Por Victor Orlando – 2° semestre (victor.orlandop@hotmail.com)

Um dos questionamentos mais antigos da humanidade é: Como alcançar a cidade ideal? Quando se fala em cidade trata-se de todo um conjunto social e político e na Grécia antiga Platão, um dos maiores pensadores gregos, já pensava na questão, onde em sua maior obra  “A Republica” ele trabalha o assunto. Existem diversas interpretações sobre essa obra, contudo, em algum nível, é possível interpretar literalmente os escritos. Um dos destaques da obra é a ideia de que a cidade justa surgiria a partir de um processo que utilizasse a educação e o controle cultural com grande vigor, contudo, para aplicar suas ideias seria criado algo o que Karl Popper chamou de “Totalitarismo utópico” que é extremamente questionável. A questão que se considera trabalhar é de quais são os problemas de se idealizar uma sociedade perfeita e quais perigos carrega consigo tal ideal.

No século passado ocorreram diversos regimes totalitários de todas as vertentes políticas. É importante ressaltar que independente do viés do regime ainda assim haviam características similares, ideia desenvolvida por Hannah Arendt em “Origens do Totalitarismo” onde compara o regime nazista alemão e o comunismo soviético, trazendo a compreensão de que ambos possuem grandes similaridades. É cabível observar que sempre no início da aplicação desse tipo de sistema há a criação de uma figura imaginativa, uma espécie de “nirvana” onde não haverá problemas causados seja por uma etnia especifica ou algum sistema econômico. Nesse processo de implementação de tais ideias sempre há o controle da arte. Isso acaba sendo fruto ainda das ideias de Platão o qual no Livro IX da Republica trata os poetas como os mais perigosos para a implementação de ideias para sua cidade ideal.

É costumeiro o uso da palavra “justo”, ou seja, a criação de um inimigo particular o qual deve ser eliminado, seja determinada população ou nação, por ele ser a causa de todos os problemas, desde econômicos até sociais. A questão que fica é: Como é o processo para disseminação e execução de tais ideais?

Emanuel Kant trabalha uma questão interessante, no que se refere a utilização do Direito. Sem longevos aprofundamentos é cabível usar a concepção de Kant de que o direito não é apenas uma regra do dever-ser, mas um método de como se alcançar a justiça e seguindo o q foi citado anteriormente, o princípio da instauração de um regime totalitário é um processo cultural que distorce o senso de justiça, sendo assim, ao se distorcer o que de fato é o justo, isso sem entrar em maiores especificidades da definição de justiça, o direito se modula a alcançar esse ideal, que de forma alguma é justo.

O problema de se alcançar uma cidade ideal por meio do direito é fato da subjetividade humana ser basicamente infinita e parafraseando Platão no livro X da Republica o Tirano é aquele cujo sem virtudes e apenas vícios impõem seus desejos e por essa falha de caráter torna o sistema tirânico ou totalitário o pior dentre todos (Sendo as citações dele a Timocracia, oligarquia, democracia e tirania).

Sendo assim, a cidade ideal que é a visão de um único indivíduo, é inalcançável. Uma sociedade “perfeita” sempre exigirá que se use da força e violência. Logo, considere que o mais produtivo jamais é que se trabalhe para um ideal, uma utopia a se atingir, mas sim que analisando a realidade tente-se adaptar as instituições e organizações para tornar o convívio social e vivencia individual experiências mais agradáveis. Pois um ideal individual para todo o conjunto social não passa de uma expressão do egoísmo humano.


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