Por Leonardo Mariz

A Escola de Formação Pública (EFP) da Sociedade Brasileira de Direito Público (SBDP), criada em 1998, é composta por dois programas interligados: o Programa de Iniciação Científica, no qual 25 alunas e alunos discutem temas atuais do mundo jurídico; e, o Programa Continuado de Formação Docente, destinado a ex-alunas e ex-alunos, colaboradoras e colaboradores, com o intuito de permitir suas primeiras experiências como professoras e professores, tutoras e tutores, orientadoras e orientadores e membras e membros de bancas avaliadoras.

Essa instituição de ensino jurídico crítico e inovador, considerada por muitos como a melhor experiência da graduação, abre processo seletivo todos os anos para a formação da turma do ano seguinte. Dessa forma, foi lançado o edital na última quinta-feira, dia 22 de outubro, para a seleção das alunas e dos alunos que formarão a 24ª turma para o ano de 2021. Por isso, para maior divulgação desse projeto maravilhoso, como feito em ano anterior, o JP3 entrevistou três mackenzistas, duas alunas e um aluno que compõem a 23ª turma.

Portanto, logo abaixo você confere as entrevistas concedidas pelas alunas Lívia Teck Balbino e Maria Xisto e pelo aluno Rodrigo Gomes Paixão.

JP3: como você ficou sabendo do processo seletivo da Escola de Formação pública? Quais foram as suas impressões sobre ele?

Lívia Teck Balbino: conheci a Escola de Formação Pública através de amigos da graduação que, em conversas de corredor carregadas de entusiasmo, me apresentaram ao mundo da Sociedade Brasileira de Direito Público. O primeiro contato que tive com o programa ocorreu em meados de 2019, e, desde então, me senti intrigada e desejosa pelo sentimento que os EFpianos compartilhavam.

O processo seletivo é denso, constituído por 3 etapas, e extremamente condizente com a realidade do programa. A primeira fase consiste, praticamente, em uma apresentação pessoal na qual o candidato pode expor sua trajetória acadêmica e exprimir alguns aspectos da sua personalidade. Trata-se de um estágio intrinsecamente ligado à natureza plural da EFp, tendo em vista que a construção do diálogo rico e plural é possível através das subjetividades e diferentes visões de mundo de cada integrante do curso.

A segunda fase pretende uma demonstração mais sólida de conhecimentos jurídicos através da formulação de um ensaio. É uma etapa interessante na medida em que o aluno pode expressar seu estilo de escrita, a forma como organiza ideias, e como se posiciona perante certas temáticas.

Por fim, há a entrevista, que, a meu ver, permite ao candidato exprimir de quais formas pode contribuir para o enriquecimento do programa. Em suma, acredito que é um processo seletivo que busca avaliar potenciais sob diferentes prismas.

Maria Xisto: eu fiz estágio em um escritório que tem um grande vínculo com a SBDP, porque os dois sócios fizeram o curso e um deles, o Henrique Motta Pinto, foi coordenador. Quando eu entrei no escritório, todos falavam muito sobre como a EF tinha sido a melhor experiência da graduação, porque, além dos sócios, as advogadas também tinham feito parte. De tanto ouvir sobre,  já foi despertado o meu interesse. Eu fiquei um pouco mais de um ano nesse estágio, e no fim de 2019, na minha reunião de avaliação, os sócios recomendaram que eu participasse do processo seletivo e fosse no open day, me deram todo o apoio… confesso que eu fiquei um pouco insegura, porque entraria no quinto ano (eu sou do meio do ano e a EF está sendo ao longo do meu 8 e 9 semestre da facul), e a ideia de não estagiar nessa etapa me assustou quanto ao futuro, mas eu faço estágio desde o segundo semestre e pensei “o que eu tenho a perder?” e  então eu entrei, e também está sendo a minha melhor experiência da graduação.

Rodrigo Gomes Paixão: fiquei sabendo por meio de uma colega do Mackenzie, que conheci numa feira de profissões da Fundação Estudar. Eu achei o processo muito bem elaborado e bastante minucioso. Ele parecia ser bem completo e exigente.

JP3: como você define a experiência de ser aluna da EFp?

Lívia Teck Balbino: talvez o termo mais óbvio para descrever a experiência de ser aluna da EFp seja “única”, uma experiência única. Mas, me questionando em profundidade, uma segunda palavra emerge e me parece mais condizente: “pertencimento” define a experiência na SBDP.

Pertencimento na medida em que me sinto parte de um grupo de alunos entusiasmados com a academia e crentes em um diálogo acadêmico transformador e influente no cenário jurídico atual e, em certa medida, na sociedade como um todo.

Estar dentro da Escola de Formação me permitiu presenciar uma rede de relacionamentos de diversas naturezas, na qual alunos de anos passados se transmutam em orientadores, tutores e colaboradores. Assim, a grande teia da EFp envolve, a cada ano, novas pessoas e as capacita para assumir a parcela de responsabilidade que lhes cabe na transformação que ansiamos.

