sinpr2

Rafael Almeida – 2º Semestre

Quando o controle da ordem não é exercido de maneira eficaz, a sociedade impõe suas vontades. O problema é quando isto deixa de ser algo positivo e torna-se maléfico. Um sistema majoritariamente confuso e violento, esta é a essência do mundo. Mahatma Gandhi, revolucionário pacifista, talvez diria isso em nossos dias atuais.

O Estado, quando autoritário ou quando não preza pela vontade geral, de Jean-Jacques Rousseau, admite sua fraqueza perante sua função de controle da harmonia e garantidor da paz. Esse definhamento da ordem social pode gerar grande agitação na sociedade, especialmente em setores mais fragilizados.

Adotado por Gandhi, o conceito de desobediência civil, desenvolvido e analisado por Henry David Thoreau, filósofo estadunidense, seria, quiçá, uma possível resposta. Segundo esta linha de pensamento, “atacar” um sistema injusto, que não protege seus cidadãos e, para piorar, os aflige, seria justificável; o método da desobediência permite defender todo o direito que se encontra ameaçado ou violado. No momento em que liderou a “Marcha do Sal”, mobilização restrita à desobediência das ordens do governo britânico, que movimentou milhares de cidadãos da Índia para produzir sal (proibido pelos britânicos), Gandhi demonstrou ser um exímio desobediente e revolucionário, tudo por meio de atos pacíficos. Ao final, Gandhi não só transformou seu tempo, mas, também, garantiu sua influência até hoje.

“Não há caminho para a paz. A paz é o caminho”

Mahatma Gandhi

Mediante atos que sufocam a população, tais como a crescente matança de periféricos pela polícia, tortura de negros e pobres, a não educação como projeto de alienação e outras medidas, a adesão de protestos e atos pacíficos é necessária para que a pressão seja ouvida. Será que devemos nos calar e aceitar? Gandhi se decepcionaria conosco.

Diante do mal na sociedade, a análise concreta e bem-feita dos problemas existentes é indispensável para que saibamos, exatamente, como os combater e evitá-los. A relação de dependência do ser humano para com outro ser humano denota a inevitável colaboração para que nos mantenhamos em paz e harmonia. Essa deve ser a meta-mor.

Ouvir a população chorar, sofrer, morrer é asfixiante. A invisibilidade, porém, nos encobre desta asfixia. Enxergamos, por acaso, as pessoas em situação marginalizada? Enxergamos a miséria dos inalcançados pela educação? Enxergamos a angústia alheia? Como podemos garantir uma sociedade adequada se ignoramos as mais rotineiras violações? A desobediência serviria para salvar seu ego ou para, de fato, organizar-se perante a injustiça exercida?

Ao pensarmos em Gandhi e a desobediência civil, faz-se necessário pensar não somente nos impasses existentes, mas na forma com que lidamos com eles. Devemos, portanto, pensar: o que fazer?

A paz é o estado mais labiríntico e perfeito a ser atingido

Este artigo não reflete a opinião do Jornal

Siga o JP3

Instagram: @jornalpredio3

Facebook: fb.com/jornalpredio3

Mais notícias e informações:

Jornal Prédio 3 – JP3 é o periódico on-line dos alunos e antigos alunos da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, organizado pelo Centro Acadêmico João Mendes Júnior e a Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito do Mackenzie (Alumni Direito Mackenzie). Participe e escreva!