Por Helena Maria M. P. N.

Em qualquer lugar do mundo as pessoas se comunicam, seja por meio de palavras foneticamente definidas, grunhidos, expressões faciais, gestos e mais uma infinidade de possibilidades. Contudo, alguns grupos na sociedade são constantemente marginalizados, uma vez que a língua se estabelece de acordo com as relações sociais e os que não falam o idioma dos grupos dominantes são deixados de lado. Dessa maneira, tomando como elemento principal os surdos, esses são diariamente mal interpretados, ou até mesmo não compreendidos, uma vez que a sociedade os trata como incapazes, sendo que, na verdade, essa os exclui sistematicamente, ignorando a grande necessidade de políticas de inclusão. 

Nesse sentido, é importante trazer a conceituação do que seria classificado como língua. Assim, Saussure, inaugurador da Linguística Moderna, diz o seguinte:

 “A língua existe na coletividade sob a forma duma soma de sinais depositados em cada cérebro, mais ou menos como um dicionário cujos exemplares, todos idênticos, fossem repartidos entre os indivíduos. Trata-se, pois, de algo que está em cada um deles, embora seja comum a todos e independe da vontade dos depositários.” 

Logo, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) existe graças a uma convenção social que reconhece os sinais e as expressões faciais utilizados como legítimos para aqueles que se utilizam dessa forma de comunicação. Desse modo, configura-se como a língua oficial das pessoas surdas que precisam desse recurso no Brasil. Além disso, como qualquer outra língua, possui regras, estruturas, sintaxe, semântica, regionalismos e não é universal, portanto, cada país tem seu próprio conjunto de sinais e expressões faciais. Em números não há expressamente quantas pessoas utilizam-se dessa língua, porém, segundo pesquisas realizadas em 2010 pelo IBGE, há em torno de 10 milhões de surdos ou pessoas que têm dificuldades para ouvir. 

Historicamente, a LIBRAS começou a surgir já tem algum tempo, mais precisamente em meados de 1850, utilizando-se como base a Língua de Sinais Francesa. Apesar disso, com muita dificuldade e persistência, a luta para a oficialização ganhou maior visibilidade em 1993 e somente em 2002 a LIBRAS, através da lei nº 10.436, é reconhecida normativamente como língua no Brasil. Todavia, ela não é oficialmente a segunda língua nacional, já que não houve uma emenda na Constituição Federal de 1988. 

Mesmo com essas conquistas, a batalha ainda está longe de acabar. Ainda há muito o que fazer para que não apenas os não ouvintes utilizem desse conjunto de sinais, mas para que todos saibam, pelo menos, o básico para que de fato haja uma maior inclusão dessas pessoas na sociedade, uma vez que os números apresentados pelo IBGE representam apenas uma parcela dos surdos no Brasil.

Por todas essas razões, a Assistência João Mendes (AJ), órgão de orientação jurídica gratuita à população de baixa renda, dos alunos e antigos alunos da Faculdade de Direito do Mackenzie, proporcionará a oportunidade de você aprender a Língua Brasileira de Sinais, através de um curso de férias voltado especificamente aos estudantes de Direito.

Como evento inaugural do Curso de Libras, a AJ promoverá uma aula aberta, de modo totalmente gratuito, marcada para o dia 25 (vinte e cinco) de outubro (domingo) das 15:00 às 17:00.

A aula será ministrada pela Prof.ª Naclei Bianco, Tradutora e Intérprete de LIBRAS, atuante em diversas áreas, como educacional, judiciária, industrial e empresarial.

Após a aula inaugural, a AJ esclarecerá todas as dúvidas referente a valores, datas, além de fazer uma apresentação geral de como funcionará o curso de férias. Não deixe de acompanhar o instagram @ajjoaomendes.

Para participar desse evento inaugural basta clicar aqui e inserir as informações requeridas. 

A AJ João Mendes conta com a participação de todos, para que juntos seja possível levar maior acesso à justiça a todos os cantos e públicos!!

REFERÊNCIAS

SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de linguística geral. São Paulo: Editora Cultrix, 1970.

SILVA, Daniel Neves. “Língua Brasileira de Sinais (Libras)”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/educacao/lingua-brasileira-sinais-libras.htm. Acesso em 20 de outubro de 2020.

MOREIRA, Paula Pfeifer. 7 coisas que você não sabe sobre a LIBRAS (língua brasileira de sinais). Surdos Que Ouvem. 10 de agosto de 2020. Disponível em: https://cronicasdasurdez.com/coisas-sobre-libras/ . Acesso em 20 de outubro de 2020. 

Publicado por Helena Maria M. P. N.


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