“Enquanto um tema a ser pensado por toda a sociedade, o debate acerca do suicídio não pode dissociar-se, de nenhuma forma, do debate acerca da saúde mental. De acordo com dados da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 96,8% dos casos de suicídio decorrem de transtornos mentais, estando a depressão em posição de maior destaque.”

O mês de Setembro, é conhecido ao redor do mundo como o mês de prevenção ao suicídio. No entanto, falar sobre a questão do suicídio e principalmente sobre sua prevenção, é algo que deve ser encarado como uma pauta cotidiana, uma vez que na sociedade brasileira ainda prevalece um entendimento equivocado consoante a esta questão.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), aponta que a taxa de suicídio entre adolescentes habitantes dos grandes centros urbanos brasileiros teve um aumento de 24% entre os anos de 2006 e 2015, tendo o número de suicídios de jovens negros aumentado em 12% entre os anos de 2012 e 2016, estimativa que se manteve estável com relação aos jovens brancos. Constataram os especialistas, portanto, que a estatística brasileira apresenta uma disparidade enorme quando comparada às taxas de suicídio dos demais países, pois enquanto o índice nacional apresenta um crescimento alarmante, os índices de suicídio ao redor do mundo apresentam uma queda de 17%.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), em relatório divulgado no dia 09 de Setembro, alertou novamente acerca da necessidade de empenho no desenvolvimento de estratégias nacionais para a prevenção da prática, solicitando principalmente a adoção de medidas de caráter orientador e educativo, uma vez que o tema em voga é rodeado por muitos tabus e preconceitos que não contribuem de forma alguma para o enfrentamento da prática.

Enquanto um tema a ser pensado por toda a sociedade, o debate acerca do suicídio não pode dissociar-se, de nenhuma forma, do debate acerca da saúde mental. De acordo com dados da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 96,8% dos casos de suicídio decorrem de transtornos mentais, estando a depressão em posição de maior destaque.

A questão da saúde mental tem ganhado mais visibilidade nos últimos anos, principalmente com relação às discussões que envolvem a saúde psicológica nos ambientes universitários, considerando que o suicídio é a segunda principal causa de morte entre o público universitário, sendo a primeira, acidentes de trânsito.

Morar longe de casa, adaptar-se ao rigor dos estudos de nível-superior, conciliar a vida acadêmica com a vida profissional, pagar despesas essenciais e tentar manter uma vida social razoável são fatores que compõem a realidade de muitos estudantes, e na maioria das vezes, as dificuldades de se encontrar um equilíbrio apresentam-se de forma avassaladora, afinal, a lista de responsabilidades encontra-se a cada dia mais extensa e abusiva, ao passo que os dias, parecem estar cada vez mais curtos.

Pensando nas necessidades de prevenção do suicídio no ambiente universitário, o Voz e Vez separou algumas orientações que podem te ajudar a identificar sinais e a buscar ajuda:

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*Identifique sinais:

Preocupação com sua própria morte ou falta de esperança.
As pessoas sob risco de suicídio costumam falar sobre morte e suicídio mais do que o comum, confessam se sentir sem esperanças, culpadas, com falta de autoestima e têm visão negativa de sua vida e futuro. Essas ideias podem estar expressas de forma escrita, verbal ou por meio de desenhos.

Expressão de ideias ou de intenções suicidas:
Fiquem atentos para os comentários abaixo. Pode parecer óbvio, mas muitas vezes são ignorados
“Vou desaparecer.”

“Vou deixar vocês em paz.”
“Eu queria poder dormir e nunca mais acordar.”
“É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar.”

Isolamento: 
As pessoas com pensamentos suicidas podem se isolar, não atendendo a telefonemas, interagindo menos nas redes sociais, ficando em casa ou fechadas em seus quartos, reduzindo ou cancelando todas as atividades sociais, principalmente aquelas que costumavam e gostavam de fazer.

*Dados retirados do portal do Ministério da Saúde. Disponíveis em:
http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/suicidio

*Onde buscar ajuda para prevenir o suicídio:

  • CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e
    Centros de Saúde).
  • UPA 24H, SAMU 192, Proto Socorro; Hospitais
  • Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita) –
    https://www.cvv.org.br/

*Diante de uma pessoa sob risco de suicídio, o que se deve fazer?

  • Encontre um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa. Deixe-a saber que você está lá para ouvir, ouça-a com a mente aberta e ofereça seu apoio.
  • Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência ou apoio em algum serviço público. Ofereça-se para acompanhá-la a um atendimento.
  • Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa
  • Se a pessoa com quem você está preocupado(a) vive com você, assegure-se de que ele(a) não tenha acesso a meios para provocar a própria morte (por exemplo, pesticidas, armas de fogo ou medicamentos) em casa.
  • Fique em contato para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo.

*Dados retirados do portal do Ministério da Saúde. Disponíveis em:
http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/suicidio

Texto escrito por: Luíza Carvalho Matsuo

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