Por Larissa de Matos Vinhado

Certamente, ao falar que você faz ou que pretende fazer Direito, as pessoas lhe dirão: “nossa que legal, vai ser meu futuro advogado, rs”. O conhecimento da advocacia é realmente valorizado perante a sociedade e, aparentemente, único.

Contudo, há uma enorme diversidade de carreiras dentro do mundo jurídico e, com certeza, seu futuro não dependerá, exclusivamente, da advocacia. Sendo assim, esse texto é para você que ainda tem dúvida do que irá fazer ou tem medo do que pode acontecer com o futuro do Direito diante de um mundo dominado pela tecnologia.

Fato é que o curso de Direito, atualmente, é um dos cursos com mais concorrentes no vestibular. De acordo com a pesquisa realizada pelo Guia do Estudante, portal de notícias do grupo Abril, as graduações em Direito e Medicina são as que possuem as maiores concorrências em todo o território nacional. Entretanto, nem sempre os futuros acadêmicos da área têm conhecimento sobre as profissões que poderão ser seguidas. 

Dentre as inúmeras carreiras, há a docência em Direito, a área de pesquisador, conciliador, mediador, diplomata, juiz, promotor de Justiça, procurador da República, procurador de contas, procurador do Estado, procurador do município, defensor público, delegado de polícia, procurador do Banco Central, procurador Federal, advogado da União, tabelião de notas, árbitro, empreendedor e, por fim, o mais conhecido por todos: o advogado autônomo, profissão mais comum para os graduados em Direito. O advogado, resumidamente, atua na defesa dos interesses de seus clientes, ou seja, poderá ser consultor jurídico e dar assistência jurídica.

No entanto, um dos maiores medos dos graduandos e graduados em Direito dessa geração é o futuro dessa profissão tão reconhecida e aclamada por todos atuantes da área. De acordo com um estudo conduzido pela Institute For the Future e realizado pela Dell Technologies, 85% das profissões atuais não existirão até 2035. E a advocacia é uma das áreas que mais será afetada pela IA. 

No primeiro semestre da faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, eu tive contato com a disciplina de Ciência, Tecnologia e Sociedade no Direito. Essa matéria foi criada e aplicada em grandes universidades de Direito no mundo, como Harvard e Yale. A Universidade Presbiteriana Mackenzie foi a primeira Universidade do Brasil a colocá-la dentro da grade curricular dos acadêmicos de Direito tendo em vista que nossa sociedade vive em constantes e imensuráveis avanços nos campos sociais, econômicos, políticos e tecnológicos. Avanços esses que apenas foram possíveis com o aparecimento de tecnologias, advindas de incontáveis pesquisas científicas. Durante o curso e a aplicação da matéria, foi possível concluir que a tecnologia e o Direito no mercado atual andam em conjunto, diariamente. 

Fato é que, constantemente, mudanças tecnológicas surgem dentro e fora do âmbito do Direito, como o surgimento da Inteligência Artificial, uma tecnologia que está transformando  o Direito e causando discussões no mercado jurídico.

Diversos escritórios de advocacia e tribunais têm usado a inteligência artificial para automatizar antigos procedimentos e tornar a prestação jurídica mais eficaz. Muitas funções estão mudando com o uso cada vez mais presente da inteligência artificial no contexto jurídico, dentre elas: a otimização de tempo, menos burocracia, mais praticidade e uma das mais comentadas e temidas – a dispensabilidade de certas atividades do advogado; porém, é utopia afirmar que robôs poderão substituir o advogado de maneira 100% eficaz, visto que nós, enquanto seres humanos, possuímos habilidades únicas, como a capacidade de interação e de alteridade, a habilidade de argumentação, a análise de um caso concreto complexo, a exposição de diferentes cenários e caminhos a se seguir. 

É necessário, muitas vezes, que um advogado se posicione diante de certa subjetividade e insira seu juízo de valor a fim de que consiga realizar uma defesa e oratória convincente para seus ouvintes.  Portanto, para um robô substituir, totalmente, um advogado seria necessário que ele tivesse esse senso crítico aguçado, além de ter a imprescindível capacidade de persuasão que apenas um advogado possui. Embora já exista robôs que atuam em áreas jurídicas como o robô Ross – um robô advogado criado com o intuito de auxiliar nos sistemas de busca e análise de dados que usam a inteligência artificial para facilitar a pesquisa jurídica – cuja criação foi um grande avanço no mundo tecnológico e jurídico, é fato que além desse cargo designado a Ross, muito difícil formatar um robô capaz de trabalhar em outras áreas que advogados atuam. Impossível? Talvez não. Contudo, levarão muitos anos de pesquisa para conseguir efetivar esse projeto.  

Entretanto, não se deve demonizar a tecnologia, ela muitas vezes será uma aliada. É necessário entender que na advocacia 4.0, os advogados que desenvolvem habilidades de gestão, de liderança, os soft skills e buscam o sucesso de seus clientes serão sempre valorizados no mercado. Logo, é muito importante que os advogados que queiram estar inseridos no novo contexto de tecnologia, estejam sempre buscando a inovação na forma de executar os serviços jurídicos. É essencial ampliar os horizontes em relação às capacidades necessárias para se tornar um advogado de sucesso nesse novo contexto. Afinal, eu acredito que a tecnologia deve ser aliada da advocacia. É importante, inclusive utilizar da tecnologia para implementar soluções tecnológicas na sua rotina como advogado e utilizar melhor o seu tempo para melhorar seus soft skills, por exemplo. A tecnologia sempre estará a favor dos advogados dispostos a inovar e a aprender. 

REFERÊNCIAS:

[1] CAMPOS, Charles. ALVES DA SILVA, Rubens. A Inteligência Artificial e Seu Impacto na Advocacia. 2019. Acesso em: 07 de dezembro de 2020. Disponível em: https://ambitojuridico.com.br/cadernos/outros/a-interligencia-artificial-e-seu-impacto-na-advocacia/

[2] BORRELLI, Isabela. Como a inteligência artificial está revolucionando o Direito. 2018. Acesso em: 07 de dezembro de 2020. Disponível em: https://www.startse.com/noticia/startups/lawtech/inteligencia-artificial-direito-lawtech

[3] DIREITOS DE IMAGEM DA FOTO DA CAPA RRESERVADOS AO JUSBRASIL. Qual impacto da Inteligência Artificial no Direito? Acesso em: 07 de dezembro de 2020. Disponível em: https://kevinhenrique.jusbrasil.com.br/artigos/661760247/qual-impacto-da-inteligencia-artificial-no-direito

Publicado por Larissa de Matos Vinhado


Siga o JP3!

Instagram: @jornalpredio3

Facebook: fb.com/jornalpredio3


Mais notícias e informações: 


Jornal Prédio 3 – JP3 é o periódico on-line dos alunos e antigos alunos da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, organizado pelo Centro Acadêmico João Mendes Júnior e a Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie (Alumni Direito Mackenzie). Participe, observe e absorva!