Por Hellen Leite – 2° semestre

Como Drummond vai ser sempre citado, vamos citá-lo, desta vez, para falar um pouco sobre esse medo muito louco que sentimos (e se não, deveríamos) ao nos encaixarmos e estacionarmos em algum canto da internet.

Diria Drummond que o amor se refugiou ainda mais abaixo do subterrâneo, o que significa dizer, não só fundo, mas mais fundo do que o fundo o é: se você lê isso com uma desconfiança e acha que é estratégia de poeta pra te instaurar medo ou pra definir o tom de seu poema, calma lá que eu vou falar o porquê você realmente deveria ter medo de se expressar por esses meios e como isso pode nos ajudar a nos relacionar com todas as pessoas que estão conectadas conosco (não apenas on-line).

Vamos pensar, primeiro, que quando publicamos algo, as palavras que decidimos usar se tornam um mecanismo de busca: basta usar a opção de Explorar pra te achar e te enaltecer pelas palavras filtradas por você, ou pra te fazer alvo por não dizer o que é agradável aos olhos frágeis de quem lê.

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O medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas, dos ditadores: esses e outros medos drummonianos. Um grupo que forma um batalhão pra te dar “hate”, outro que te despersonaliza por ter agido diferente do que eles presumiriam, outros que dizem combater o ódio com mais ódio do que a gente poderia lidar – E que de uma maneira completamente drummoniana lê-se que o ódio é a prática do medo com outro nome, o ódio nem existe.

Esse comportamento formou tantas camadas de discurso que é quase impossível não ficar atônito ao ser expectador das partes. O mais assustador, é pensar que, a recepção do que você colocou em alguma rede pode ser uma dessas em que há mobilização pra te cobrar por pensar daquela maneira: não há espaço nem pra se arrepender, pra se corrigir, se justificar. Você vai ter de provar o poder que os espaços feitos pra troca de ideias subvertido à mera prática de odiar/de ter medo tem.

Mais direcionado o nosso medo deve ser porque o que nós refletimos até agora tem um lado perigoso de se usar: então, eu posso, realmente, dizer qualquer coisa e todos devem me aceitar, afinal, isso seria uma ínfima manifestação de civilidade?

Não tem como eu dizer aqui o que seria ou não adequado, pois no fim das contas o “adequado” passaria por uma régua personalíssima que tem como unidade de medida minha vontade e vivência. Talvez, o mais interessante dessa exortação é pensar: quem nos ensina a lidar com os efeitos de ter uma caixa de texto em branco disponível a qualquer hora do dia e para todos os humores?

O mais palpável, pensando nessa maneira poética, seria buscar o medo “nosso pai e companheiro” como um semáforo que constantemente te mostra um sinal amarelo – tal qual flores medrosas- para que fiquemos atentos: quem eu posso ferir com isso? Não usemos o incrível poder que as palavras possuem para ferir, usemos para crescimento conjunto.

O que fica com essas poucas sentenças é a esperança de que aprendamos a lidar com a folha em branco, saibamos nos calar, ser cauteloso quanto ao conteúdo exposto, saibamos nos comunicar com respeito e com o medo na medida certa. Além disso, que fique também o convite para aprender com a poesia de todos os outros clássicos: aprendamos com quem nos deixou grandes marcas de aprendizado.

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