“Todos têm seus direitos, não é admissível que alguém agrida alguém por ser homossexual” (Lalá, 65 anos, Transsexual).

A nossa equipe do Voz e Vez esteve presente entrevistando as mais diversas pessoas na 23ª Parada do Orgulho LGBT, que reuniu 3 milhões de pessoas na Av. Paulista, segundo os organizadores e movimentou cerca de 403 milhões aos cofres públicos. Um evento marcado pela diversidade, respeito, amor, todos em busca de ser quem são, sem ser ofendidos, humilhados e muitas vezes mortos por suas escolhas.

Atualmente o termo LGBT é o mais utilizado, representando: lésbicas, gay, bissexuais, travestis e transsexuais. O termo foi aprovado no Brasil em 2008 em uma conferência nacional para debater os direitos humanos e políticas públicas de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transsexuais.

23ª Parada Gay 152

“O pior preconceito que eu já recebi, eu trabalhei em um banco 8 anos em um bom cargo, porque sou formada, em 1978 chegou a minha promoção pra subgerência do banco Noroeste, me demitiram falando que eu não poderia ser subgerente, não poderia ficar mais porque eu era viado. Eu era um viado que andava até de terno e gravata, não tinha frescurite e mesmo assim me demitiram. Depois que eu comecei a me modificar as coisas pioraram mais, na questão de emprego, em tudo piorou, porque antigamente era muito mais difícil de aceitar. Hoje tivemos várias conquistas e a criminalização da homofobia é essencial. As pessoas que estão vindo agora não merecem passar por tudo que nós passamos” (Lalá, Transsexual).

 “Uma vítima de homofobia a cada 16 horas”

No final de 2018 Julio Pinheiro Cardia, ex-coordenador da Diretoria de Promoção dos Direitos LGBT do Ministério dos Direitos Humanos, formulou um relatório a pedido da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e o entregou à AGU (Advocacia-Geral da União) No documento, Cardia somou as denúncias de assassinato registradas entre 2011 e 2018 pelo Disque 100 (um canal criado para receber informações sobre violações aos direitos humanos), pelo Transgender Europe e pelo GGB (Grupo Gay da Bahia), totalizando 4.422 mortos no período. Isso equivale a 552 mortes por ano, ou uma vítima de homofobia a cada 16 horas no país, são dados assustadores, mas infelizmente demonstram a realidade.

“Não tem o pior preconceito que eu já sofri na minha vida, todos os preconceitos que eu sofro são os piores, a criminalização da homofobia não sei se é eficaz, porque o racismo é crime a muito tempo e as pessoas não deixaram de ser racistas, então na minha opinião políticas públicas são mais eficientes para o combate a homofobia” (Pedro, 19 anos, Gay).

 “STF equipara a homofobia ao crime de Racismo”

No dia 13 de junho deste ano os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) determinaram que a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero é crime, equiparando a Lei do Racismo (7716/89). Dez dos onze ministros reconheceram haver uma demora inconstitucional do Legislativo em tratar do tema. Apenas Marco Aurélio Mello discordou.

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Essa decisão divide a opinião dos juristas, de um lado aqueles que consideram um ativismo judicial, que o STF está agindo como legislador, de outro as pessoas que são a favor, pois com um Congresso cada vez mais conservador a criminalização da homofobia nunca seria aprovada e muitas pessoas LGBT continuariam desprotegidas contra os ataques e preconceitos dos intolerantes.

“O pior preconceito que eu já sofri, como eu sou do interior, foi a questão religiosa, por isso eu saí de lá meio fugido. A criminalização da homofobia é extremamente necessária, muitas pessoas ainda morrem nesse país por ser aquilo que elas são, então é uma maneira de educar as pessoas a uma nova realidade, pra gente conseguir ser mais livre e mais feliz” (Lito, 22 anos, Gay).

“Consideramos justa, toda forma de amor SZ”

Essa foi a nossa história, dando Voz e Vez as pessoas LGBT, quebrando preconceitos, rompendo tabus e gerando criticidade aos nossos leitores. Toda forma de amor é justa, heterossexuais, homossexuais, pansexuais, qualquer que seja a classificação. O amor é tão grande para achar que todos os amores vão caber em uma caixinha chamada PADRÃO. Em tempos de guerra vamos propagar o amor.

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Fontes:

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/06/29/23a-parada-lgbt-movimentou-r-403-milhoes-em-sao-paulo-diz-prefeitura.ghtml

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/02/20/brasil-matou-8-mil-lgbt-desde-1963-governo-dificulta-divulgacao-de-dados.htm

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-47206924

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