Humanidade

O dicionário Michaelis define “humanidade” como: 1 – Totalidade das características peculiares à natureza humana; 2 – Conjunto dos seres humanos; 3 – Sentimento de compaixão entre os seres humanos. Ou seja, humanidade é o conjunto dos elementos que determinam o espírito humano, nos dão nossos atributos subjetivos, nossa moral, nossas artes, ciências, filosofias e belezas. É o senso de pertencimento que, a despeito de toda falsidade que também temos, gosto de pensar ter lugar em todos nós, indivíduos. Também costumamos, e isso pode ser questionado, atribuir à humanidade – à qualidade humana – as mais altas virtudes: justiça, esperança, compaixão, benevolência e piedade.

Mas, longe de supor um determinismo da excelência humana, este redator, como um humano da arte, da ciência e da filosofia, acredita que a humanidade deve ser construída: essa essência humana não precede nossa existência, deve ser cuidada e estimulada em cada pessoa, ser, em cada povo do globo, visível para todos os outros povos ao ponto de ocupar o imaginário coletivo e determinar relações internacionais.

Também não quero cair na ingenuidade de simplificar as relações humanas em qualquer grau, ou projetar as causas de nossos conflitos no plano moral. O estudo teórico em profundidade e complexidade e a crítica material e sistemática à realidade são necessários para a transformação do mundo. Mas o inconformado com essa realidade, quando leva às últimas consequências sua revolta, é, antes de mais nada, humano, um revolucionário com nada além de humanidade em seu coração.

Luís Carlos Prestes, enquanto guiava a coluna pelos quatro cantos do país, escapando e vencendo do generalato brasileiro, via-se e sentia a miséria do povo, e disso nasceu a humanidade que continuou a motivar sua marcha através das condições mais adversas possíveis. A mesma humanidade que o fez retornar do exílio e, junto a outros tenentes que foram seus companheiros, lutar na Aliança Nacional Libertadora. E, depois, durante o cárcere e a tortura, foi essa humanidade que o manteve alto e digno, e envergonhou seus carcereiros.

Jamil Chade, tanto em artigo do domingo (17/04/2022), como em sua publicação mais recente, Luto: Reflexões Sobre a Reinvenção do Futuro, exerce suas reflexões sobre o sombrio momento pelo qual passamos. Fala também sobre a necessidade de uma revolução e, aproveitando a metáfora com a Páscoa, fala sobre a esperança como motor de nossa constante luta, e sobre suas expectativas para o futuro.

Em tempos em que as melhores conquistas da humanidade têm sido ameaçadas, os direitos humanos e sociais são atacados, o ideal democrático é substituído pelo nacionalismo, o multilateralismo é desacreditado e guerras por todo globo expõem a fragilidade e as contradições de nosso sistema, devemos nos blindar com a ideia de humanidade, e, mais do que nunca, deixarmo-nos guiar por ela.

Então, ao inferno a falsidade que levanta barreiras e destrói pontes, o receio ou qualquer outro individualismo que possa vir a ocupar nossos corações. Nesses tempos sombrios, havemos de deixar de lado o humanitas de Quincas Borba, e ter mais humanidade como Prestes. Levemos às últimas consequências nossa humanidade de maneira a transformá-la em ímpeto para as mudanças que se tornam tão necessárias.

Escrito e publicado por Guilherme Calazans Fialho


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