Para estrear nossa coluna “Cronículas”, em que o professor emérito da Faculdade de Direito do Mackenzie Jeremias Alves Pereira Filho, que lecionou por 40 anos no Mackenzie e foi presidente do Centro Acadêmico, prestigia-nos com diversas crônicas, lançamos a crônica:

Dos Quintos do Inferno Extra, de Jeremias Pereira

Andava(?) quietinho no meu túmulo privativo no anexo dos fundos do Cemitério da Saudade, numa área úmida, isolada e mal frequentada. Quer dizer: mal frequentada no sentido de “pouco” frequentada, porque em se tratando de um túmulo vampiral é de se convir que o atrativo turístico fosse quase nulo. Fato é que minha última aparição no mundo dos vivos foi quando flanei pelos ares até o Queens, em NYC, para visitar meu tio americano, o velho e bom vampiro Ronald Ferr. Foi nessa ocasião que quase trombei com o jatinho de um famoso açougueiro que mantinha uma luxuosa mansão numa cobertura exclusiva em Manhattanm. Se bem me lembro, evitei por pouco a colisão, que, de tão perto passou o avião pude ver na cabina os dois filhos do industrial, cada qual acompanhado de sua respectiva babá e respectivo segurança. Mas isso é outra história!

Como dizia, estava eu tranquilo na minha hibernação vampiresca, consciente de que nada poderia me incomodar e me despertar desse sono imortal. Ledo engano! Foi de repente que ouvi um barulho infernal, só comparado com uma explosão catastrófica, parecida com aquelas ocorridas nas Torres Gêmeas atingidas em setembro de 2001 pelos aviões sequestrados pelos terroristas da Al Qaeda, na mesma NYC, cuja ação matou mais de 3.000 inocentes.

kkk

Uma vez despertado, qualquer vampiro que se preze logo pensa em reabastecer seu estoque corporal de sangue fresco, combustível necessário para exercer seus diabólicos poderes. E logo toquei para Brasília, informado que uma leva de jovens políticos havia assumido a Câmara Federal pela renovação ocorrida nas últimas eleições, nas quais não votei porque vampiro obviamente não possui Título de Eleitor. Mas, mesmo a despeito disso, era sangue novo disponível na praça!

Foi quando descobri que o barulho que reverberou até meus sobrenaturais e poderosos ouvidos foi o do protocolo do Congresso Nacional, face à apresentação pelo Governo Federal de um temerário projeto de reforma tributária, ressuscitando uma falecida CPMF, que nem o próprio Satanás teria coragem de ousar. É duro ser “vampiro brasileiro”, já dizia o saudoso Chico Anísio. Que Deus (ooopss…) o tenha!

Assinado: Lucius Ferr

Postado por Rafael Almeida – 2º Semestre

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