Por Larissa de Matos Vinhado

Já pensou em ser pago para postar em suas redes sociais sem precisar sair de casa? No contexto pandêmico, a situação financeira de muitos piorou e, como escapatória, muitos se refugiaram às redes sociais para fazer dinheiro. Essa é a proposta do OnlyFans, plataforma criada para qualquer pessoa vender fotos, vídeos e textos diretamente para seus inscritos. Resumidamente, é um serviço de conteúdo por assinatura com sede em Londres, no Reino Unido. Criadores de conteúdo podem ganhar dinheiro de outros usuários do site que assinam suas páginas. Entretanto, embora seja responsável por hospedar criadores de diversos gêneros, seu foco é ser popular na indústria de entretenimento adulto, fato que vem causando muita polêmica nos últimos meses.

Durante a pandemia, alguns aplicativos ganharam uma visibilidade muito maior do que tinham anteriormente, principalmente pelo maior tempo disponível das pessoas e pela necessidade de se reinventarem, a fim de alcançarem uma forma alternativa de renda. Uma dessas redes sociais que vem ganhando cada vez mais espaço é o TikTok, e alguns TikTokers também apontam seus seguidores para o OnlyFans, onde eles prometem conteúdo exclusivo em troca de dinheiro.

É necessário salientar que essa plataforma é recomendada apenas para maiores de 18 anos, dado que, entre as regras, permite fotos e vídeos de nudez na troca de mensagens entre quem tem perfil e seus fãs (pessoas que pagam pacotes para ter acesso a esse conteúdo). Os únicos lugares em que é proibida a nudez são na foto do perfil e na imagem de topo da página. Entretanto, o número de adolescentes que participam dessa rede social é estrondoso, ao digitar a hashtag OnlyFans no TikTok, é possível assistir aos vídeos de inúmeras jovens incentivando aos seus seguidores entrarem no aplicativo pela facilidade de fazer dinheiro vendendo fotos e vídeos nuas. 

Tudo é muito facilitado e, isso, certamente, contribui para que haja mais internautas consumindo os conteúdos do aplicativo. Criar um perfil no OnlyFans é gratuito tanto para criadores quanto para fãs. No entanto, não dá para fazer muita coisa no site até adicionar uma forma de pagamento à sua conta – inclusive visualizar conteúdo disponibilizado de graça pelos influenciadores. Apesar de ter uma versão em português, o OnlyFans aceita apenas pagamentos em dólares, que são convertidos em reais na fatura do cartão de crédito. Para os criadores, o valor das assinaturas pode variar de US$ 4,99 à US$ 49,99. O serviço repassa 80% ao dono do perfil, ficando com 20% para cobrir custos operacionais.

Além disso, o público é selecionado ao entrar no aplicativo. Para ser aprovado como criador, é preciso enviar uma foto de um documento oficial de identificação, junto de uma selfie segurando o documento. Também é necessário informar uma conta bancária que aceite receber transferências internacionais. Há todo um processo seletivo que será avaliado, meticulosamente, pela plataforma a fim de decidirem se aquela pessoa faz parte do público que eles gostariam de ter lá dentro. 

O principal problema do aplicativo é que ele trouxe uma nova forma de produzir conteúdos explícitos, isto é, mulheres se sentem confortáveis em vender fotos e vídeos ali, pois transparece uma situação amenizada de uma pornografia que é encontrada em sites mais famosos como Xvídeos e PornHub. Além disso, o consumo de pornografia na pandemia tem aumentado, segundo dados do site PornHub, contribuindo, dessa forma, no aumento exponencial do novo site. 

Fato é que a pornografia e a indústria erótica na internet trazem inúmeros problemas na vida cotidiana da sociedade, um dos principais malefícios é a interferência na forma com que as pessoas exercem sua vida sexual. Vasculhando pela internet, é possível encontrar uma resenha incrível no site Intellectual Takeout sobre o artigo de Kevin Majeres psiquiatra especializado em terapia cognitivo-comportamental e pesquisador de Harvard, no qual explicou como o cérebro começa a agir quando as pessoas assistem a pornografia frequentemente. Este artigo foi retirado de uma palestra que o médico realizou em uma conferência. O objetivo desta palestra não era apresentar um argumento científico, mas sim dar uma imagem de como o sistema de recompensa de dopamina funciona para um público leigo. Caso os leitores queiram ler um artigo acadêmico com embasamento científico sugiro esse: POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS DA PORNOGRAFIA NA SEXUALIDADE HUMANA, artigo publicado na revista Eletrônica de Extensão da URI.

Ele contou sobre um experimento feito com ratos. Quando um camundongo fora colocado em uma jaula com uma ratinha receptiva, o acasalamento aconteceu e, em seguida, ele perdeu o interesse pela rata. Depois, quando outra ratinha fora colocada na jaula, o acasalamento aconteceu de novo, seguido, mais uma vez, da perda de interesse. Isso se repete até que o ratinho chegue perto de morrer – sempre que uma “moça” nova chega, ele copula com ela e depois perde o interesse. 

