O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (29) manter a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, pela quinta reunião consecutiva sem alteração. A decisão, tomada de forma dividida pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), teve três dos doze integrantes votando a favor de um aumento de 0,25 ponto percentual, evidenciando uma fratura crescente dentro da autoridade monetária americana em um momento de inflação pressionada pelo conflito no Oriente Médio e pela alta do petróleo.
Em coletiva de imprensa após dois dias de reunião, o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, que assumiu o cargo em maio, sucedendo a Jerome Powell após oito anos à frente da instituição, classificou a economia americana como “impressionantemente sólida” ao justificar a manutenção dos juros. Diferentemente de seu antecessor, Warsh tem evitado sinalizações antecipadas sobre os rumos da política monetária, o que tem deixado o mercado financeiro em um cenário de incerteza pouco usual às vésperas das reuniões do comitê. A decisão ocorre em meio à pressão pública do presidente Donald Trump para que o Fed reduza os juros e estimule o crédito, embora a inflação nos EUA tenha recuado para 3,5% em junho, primeiro declínio em cinco meses.
O episódio reacende o debate sobre a independência do banco central americano diante da interferência política, ao mesmo tempo em que o mercado volta as atenções para a próxima reunião do FOMC, em setembro, quando poderá haver uma nova rodada de definições sobre os juros, dependendo da evolução dos preços de energia e do desfecho das tensões geopolíticas em curso.
Escrito por Victor Delecrodi
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