Maria Xisto: transformadora. O ambiente é muito acolhedor e, na EFp, nós temos um espaço de debate muito respeitoso, todas as ideias agregam. O olhar fica muito treinado para pontos não tão óbvios nos temas discutidos, e uma verdade é que não há conformidade nunca, ao fim de cada aula eu entro com mais perguntas do que as que as leituras despertam, e isso é sempre muito interessante, a forma como os temas são descascados, mas nunca ficam nus, sempre tem mais coisas a se dizer e debater. Eu aprendo muito.

Rodrigo Gomes Paixão: eu percebo nitidamente as distinções entre mim e meus colegas de classe pela experiência que tive. Ser aluno da EF me ajudou a compreender questões do direito que não tive na Universidade, além de ser fundamental no meu desenvolvimento como pesquisador. Acredito que a experiência foi de muito crescimento e desenvolvimento pessoal.

JP3: há diferenças entre o sistema de ensino aplicado nas aulas da Escola de Formação e nas aulas tradicionais da graduação? Quais?

Lívia Teck Balbino: a experiência na universidade me permitiu constatar que o sistema de ensino da graduação oferece distintas vivências. Em suma, as aulas da grade curricular seguem o padrão de alunos assimilando conteúdo através da palestra dos professores. Já os grupos de estudos, permitem uma visão mais aprofundada sobre temas específicos e oportunizam conhecimento através de um outro formato. Por fim, acho interessante pontuar que, ainda no campo da graduação, os programas de pesquisa favorecem um novo enfoque sobre o ensino. Ser pesquisadora pelo CNPq me permitiu desenvolver, além de conhecimentos puramente acadêmicos, habilidades como autonomia e proatividade na busca pelo conhecimento. Pesquisar propicia a construção de alunos mais questionadores e com diferentes perspectivas sobre os métodos de aprendizagem.

A partir da apreciação das diferentes experiências -e os respectivos frutos- que a universidade oferece, afirmo que o sistema de ensino da EFp é completamente distinto das vivências universitárias. A metodologia da EFp segue um modelo, em minha concepção, único. O programa é dividido em oficinas de pesquisa, oficinas de jurisprudência e ciclo de debates. Assim, o estudante tem a oportunidade de estudar sobre pesquisa empírica, análise de casos do STF e aprofundar conhecimentos em temas específicos.

No entanto, o grande diferencial do programa é a sua metodologia. As aulas são divididas por temas e precedidas por uma carga densa de leitura. Durante o debate os alunos têm a possibilidade de expressar suas convicções e indagações acerca do tema e construir de forma conjunta um diálogo sólido e plural. Ao final, as aulas dissolvem muitas certezas e geram novos questionamentos que se tornam combustível para novos estudos.

Maria Xisto: sim, definitivamente. Os alunos que conduzem as aulas pelos debates a partir da leitura do material. Não aprendemos teoria dos temas, aprendemos a ser críticos, a questionar e ser questionados.

Rodrigo Gomes Paixão: a EFp nos ensina a pensar o direito de forma diferente. Sua dinâmica de aulas é mais por debates e conversas que aulas no sentido tradicional, o que, particularmente, foi muito mais divertido e produtivo que minhas aulas convencionais no Mackenzie. Nesse contexto de pandemia, em que passava a totalidade ou parte do meu dia em casa diante de uma tela de computador, esse perfil que exigia maior proatividade tornava tudo menos cansativo, mais interessante. A gente conversava sempre, expunha opiniões muito diferentes e éramos sempre respeitados, o que nos incentivava a tentar contribuir mais e melhor.

JP3: o que você diria a alguém que pretende participar do processo seletivo? 

Lívia Teck Balbino: se você está pensando em participar do processo seletivo da Escola de Formação Pública tenha em mente que é um programa denso e trabalhoso. A natureza da EFp é marcada pela produtividade e comprometimento, características que estão refletidas no processo seletivo. É um programa marcado por uma grande carga de leitura, pesquisa e escrita. No entanto, todo o processo contribui para uma formação plural muito valiosa. Participar da EFp é uma experiência transformadora e única, acredito que uma das principais formações da minha vida acadêmica. Estamos no final de 2020, a minha passagem pela EFp como aluna se encerra em novembro e a única constatação final possível é que todo o trabalho produzido até agora é extremamente rico e frutífero. Participe!

Maria Xisto: participe, se permita viver essa experiência ao máximo e a não se conformar. Os pontos de inconformidade são os que mais devem ser abordados.

Rodrigo Gomes Paixão: bom, a EF é exigente, bastante. Há uma carga alta de leitura, é um período diferente, mas eu acho que valeu muito a pena. Se você tem a oportunidade de participar do processo seletivo e as condições de ficar um ano estudando, recomendo bastante.

Publicado por Leonardo Mariz


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