Nascido em Villers-Cotterêts (atualmente região de Aisne) no dia 24 de julho de 1802, neto de um marquês e uma escrava negra, filho de um general famoso em sua época, a árvore genealógica de Alexandre Dumas Davy de la Pailleterie, e a superação de suas origens, do racismo pela cor de sua pele pela escrita, já era uma grande aventura histórica que renderia um bom livro.

Começou escrevendo dramas e comédias para o teatro, além de crônicas para o jornal. Porém sua juventude começou a ficar mais interessante quando se mudou para Paris como expedicionário do escritório nos escritórios do Duc de Orleans, em 1823. A partir dai, na capital, pôde presenciar de perto as mudanças na história de seu país, participando ativamente dos levantes de 1830.  Nesse tempo, escreveu suas memórias e publicou pequenos romances. A carreira parecia boa, e nada faltava para Dumas e sua família, nem inspiração. Entretanto o ápice ainda estava por vir.

Seu grande marco foi a obra “O Conde de Monte Cristo”, considerado seu primeiro e grande sucesso, e a ideia brotou em uma viagem pela ilha existente na Toscana, que o inspirou para um cenário de um romance. Publicado inicialmente no formato de folhetim entre os anos de 1844 e 1845, o enredo traz uma crítica sagaz aos aristocratas burgueses franceses, a relação de vingança e o destino, o planejado e o inesperado, a conquista da liberdade por um prisioneiro, e um voto de Fé. Os personagens são estrategicamente ambientados em uma trama que não apenas os envolve, mas os relaciona com os acontecimentos da França Napoleônica e a França de Luís XVIII, apresentando os conflitos gerados por essa fase de transição entres um e outro, além da mudança da sociedade francesa nesse meio tempo, e os julgamentos feitos pela mesma, de forma que características e posses se tornam a vantagem ou a desvantagem dos personagens. É uma combinação peculiar de realidade e ficção, além da critica social sutil.

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Apesar de “O Conde de Monte Cristo” ter sido a obra prima, o nome de Alexandre Dumas foi imortalizado por outro romance: Os três Mosqueteiros. Igualmente publicado inicialmente como folhetim na mesma época que “O Conde de Monte Cristo”, Dumas se inspirou ao achar as memórias do capitão dos mosqueteiros  Charles de Batz-Castelmore, reconhecido em seu tempo por suas proezas e talento na esgrima, servido o rei Luís XIV. Surgia a figura de D’Artagnan. E seus outros três grandes amigos, Athos, Porthos e Aramis também foram inspirados em personagens reais.

Em 1840, casou-se com a atriz Ida Ferrier, mas manteve casos extraconjugais, tendo tido pelo menos 3 filhos assumidos fora do casamento. Um deles, Alexandre Dumas FILHO, seguiria a carreira do pai, dando continuidade ao trabalho de “Os três Mosqueteiros”, com os volumes de “Le Vicomte de Bragelonne”.

Após sentir necessidade de um refugio da fama literária,  comprou um terreno no interior da capital francesa e passou a viver em um castelo dos sonhos que construiu em Port-Maly, ao estilo renascentista, próximo do rio Sena, que foi completado por um mini castelo em estilo neo-gótico em miniatura, representando o chateau d’If. O local ficou conhecido como Chateau de Monte Cristo. O espaço foi usado para um estilo de vida com muitas despesas desnecessárias em festas e convidados, o que acarretaram dividas que o autor não conseguiu pagar. Em 3 anos, Dumas precisou vender a propriedade, e se mudar para a Bélgica. Atualmente, o castelo se tornou um museu e memorial em homenagem ao autor.

Morreu em 5 de dezembro de 1870 e foi enterrado no cemitério de Villers-Cotterêts, na mesma cidade em que nasceu. Posteriormente, em 2002, o corpo foi exumado em transportado para o Pantheon em Paris, onde é mantida uma cripta para figuras importantes da França tem seu espaço de reconhecimento póstumo (seu túmulo divide espaço com Victor Hugo e Voltaire).

Em discurso, o presidente  Jacques Chirac, responsável pela cerimônia ao autor em 2002, disse que “Contigo, nós fomos D’Artagnan, Monte Cristo ou Balsamo, cavalgando pelas estradas da França, percorrendo campos de batalha, visitando palácios e castelos – contigo nos sonhamos.”. É reconhecido que Alexandre Dumas é um dos autores franceses mais lidos no mundo, sendo traduzido para mais de 100 idiomas e tendo suas histórias adaptadas para mais de 200 filmes.

OS 4 HOMENS VERDADEIROS

Façamos um parênteses especial para “Os três Mosqueteiros”:

Os 4 amigos, Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan, são os soldados do rei mais habilidosos, e também mais amados e conhecidos da literatura francesa. O sucesso da obra de Alexandre Dumas perdura até os dias de hoje, e mesmo quem nunca leu, já ouviu falar da história deles.

Porém, sabiam que eles não foram apenas fruto da imaginação de Dumas? Eles realmente existiram, assim como outros personagens históricos da trama: Richelieu, Luís XIII e Rainha Anne da Áustria.

