Revirando meus arquivos dei de cara (êpa!) com uma velha fotografia dos anos 1950, quando a cidade ameaçava crescer. Digo ameaçava porque, inebriada como o Brasil inteiro pelo Projeto JK de Brasília, queria se transformar de cidade simples, organizada e habitável num arremedo de metrópole, cheia de “prédios”, como algumas de suas congêneres no estado de São Paulo já haviam alcançado esse “status”. Na minha memória de menino curioso ficou a impressão algo parecida como uma reação manada em cadeia, isto é, quase todas as cidades que “se prezavam” tinham obrigação de se transformar prontamente em modernas e dinâmicas mini-metrópoles. E, assim, belas e tradicionais edificações vieram abaixo para dar lugar a prédios de apartamentos residenciais e escritórios comerciais e de serviços. Ruas de terra, cascalho ou paralelepípedo (ôpa!) foram capeadas de asfalto, então uma modernidade estúpida, porque demandava manutenção e reposição periódicas. Além de vedar o chamado “leito carroçável” (de carroça mesmo!), o asfalto impermeabilizava-o perigosamente a ponto de dificultar – ou até impossibilitar – a percolação de águas pluviais, e provocava, na época das fortes chuvas de verão, verdadeiras correntezas – as famosas “enxurradas” -, que arrastavam resíduos, lixo, brinquedos de crianças e até bicicletas estacionadas distraidamente no pedal meio-fio das calçadas.

O primeiro prédio construído no entorno da praça Rui Barbosa foi o Edifício Paiva, na confluência da rua Prudente de Moraes, que terminava rapidamente na passarela de madeira que transpunha a linha ferroviária da NOB. Nas outras pontas da estrela se avistavam as ruas Osvaldo Cruz, Floriano Peixoto, Luiz Pereira Barreto, Carlos Gomes e Marechal Deodoro, essa já acolhendo um comércio em desenvolvimento. Mas o centro da cidade mesmo era para o lado da Osvaldo Cruz, na direção da General Glicério, Prefeitura Municipal, Cadeia Pública, XV de Novembro e estações ferroviária e rodoviária. Bancos, associações, serviços, cine-teatro Bandeirantes, Rádio Cultura, “footing”, hotéis, bilhar, bares, restaurantes e “zona do meretrício”. Tudo se concentrava por ali…

E lá se foram 111 anos de fundação completados dia 2 de dezembro pela moderna cidade, hoje toda asfaltada e repleta de prédios “arranha-céu”. A saudosa dos anos 1950 não existe mais!


A coluna “Cronículas” nos prestigia com diversas crônicas e textos do professor emérito da Faculdade de Direito do Mackenzie Jeremias Alves Pereira Filho, que lecionou por 40 anos no Mackenzie e foi presidente do Centro Acadêmico

Postado por Rafael Almeida

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