudar e minha dedicação. Eu tenho um sonho. Ser um grande orgulho de minha mãe avistando sorriso e felicidade em seu rosto, pois “Se a senhora me criou pra voar, mãe/Não poderia subir sem te levar, mãe” (Coisas Dessa Vida – Rashid). Eu tenho um sonho.

Quando proporcionamos a possibilidade de desenvolvimento pessoal de habilidades e dons naturais colhemos futuros pesquisadores, talentos musicais, profissionais competentes, uma sociedade mais culta e letrada, menos diferenças e mais amor e menos drama. Com atos nobres a dádiva vai além do “encontro do mar com o céu”, no mais profundo e verdadeiro significado de ser humano. Como dizia Aristóteles, somos seres sociais e precisamos de outros como nós para perpetuar nosso progresso, logo desenvolver conhecimento nos torna melhores e aumentamos o aprendizado entre alunos e professores. O que aprendemos permanece inato ao nosso ser, nada se perde, tudo se transforma, basta imaginar e compartilhar.

 

Gratidão
[…] Por isso gratidão é o que carrego
Sabe o que é ser luz pra quem se encontra cego?
Desde o Santa Cruz essa é minha via sacra
Cada som é 1 filho, eu faço mais que o Mr. Catra
Saca? Eu e meus parça pulamo catraca
Deixamo algumas tag numas placa
Viemos da plebe pra deixar a nossa marca
A tropa de Monark vem contra os monarca
Vivendo um sonho, eis o reboliço
E você que tá ouvindo também tem culpa disso
Valeu! Por que nada foi fácil pra gente
E pra quem pensa isso: sabe de nada inocente!
Vamo em frente, quebrando as corrente
Liberdade pra alma, liberdade pra mente
Nossa família é crescente
Minha mãe me disse: “filho, brilha!”
E eu gosto de ser obediente!
(RASHID, 2014)

REFERÊNCIAS


 

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