Por Júlia Orciuolo

Atenção! O texto a seguir contém spoilers do filme “Enola Holmes”.

Em setembro de 2020 a plataforma de streaming Netflix lançou o filme Enola Holmes, que nos apresenta à irmã do mundialmente famoso detetive, Sherlock Holmes. Com nomes como Millie Bobby Brown, Henry Cavill, Sam Claflin e Helena Bonham Carter no elenco, o filme ficou entre os 10 mais assistidos na semana do lançamento. A narrativa fantástica e leve prende o espectador do começo ao fim e nos deixa curiosos acerca do destino das personagens.

Enola é a irmã mais nova de Sherlock e Mycroft Holmes e, apesar de não ter sido originalmente apresentada nos livros de Arthur Conan Doyle, ganhou muita popularidade a partir de 2006 com os livros de Nancy Springer. O primeiro livro da autora norte-americana, intitulado “O caso do Marquês Desaparecido” é justamente o título que inspira a obra cinematográfica da Netflix. A história se passa no século XX, mais especificamente no ano em que a protagonista completa seu décimo sexto aniversário. Assim, após o desaparecimento da mãe, Enola se vê completamente sozinha
e recorre a seus irmãos para encontrá-la.

Todavia, apesar do tom fantasioso e divertido, a narrativa aborda temas sérios, como o papel das mulheres na sociedade inglesa do século XX e, ainda que indiretamente, a luta feminista. Como citado anteriormente, a mãe dos detetives “desaparece” para aliar-se efetivamente à luta pelo voto, uma vez que grande parte da história gira em torno da votação deste projeto na Câmara dos Lordes. O filme não nos mostra o destino da personagem, mas sabemos que anos depois, em 1918, as mulheres puderam, enfim, participar das eleições. Ainda, as reuniões femininas eram proibidas para que as mulheres não obtivessem sucesso em suas reinvindicações, e é justamente por isso que a mãe de Enola abandona seu passado para lutar por um futuro melhor para a filha.

Nesse contexto, é possível perceber claramente a influência dos ideais feministas na educação de Enola. Instruída desde pequena, aos 16 anos a garota já havia lido todos os livros da biblioteca da mãe além de possuir conhecimentos avançados de técnicas de luta e autodefesa. Quando ela é mandada à Escola de Moças no final do filme, podemos perceber claramente como seu comportamento destoava das demais garotas, que se preocupavam apenas em manter as aparências. Quanto ao que era ensinado nas escolas, gramática e física estavam longe de serem importantes, uma vez que as mulheres eram instruídas apenas a servir seus maridos. Nesse sentido, as habilidades de Enola se mostram muito mais úteis em um situações práticas, uma vez que é deste modo que ela ajuda o marquês a fugir, desvenda o mistério da fuga da mãe e despista seu irmão, Sherlock Holmes.

Enfim, as duas horas de filme passam muito rápido e a história agrada o público das mais diversas idades. Como boa leitora de histórias policiais, recomendo o filme não só para passar o tempo e se divertir, mas também para aprender mais sobre a sociedade inglesa do século passado e do importante papel que nós, mulheres, desempenhamos até os dias de hoje.

REFERÊNCIAS:

[1] FIORATTI, Carolina; Conheça Enola Holmes, irmã de Sherlock Holmes que rendeu processo para a Netflix. Revista Super Interessante. Publicado em 25 de setembro de 2020. Disponível em https://super.abril.com.br/cultura/conheca-enola-holmes-irma-de-sherlock-que-rendeu-processo-para-a-netflix/. Acesso em 13 de outubro de 2020.

[2] GIANOLLA, Giulia; O feminismo e a Política em Enola Holmes. Guia do Estudante. Publicado em 10 de outubro de 2020. Disponível em   https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/o-feminismo-e-a-politica-em-enola-holmes/. Acesso em 19 de outubro de 2020.

Publicado por Júlia Orciuolo


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