“Nós temos mais de 7 milhões de famílias que não tem casa, a maioria delas tem que escolher todo fim do mês entre pagar aluguel e botar comida na mesa, essa é a realidade de muitos brasileiros” (Guilherme Boulos, Coordenador do Movimento dos Trabalhadores sem Teto).

A nossa primeira história será sobre Moradia, fomos até a Ocupação Mauá uma das mais antigas do Estado de SP, localizada no número 340 da Rua Mauá, na região da Luz, centro da capital Paulista. A Ocupação Mauá existe desde 25 de março de 2007 e conta hoje com os movimentos MMLJ (Movimento de Moradia na Luta por Justiça), ASTC (Associação Sem-Teto do Centro) e MMRC (Movimento de Moradia da Região Central). Cerca de 237 famílias moram nessa ocupação, por volta de 1000 pessoas.

Entrevistamos moradores da Mauá, coordenadores e voluntários que ajudam através de ações sociais a melhorar as condições de vida dessas pessoas.

“A dificuldade só vai acabar quando a gente tiver um Estado democrático popular, que seja um Estado do povo para o povo, um Estado dominado pelo povo e que sirva ao povo. Mas enquanto tivermos um Estado elitizado e governado por hierarquias de palácios e gabinetes, as coisas continuarão do mesmo jeito” (Nelson – Coordenador do Movimento de Moradia da Região Central e morador da Mauá).

“Como é morar em uma ocupação”

“Para mim que já vivi dois momentos da minha vida, morar em situação de rua e em uma ocupação, acho muito bacana, necessário, fundamental e além de tudo você se depara com pessoas como você, sempre na luta, unidas, em busca de um objetivo, que é a moradia para a família de baixa renda” (Ivonete, conhecida pelas companheiras de luta como “Net”, Coordenadora do Movimento de Moradia na Luta por Justiça e moradora da Mauá).

“Projetos sociais”

“Antigamente quando iniciamos nós caminhávamos somente com o nosso pessoal e era muito difícil, a partir de um ano e meio pra cá, a gente tem se deparado com vários voluntários, dando apoio direto, ajudando a gente a organizar, realizar alguns sonhos, fazer brincadeiras, fazer formação, curso de maquiagem, isso pra mim é muito importante e mostra mais uma vez que o caminho que estamos trilhando é o correto” completa Net.

“Jogo Oasis”

Estudantes de Arquitetura e Urbanismo da Escola da Cidade, moradores da Ocupação Mauá e voluntários colocaram a mão na massa para realizar os sonhos dos moradores para o pátio interno da ocupação. Esse projeto é uma criação do Instituto Elos e foi implementado pelas professoras de Arquitetura Thais Brandt e Dalia Katz.

“É uma ferramenta lúdica onde todo mundo tem um personagem e se coloca em movimento pra fazer e acontecer, então tivemos alguns processos durante esses últimos 5 meses com os alunos, onde a gente veio aqui na Mauá conversar com os moradores, entender quais eram os sonhos deles, fizemos o encontro dos sonhos aqui na comunidade, fizemos o encontro de projeto também, onde todo mundo definiu juntos o que nós iríamos fazer nesses 2 dias de mutirão”(Thais Brandt – Professora de Arquitetura e Urbanismo da Escola da Cidade.

“Então a gente transformou, sistematizou os sonhos pra transformar e realizar aqui hoje, está cada um responsável por uma coisa, temos os times, a gente se dividiu em alguns times de trabalho, tudo baseado no que eles sonharam, tem bancos, brinquedos, pinturas no piso, tem o brinquedão para as crianças, com balança e escorregador, tem a horta vertical, então eles sonharam e também se mobilizaram para ir atrás desse sonho junto com a gente” completou Thais.

“Música Internacional na Mauá”

“Me chamo Mathilde, sou francesa, moro no Brasil faz uns 6 anos, sou produtora e cantora, estou aqui hoje para fazer uma visita técnica, tenho um projeto musical chamado Trilha do Mar e nós vamos tocar aqui na Festa Junina. Eu acho incrível esses movimentos de luta por moradia e são pautas que sigo a muito tempo, me inspira muito essa luta social, estou muito feliz que nós vamos tocar aqui pra essas crianças e para os moradores” (Mathilde Rousseaux, cantora francesa).

“Guilherme Boulos”

“Não tem hoje nenhuma política pública, principalmente nesse governo que só sabe falar em corte e não em investimento, encerraram com o faixa 1 da Minha Casa Minha Vida e não tem uma política pública de construção de habitação no Brasil, deixa os trabalhadores a própria sorte. Ninguém ocupa um terreno abandonado ou um imóvel abandonado porque quer, as pessoas ocupam por falta de alternativa” (Guilherme Boulos – Coordenador do MTST)

“O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto é o movimento social que organiza essas famílias, que lutam por um direito básico garantido pela Constituição que é a Moradia, pra que possa pressionar o Estado, pressionar os governos, pra garantir política pública de habitação. Essa é a atuação do movimento tão necessária, num país tão desigual como o nosso” completa Boulos.

Essa foi a nossa primeira história, dando Voz e Vez as pessoas da Ocupação Mauá, quebrando preconceitos, rompendo tabus e gerando criticidade aos nossos leitores. Ressaltamos que todas as matérias veiculadas no jornal Prédio 3 estarão disponíveis em vídeo no Canal Voz e Vez no Youtube. Portanto, inscreva-se no canal e nos siga também no Instagram @vozevezoficial, aguardo vocês em nossa próxima história.

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