Deepfakes e o fim da confiança nos próprios olhos

Tudo o que vemos realmente é verdadeiro? É uma pergunta filosófica que, há séculos, tenta ser respondida por filósofos, teólogos, religiosos, conspiracionistas, etc. Saindo da parte filosófica dessa questão e trazendo uma pergunta mais realista e factível: Os vídeos que vemos são realmente verdadeiros? A frase “Eu vi com meus próprios olhos” parecia suficiente para encerrar uma dúvida, mesmo que fossem de vídeos na internet. Mas essa afirmação já perdeu a sua força.

Hany Farid, Professor da Universidade de Berkeley e um dos maiores especialistas em deepfakes e perícia digital do mundo, afirmou que nem mesmo ele consegue identificar se um vídeo é real ou não, mesmo com horas de seu esforço para identificar. Farid, conforme denotado na reportagem do The New York Times, passou mais de duas décadas analisando imagens, vídeos e áudios para identificar manipulações digitais, e nos últimos meses ele passou a desconfiar de si mesmo, daquilo que vê.

O problema, segundo ele, não está apenas nos vídeos falsos, mas no fato que eles estão cada vez mais rápidos, ao passo que identificá-los é quase como se fosse uma batalha desgastante pelas ferramentas inovadoras e custosas e muito tempo gasto para averiguação. Por outro lado, a produção desses vídeos falsos é feita por qualquer um e com qualquer recurso.

Sendo esse o ponto principal da crise da deepfakes: a mentira circula em segundos, enquanto que a verdade precisa de tempo, método e investigação.

Quando a análise de um vídeo termina, verificando-se que se trata de um vídeo fake, o dano já está causado, podendo destruir reputações, manipular eleições, afetar empresas, etc. Fica ainda mais grave porque normalmente as deepfakes não servem apenas para criar mentiras, mas também dúvidas sobre a verdade no sentido de que há uma espécie de “neblina digital”, na qual tudo pode ser manipulado e nada parece confiável.

Se nem o maior especialista no mundo confia mais nos próprios olhos, o desafio para todos nós, meros usuários, é evidente: desconfiar, verificar e pensar muito antes de curtir, compartilhar ou dar qualquer tipo de engajamento.

Escrito por Vinicius Oliveira de Almeida

REFERÊNCIAS

SAMUELS, Elyse. A comparison of an original and deepfake video of Facebook CEO Mark Zuckerberg. The Washington Post via Getty Images, [s.d.]. Fotografia.

SASLOW, Eli. The World’s Leading Deepfake Expert No Longer Trusts His Own Eyes. The New York Times, 14 jun. 2026. Disponível em: https://www.nytimes.com/2026/06/14/us/ai-deepfake-hany-farid.html. Acesso em: 16 jun. 2026.

SASLOW, Eli; SCHAFF, Erin. The World’s Leading Deepfake Expert No Longer Trusts His Own Eyes. The New York Times, 14 jun. 2026. Disponível em: https://www.nytimes.com/2026/06/14/us/ai-deepfake-hany-farid.html. Acesso em: 16 jun. 2026.


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