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Aparecida Oliveira – 3ºsemestre

O que é estresse? O que ele pode causar? Quem está suscetível a tê-lo?

O estresse é o mal do século. Quem nunca se sentiu sobrecarregado e “estressado”? Essa palavra já faz parte do nosso vocabulário. Mas em doses elevadas, o estresse pode causar o que chamamos de surto psicótico e esta pode ser uma situação clínica que pode levar a algo mais sério e fatal, o suicídio.

Segundo a SBIE – Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional, o surto psicótico pode ser um episódio isolado ou um sintoma de algum problema maior. As causas médicas que podem induzi-lo são a presença de tumores cerebrais, Esclerose Múltipla, Epilepsia, Doença de Alzheimer, Lúpus, Insuficiência Renal, Insuficiência Hepática, AIDS e Sífilis. O uso patológico de álcool e drogas alucinógenas também pode desencadear um surto psicótico. Nele ocorre um aumento da atividade no sistema límbico (área do cérebro responsável pelas emoções e pelo prazer), fazendo com que as percepções fiquem alteradas e os pensamentos se desorganizem.

Os principais sintomas são delírios e alucinações (ideias de perseguição, escuta de vozes, visões irreais); perda de contato com a realidade; confusão mental, pensamentos desorganizados; fala de forma desorganizada, rápida ou com frases incoerentes; comportamento agitado, incoerente, agressivo ou catatônico; oscilação de humor entre depressão e euforia; agressividade; insônia; perda de apetite e consequente perda de peso.

Tal situação clínica pode ter sido a causa que resultou no ataque do Procurador Matheus Carneiro Assunção contra a Juiza Louise Filgueiras, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em São Paulo, ocorrido no dia 03/10/19. O Procurador entrou no prédio do Tribunal e atacou a juiza a facadas quando foi detido por servidores e preso em flagrante. O que sabemos é que o Procurador apresentava sinais de transtornos mentais. Ele seria internado no Hospital Psiquiátrico de Taubaté, mas está sob cuidados do Hospital das Clínicas de São Paulo, que não pode divulgar informações do seu estado clínico.

Mas sem fazermos qualquer juizo de valor, o que temos que focar é o que levou o profissional, que já detinha grande histórico de sucesso profissional e acadêmico e com carreira brilhante pela frente, a tomar tal conduta: o desequilíbrio emocional.

Nos dias atuais, diante dos problemas enfrentados no dia a dia e da grande pressão da sociedade para sempre se ter grande desempenho e responder prontamente às demandas com o mínimo (senão zero) nível de falha, o estresse tem se configurado como o mal do século. Não há mente que aguente e não se desequilibre em algum momento diante de tanta demanda. O autor Byung-Chul Han, em seu livro Sociedade do Cansaço, descreve com maestria essa exigência onde, segundo o mesmo, “o homem se torna o seu próprio algoz“.

É do conhecimento de todos que a saúde mental já é um problema de Saúde Pública, da qual ainda o Brasil não tem controle, sequer o mundo. As taxas de suicídio em nosso país aumentaram 7% em seis anos, de acordo com alerta emitido pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Ainda segundo a pesquisa, no Brasil, em 2016, contabilizou-se 6,1 suicídios a cada 100 mil habitantes. Já em 2010, essa taxa subiu para 5,7 suicídios por 100 mil habitantes.

Os métodos mais comuns utilizados no planeta são enforcamento, envenenamento por pesticidas e uso de armas de fogo. De acordo com o relatório, lançado em 09/10/19, a restrição no acesso a pesticidas pode reduzir consideravelmente essas taxas, como demonstraram iniciativas no Sri Lanka e na Coreia do Sul.

Como procurar apoio?

Porém, com o problema já instalado, como contribuir para diminuir essa taxa? E quais mecanismos o Brasil lança mão? Mesmo com as políticas públicas que abrangem atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (com foco no Setembro Amarelo, onde são feitas atividades voltadas para o tema), Pronto-Atendimentos e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), ainda dispomos do CVV – Centro de Valorização da Vida, que é uma central telefônica onde se oferece apoio emocional de prevenção ao suicídio, com atendimento gratuito, sob total sigilo, por telefone (188), email e chat 24 horas, todos os dias. O Centro é composto por voluntários que, após treinamento, dão este primeiro suporte ao atender o indíviduo e conversar com ele, dando os devidos encaminhamentos. Essa iniciativa é de extrema importância, tendo em vista que muitas vezes quem sofre só precisa que alguém lhe escute e ele/ela já não quer muitas vezes “encher o ouvido dos amigos” e sua agonia acaba por induzi-lo a tomar a drástica atitude de tirar a própria vida.

Outras formas de prevenir resultados drásticos é realizar atividades de lazer fora das atividades laborais, seja qual for a profissão exercida. Também evitar levar trabalho para casa ou mesmo impor limites quanto às mensagens fora do horário de expediente (queixa muito frequente nos dias atuais com o surgimento do aplicativo WhatsApp), diminui a incidência de estresse e consequentes riscos para doenças psiquiátricas.

A maior dificuldade de muitos quanto a este assunto é a de abordar a chefia quanto a estes limites e a grande maioria acaba por não fazê-lo e extende a atenção ao trabalho no ambiente domiciliar, em seu horário de descanso, o que ainda prejudica sua interação com a família e aumenta o nível de estresse.

O problema não é fácil de ser enfrentado, porém está posto. Cabe a nós ajudar da maneira que mais pudermos seja cuidando de si mesmo ou ajudando aquele que talvez apresente estes sintomas e pode ser nosso colega do trabalho, amigo ou algum familiar.

Diminuir o índice de suicídio é responsabilidade de todos nós.

Fontes

CONJUR – Procurador que esfaqueou juíza tinha carreira brilhante pela frente

UOL Notícias – Procurador esfaqueia juíza dentro de tribunal em São Paulo e é preso

ESTADÃO – Justiça mandar internar nas Clínicas Procurador da Fazenda que esfaqueou juiza

SBIE – Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional – Conheça os principais sintomas de um surto psicótico

GLOBO – Na contramão da tendência mundial, taxa de suicídio aumenta 7% no Brasil em seis anos

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