Armand de Sillègue d’Athos d’Autevielle (ATHOS) – Ao contrário do que Dumas retrata, Athos não foi o mosqueteiro mais velho dos quatro, e sim o mais novo do grupo (até mais novo que D’Artagnan). Morreu jovem, aos seus 28 anos, sem muitas conquistas ou grande destaque no regimento da guarda real dos mosqueteiros, tendo falecido durante um duelo, resolvendo alguma desavença, porém, por não ser um bom espadachim como diz o romance, pelo jeito, acabou perdendo.

Na literatura, Athos ganhou destaque, como o líder dos demais, guiando-os de forma estratégica em suas missões e combates, de forma centrada e inteligente, além de ser um esgrimista exímio. Recebe o título de Conde La Fére, e morre já idoso, aos 60 anos.

Isaac de Portau (PORTHOS) – O durão e cômico mosqueteiro foi verdadeiramente inspirado em um soldado, prestando seu serviço na guarda junto do verdadeiro D’Artagnan (que já já falaremos), porém, Athos já havia morrido nessa época. Sua figura foi relevante por conta do nome que sua família já carregava, sendo de origem nobre. Se Porthos era bom na arte da esgrima, não se tem informações.

Já nos livros, Porthos é aquele cara que sabe se divertir, mas sem perder sua capacidade de derrubar o inimigo por sua força e praticidade em combate, e que não necessariamente precise de sua espada para isso, as vezes, os punhos bastam.

Henri d’Aramitz (ARAMIS) – De santo o verdadeiro Aramis não tem nada. Ele foi um famoso mosqueteiro do rei, além de abade laico de origem protestante, nascido na Gasconha, e como se não bastasse, era como um afilhado do Monsieur de Tréville (comandante dos mosqueteiros na época), e sendo assim foi fácil adquirir seu posto como soldado. Lutou junto com Porthos, mas não com D’Artagnan (que era recém chegado em Paris). Se casou e teve dois filhos e duas filhas.

Dumas colocou Aramis em seu livro como um padre, extremamente eclesiástico apesar da função de soldado, e um bom esgrimista, tanto quanto Athos,  e com um ar intelectual, elegante e cavalheiresco.

Charles de Batz-Castelmore (D’ARTAGNAN) – O cara mais importante do quarteto, teve seu inicio de história muito semelhante com aquela contada por Dumas. Decidido a se tornar um mosqueteiro aos 19 anos de idade, sai de sua cidade natal Castelmore (na Gasconha) rumo a Paris, largando o nome de seu pai, emprestando o nome de sua mãe, Montesquiou d’Artagnan, para ser melhor reconhecido na corte. Ao tomar tal decisão ousada, largou tudo para trás e foi perseguir seu sonho.

A troca de nomes deu certo e logo ele entrou para os mosqueteiros, e de fato foi reconhecido como um excelente esgrimista e por realizar grandes proezas, chegando até mesmo a conhecer Luís XIV e ser um homem de sua confiança para missões importantes. Se casou e teve duas filhas, depois se divorciou após 6 anos do matrimônio. Acabou morrendo em batalha em um conflito entre a França e Holanda, em 1673.

Em 1700, o escritor Gatien de Courtilz de Sandras escrevera um livro relatando as conquistas e feitos de D’Artagnan.

Igualmente, o D’Artagnan dos livros começa como um jovem decidido a vestir o uniforme dos mosqueteiros, e se torna muito conhecido por sua habilidade e proezas, acabando por ser o personagem principal da obra, se sobressaindo aos outros três, que são de fato os 3 mosqueteiros.

MOSQUETEIROS E MONSIEUR DE TRÉVILLE – Os mosqueteiros foram a guarda de elite do rei, altamente treinados, responsáveis pela segurança dos membros da família real e cumprir missões que assegurassem que o trono continuasse ocupado pelo rei. Posteriormente, no ano de 1646, a tropa foi dissolvida, sendo substituída por uma guarda real, que, na prática, possuía as mesmas funções que a anterior, porém, com menos prestigio.

Monsieur de Tréville realmente foi comandante da guarda dos mosqueteiros por um certo período, durante o reinado do rei Luís XIII.

DEPOIS DOS TRÊS MOSQUETEIROS – A SAGA DE DUMAS

O enredo do livro “Os três Mosqueteiros”, de Alexandre Dumas, já é bem conhecido, manjado se podemos dizer, mas, por via das dúvidas, vamos recordá-lo.

A obra que, inicialmente deveria se chamar “Os inseparáveis”, foi escrita em 1844, e conta a história de D’Artagnan, o jovem que busca se tornar mosqueteiro, e logo em sua chegada a Paris, conhece Athos, Porthos e Aramis de forma bem desagradável, porém, após combaterem os soldados do cardeal Richelieu, se tornam bons amigos, e o jovem D’Artagnan logo descobre que recebeu a consideração do 3 homens mais importantes do rei.