A pornografia funciona de modo parecido no cérebro dos homens, tendo em vista que afeta a região que os faz diferenciar a realidade do que não é. Para os homens, é como se cada vídeo oferecesse uma opção diferente de parceira, então eles se acostumam com esse padrão de “rodízio”.

Ele explica, ainda, que a dopamina, substância liberada quando o ser humano sente prazer e bem-estar, faz com que as pessoas corram atrás de seus objetivos e aumente sua concentração, a fim de que seja possível alcançar o que quer que deixe as pessoas tão felizes. 

Por conseguinte, é por isso que quando as pessoas começam a ver um filme novo de pornografia, seus cérebros acabam não entendendo que aquilo não é a realidade, e a dopamina é liberada em grandes quantidades. “Essa primeira exposição a uma nova mulher que é uma potencial parceira não era uma coisa que acontecia muito com nossos ancestrais, talvez uma vez em suas vidas; então o cérebro pensa que isso é uma coisa grande. Ele não sabe que o jogo agora mudou completamente: ele não entende que essas mulheres são virtuais apenas; então com cada uma ele causa uma nova inundação de dopamina, toda vez, clique após clique”, explica.

Para o pesquisador, esse é o principal motivo da pornografia poder se tornar uma atividade viciante. O excesso desse tipo de conteúdo hiperestimula as pessoas, e os receptores de dopamina acabam sendo destruídos – por isso, a pessoa sente que só viverá aquela experiência intensa de prazer e bem-estar se consumir mais e mais pornografia.

No Instagram oficial, a OnlyFans diz que a proposta do site não é só ser base de material pornográfico pois “se você é um designer gráfico, um produtor musical ou um chef que tem fãs que se inscreveriam para ver conteúdo”, você pode se inscrever. De fato, há artistas, influenciadoras de maquiagem e de moda, além de personalidades fitness vendendo seus trabalhos por lá. 

Outro motivo desse assunto ter sido tão recorrente nas mídias sociais nos últimos dias, é que o aplicativo vem crescendo cada vez mais, isso porque além de ser possível utilizá-lo como uma fonte de renda fixa, o número de famosos que entraram no aplicativo vem aumentando  e, automaticamente, influenciando seus seguidores a fazerem parte disso também.

No Brasil, Raissa Barbosa, a peoa de “A fazenda 12” acumula 29 mil curtidas na plataforma e cobra US$ 19 (R$ 109) pela assinatura mensal. Antes de entrar no reality show, ela produziu conteúdo para o perfil, que continuou sendo atualizado com imagens nuas. “Foram 15 dias fazendo fotos e vídeos sem parar”, conta Gabriel Leão, que cuida das redes sociais da atriz, segundo o site Pocket Lint. 

Fora do Brasil, grandes nomes vêm repercutindo no aplicativo também, como Tyga, segundo o rapper: “Os fãs vão poder ver minha intimidade. Vai ser louco!”. Tal comentário chegou a ficar entre os assuntos mais comentados do Twitter depois de publicar um vídeo de sexo explícito no OnlyFans. O artista cobra US$ 20 (pouco mais de R$ 115) por mês dos curiosos que desejam dar uma espiadinha em sua vida de ostentação. Bella Thorne também foi uma das celebridades de peso que contribuíram para o aumento do consumo do site, sua entrada foi tão impactante que derrubou o servidor do site. Com 214 mil curtidas, a ex-atriz da Disney cobra US$ 20 (cerca de R$ 115) pela assinatura mensal e faturou US$ 2 milhões nas primeiras duas semanas na plataforma. Detalhe: ela ainda não postou nenhuma foto completamente nua.

Para saber mais sobre os malefícios da pornografia na Era do Capitalismo digital indico esse outro texto também presente no site do Jornal Prédio 3 escrito pela redatora Helena Maria Mariano P.N.: As problemáticas da pornografia na era do Capitalismo Informacional.

REFERÊNCIAS:

TILLMAN, Maggie. O que é OnlyFans, quem o usa e como funciona?. 29 de Agosto de 2020. Acesso em: 23 de Novembro de 2020. Disponível em: https://www.pocket-lint.com/pt-br/aplicativos/noticias/153545-o-que-sao-apenas-fas-que-o-usam-e-como-funciona

SANTIAGO, Luana. Bella Thorne, Cardi B e outros famosos fazem fortuna vendendo conteúdos picantes no OnlyFans. 31 de Outubro de 2020. Acesso em: 23 de Novembro de 2020. Disponível em: https://extra.globo.com/tv-e-lazer/bella-thorne-cardi-e-outros-famosos-fazem-fortuna-vendendo-conteudos-picantes-no-onlyfans-24722479.html

MELO, Diego. O que é o OnlyFans?. 2020. Acesso em: 23 de Novembro de 2020. Disponível em: https://tecnoblog.net/356633/o-que-e-o-onlyfans/

MEGACURIOSO, Equipe. CIENTISTA DE HARVARD EXPLICA OS MALEFÍCIOS DA PORNOGRAFIA. 2017. Acesso em: 23 de novembro de 2020. Disponível em: https://www.megacurioso.com.br/ciencia/104558-cientista-de-harvard-explica-os-maleficios-da-pornografia.htm

Publicado por Larissa de Matos Vinhado


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