Por Matheus Melo Rodrigues da Silva – 2ºsemestre

Na Semana do Advogado, promovida pelo nosso C.A., tive a oportunidade de comparecer a uma palestra que tratava sobre a importância da OAB para o advogado. Lá, tive a oportunidade de conhecer, entre outros, Benedito Villela – gerente jurídico e alguém que se destaca pelo apreço pelo que faz e carisma. Ele concedeu uma entrevista ao JP3 e quero compartilhar essa experiência enriquecedora com vocês, aproveitem!

Primeiramente, gostaríamos de criar a ponte entre você e o leitor. Qual seu nome?Diga-nos 3 qualidades suas.

Me chamo Benedito Villela, mas meus amigos e boa parte da comunidade jurídica me conhece apenas por Bene. Sempre acho complicado falar das próprias qualidades, mas vou citar o que algumas pessoas fizeram em uma dinâmica da qual participei: sou leal, gosto de ensinar e compartilhar conhecimento e gosto de ajudar os outros a crescerem e atingirem seu potencial.

Onde você se formou, onde trabalha e com o quê trabalha?

Me formei na PUC-SP, trabalho atualmente em uma multinacional portuguesa chamada Nors como Head Legal, e sou professor do Ibmec e da ESA, além de palestrante e articulista de alguns veículos de mídia, e sonho em um dia ser também professor do Mack.

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O que um gerente jurídico faz?

Um gerente jurídico, além de ser um advogado, no sentido tradicional ensinado pelas faculdades, é também um gestor e um executivo, o que implica em ser uma das vozes de liderança da instituição onde trabalha e tomar decisões bem práticas que conjugam o direito à outras questões, como estratégia, impactos financeiros, reputação institucional e atenção com a equipe e com os colaboradores.

Apenas ser formado em Direito qualifica alguém para ser um gerente jurídico?

Excelente pergunta. Infelizmente, não. Um gerente jurídico precisa expandir seu conhecimento para além dos necessários conhecimentos jurídicos, geralmente agregando além de algumas pós-graduações em Direito, outras que sejam fora de sua área de competência, em especial questões contábeis, finanças, negociações, gestão de pessoas, liderança e marketing. Não é a toa que muitos líderes jurídicos hoje em dia buscam um MBA, por exemplo.

Poderia contar um sonho?

Além de um dia ser professor do Mackenzie, sonho em ajudar a mudar a formação jurídica e a cultura jurídica no Brasil, valorizando competências agregadas ao Direito e transformando o advogado em um Deal Maker, ao invés de um Deal Breaker, já nos bancos acadêmicos, e quem sabe introduzir matérias de conhecimento jurídico básico no ensino profissionalizante e no ensino médio? Um povo que pensa é um povo que produz, evolui e dificulta sua manipulação por quem quer que seja: o único caminho para o Brasil é o caminho da educação e a educação jurídica tem um papel fundamental nisso.

O que é o Jurídico Sem Gravata, grupo do qual você faz parte?

O JSG é um grupo iniciado por Executivos e Executivas de Departamentos Jurídicos (in-house Legal) que hoje também conta com o apoio de advogados e advogadas de escritórios, e que possui uma visão empresarial moderna, informal, econômica e estratégica na sua forma de atuar, dentro e fora do mundo corporativo. Buscamos disseminar uma abordagem dinâmica, pragmática e orientada para o negócio. Promovemos o conhecimento, a criação de redes e de um ciclo positivo que beneficie os profissionais de Direito, as empresas, os negócios e a sociedade como um todo! Em geral, os advogados são treinados a pensar em litígios e são avessos ao risco. Queremos pensar, debater e difundir como os advogados modernos podem e devem ajudar os negócios a serem feitos, sem perder o foco no Compliance e na Ética, buscando inclusão e diversidade e, por fim, respeitando as leis e o planeta.

Chegou a trabalhar como o “típico” advogado (audiências e papelada) em algum
momento de sua vida?

Claro que sim, inclusive considero essa experiência fundamental para a formação de um bom advogado. Sou do tempo das “fichas”, pequenos resumos de processos individuais em cartolinas, que o estagiário ou advogado levava ao fórum, e após parar no andar mais alto do tribunal, descia andar à andar parando nas varas para fazer os acompanhamentos. Com o PJE, essa prática perdeu o sentido, mas também tirou do advogado o senso de compreensão de como funciona de fato uma vara e um cartório, e a importância dos servidores públicos que lá trabalha, e como eles são fundamentais para o bom andamento dos processos, de forma que recomendo enfaticamente que os estudantes de direito visitem e tentem entender o funcionamento dos cartórios e das varas.

Sabemos que é especialista quando o assunto é o universo de filmes e séries. Qual
seu filme e série favoritos?

Essa pergunta é a pior pergunta da entrevista, e aquela pergunta que dá medo…..rs. Sou um grande fã da franquia Star Wars e do Universo Cinematográfico/Televisivo da Marvel, e tenho um fraco por Senhor dos Anéis, Matrix e todas as obras de Neil Gailman. Mas aos estudantes de Direito vou recomendar uma obra espetacular para se informar e entender a importância do compliance (que ainda está em voga): Chernobyl, mini-série da HBO.

Qual é a parte favorita da sua semana (algum dia específico, algum hábito que
energiza você)?

O hábito que me energiza é correr. Praticar corridas de rua. Então todo dia em que posso correr e sentir a carga de endorfina para começar o dia é um dia preferido. E claro, a pizza de sexta, com um vinho tinto e um bom filme é fundamental também.

Sobre qual tema será o primeiro texto que você vai escrever para o JP3?

Agora sou eu que quero ouvir dos leitores do JP3: o que VOCÊS querem ler? Gosto de escrever sobre tudo, mas ficam algumas opções (caso o JP3 queira fazer uma enquete): contratos, gestão jurídica, mídia social para advogados, filmes e séries bacanas para o mundo dos advogados…

E o conselho para jovens estudantes de Direito e outro para os que estão entrando no mercado agora?

Jovens estudantes, vocês estão entrando no mercado jurídico historicamente mais competitivo que já existiu. Então, como forma de se destacarem, não tenham medo de serem diferentes e explorarem ramos e habilidades que em um primeiro momento pareçam menos jurídicas: às vezes aquilo que te diferencia dos demais será sua fortaleza no futuro. Nunca se esqueçam disso.



Muito obrigado pela entrevista, Bene! Conte com o JP3!

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Jornal Prédio 3 – JP3 é o periódico on-line dos alunos e antigos alunos da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, organizado pelo Centro Acadêmico João Mendes Júnior e a Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito do Mackenzie (Alumni Direito Mackenzie). Participe e escreva!