Logo ele descobre que a grande desavença é com o próprio cardeal Richelieu, um homem manipulador que se aproveita da incapacidade do rei para controlar o trono, e seu desejo é de prejudicar a rainha Anne da Áustria. E o faz roubando seus ferretes (uma espécie de joia) para acusa-la de traição com o Duque de Buckingham. Para salvar sua imagem, a jovem rainha envia os 4 mosqueteiros para recuperar seus ferretes a tempo, antes que seu marido acredite na trama do cardeal. Para impedi-los, Richelieu envia Milady, uma sedutora, porém perigosa mulher, que já era uma antiga conhecida de Athos.

Enfim, o final, deixamos para os leitores. Mas o básico, é conhecido por todos!

Só que muitos acreditam que a história acaba ai, só que não!

A obra se fez tão marcante, que precisou de continuação! E que resultou em uma trilogia de 12 volumes!!!

Alexandre Dumas continuou sua trama, com as obras “Vinte anos depois” (1845) e “O Visconde de Bragelonne” (1847), explorando o futuro dos 4 heróis e o que se deu depois com cada um. O caráter dos mosqueteiros e mais aprofundado, deixando mais evidente a liderança de Athos, a incapacidade de Porthos, a ambição de Aramis e a fidelidade de D’Artagnan. Porém aqui, começa alguns problemas na amizade deles, por motivos políticos.

E esses problemas só se estendem, e continuam a se complicar no “Visconde de Bragelonne”, onde D’Artagnan defende o rei, apesar de que o monarca não é digno de respeito com ações nada louváveis. Os amigos acabam por se separar definidamente.

CONTEXTO HISTÓRICO 

“Os três mosqueteiros” se trata de um romance histórico, que pega personagens e passagens reais da época de Luís XIII e Luís XIV, tais como:

Os próprios reis Luís XIII e Luís XIV

Rainha Anne da Áustria

Cardeal de Richelieu

Duque de Buckingham, George Villiers

Conde de Tréville

John Felton, assassino de Buckingham

E para exemplificar, os 4 amigos batalham no cerco de La Rochelle, uma importante batalha comandada por Richelieu, nos anos de 1627 e 1628. É uma passagem marcante, porém não é a única inspirada em fatos reais.

UM POR TODOS, TODOS POR UM – O LEGADO CONTINUA

As aventuras dos 4 inseparáveis amigos e mosqueteiros já foi adaptada em diversos formatos, como para teatro, cinema, séries televisivas, animações, além de produções inspiradas nas vidas dos personagens.

Uma das mais conhecidas (e a favorita da autora Mariana Pacheco) é a produção cinematográfica “O Homem da Máscara de Ferro”, produzida em 1998. A história do filme se inspirou na obra “O Visconde de Bragelonne”, onde se fala de tal possibilidade de um homem com uma mascara de ferro na Bastilha (que aliás, de fato existiu, descoberto seus vestígios posteriormente a tomada da prisão durante a revolução Francesa).

 Após essas explicações, vemos o quão minucioso foi o trabalho de Alexandre Dumas na escrita dessa obra, que ainda hoje fascina muitos leitores. Mas que agora, ao lerem “Os três mosqueteiros”, que seja visto como esse autor francês, que merece seu reconhecimento na literatura, foi além na pesquisa histórica e na fusão perfeita com a ficção em seu romance.

ALEXANDRE DUMAS E A HISTÓRIA POR TRÁS DA HISTÓRIA

Ufa! Terminamos com “Os três Mosqueteiros”, mas Alexandre Dumas nunca deixou de terminar seu caso com a história real de seu país e fundi-lo com a literatura. Podemos citar como exemplos algumas de suas outras obras como a série de quatro romances históricos denominada “Memórias de um médico”, que abordam em seus volumes (“Joseph Balsamo” (1846), “O Colar da Rainha” (1850), “Ange Pitou” (1850) e “A Condessa de Charny” (1853) ) acontecimentos antes, durante e depois da Revolução Francesa de 1789.

As obras de Alexandre Dumas tem essa característica em unir perfeitamente o real com o ficcional, de forma que o leitor se pergunte onde começa a verdadeira história e onde termina a criação do autor. Seus livros são sempre um incentivo à pesquisa que nos impressiona em descobrir os cenários existentes no mapa e os contextos de batalhas que realmente aconteceram.

Ele se tornou especialista em escrever Romances históricos sobre seu país e recebeu seu devido reconhecimento póstumo. Seu caixão foi removido de seu local no cemitério na cidade natal para ser recolocado no Panteão em Paris, uma espécie de mausoléu para as grandes figuras de importância nacional. Além de se poder visitar seu novo local de repouso na cripta, na capital existe uma estatua em sua homenagem em que, além da imagem do escritor, podemos ver D’Artagnan.

Por suas obras aprendemos a verdadeira amizade com D’Artagnan, a ter Fé com Edmond Dantès, que se pode viajar pela história nas páginas dos livros, porém mais que isso, que podemos mudar a nossa história e de onde vivemos pelo ato da escrita. Merci Alexandre Dumas!!!

Escrito por Mariana Seminati Pacheco, membro da ALEMack que possui como patrono o escritor Alexandre Dumas

Postado por Rafael Almeida

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