“Akai Ito”: Uma lenda sobre a conexão entre almas gêmeas

Por Fernanda Aparecida Lopes Balthazar

“Um fio invisível conecta os que estão destinados a conhecer-se… Independentemente do tempo, lugar ou circunstância… O fio pode esticar ou emaranhar-se, mas nunca irá partir.” (Antiga crença chinesa)

Em um diálogo escrito há mais de 2400 anos, a teoria da alma gêmea foi imortalizada por Platão. Em “O Banquete”, o filósofo tenta definir o que é amor, apresentando uma peculiar explicação do motivo pelo qual as pessoas se apaixonam: Aristófanes, personagem da obra, declara que, no início dos tempos, os humanos eram seres completos, com duas cabeças, quatro pernas e quatro braços, o que lhes permitiam um deslocamento muito rápido e, considerando-se seres altamente desenvolvidos, os homens resolveram subir aos céus e lutar com os deuses, os quais, revoltados com a ousadia, os dividiram ao meio como castigo – dessa forma, os homens voltaram à terra novamente e, desesperados, vagaram à procura de sua metade, sem a qual não viveriam.

Tal mito da alma gêmea inspirou os movimentos românticos posteriores, dentre eles, o Akai Ito (赤い糸) ou “O Fio Vermelho do Destino”. De origem chinesa, a crença, a fim de explicar a conexão entre duas pessoas, diz que, no momento do nascimento, os deuses amarram um fio vermelho, invisível para os humanos, nos tornozelos daqueles que estão predestinados a tornarem-se “almas gêmeas”, sendo, portanto, a pessoa com quem se está fadado a passar o resto da vida, não importando a situação. O mito, desde então, espalhou-se pela Ásia, sofrendo algumas modificações ao ser incorporado ao folclore de diferentes regiões – no Japão, por exemplo, a história trata de um fio invisível, como na versão chinesa, amarrado, contudo, nos dedos “mindinhos” esquerdos (dedo em que passa a artéria ulnar, ligada ao coração) das pessoas que estão destinadas a viverem juntas o amor eterno.

Na cultura popular japonesa, é possível, inclusive, encontrar passagens relacionadas à lenda do fio vermelho do amor, principalmente em mangás, animes, músicas e até games. Um relevante exemplo a ser abordado é o filme Kimi no Na wa (ou “Your Name”), dirigido por Makoto Shinkai e segunda maior bilheteria japonesa de todos os tempos, que narra a história de Mitsuha, uma jovem que mora no interior do Japão, e Taki, um jovem que mora em Tóquio – os dois não se conhecem, mas seus destinos estão direta e misteriosamente conectados pelas imagens de seus sonhos, ainda que estejam vivendo em épocas diferentes. O anime é sutil e emocionante ao mostrar a ligação espiritual ímpar entre almas gêmeas – a metáfora do fio vermelho simboliza o amor verdadeiro e a união de duas pessoas que foram destinadas uma à outra.

Em determinado momento, Mitsuha afirma que nunca deixará de tentar encontrar Taki, não importando quanto tempo leve para tanto. Isto porque estão conectados por algo inquebrável e infinito – o fio pode se emaranhar ou esticar, mas nunca se quebrará, de modo que não importa o tempo nem a distância, tampouco as implicações que possam vir a acontecer no meio do caminho, pois, no final, as extremidades se encontrarão para viver a felicidade plena que o destino lhes reservou. O Akai Ito é uma lenda encantadora e que, com certeza, nos faz refletir sobre quem estaria na outra extremidade de nosso fio vermelho do destino.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

“Akai ito: a lenda do fio vermelho do destino”. Publicado em Caçadores de Lendas/Japão, em fevereiro de 2015.

“Akai ito: a lenda oriental do fio vermelho do amor”. Publicado em Nova Friburgo em Foco, em 27 de julho de 2020.

“Akai ito: a lenda oriental do fio vermelho do amor”. Publicado em O Dia.

“Akai Ito: o amor no fio vermelho do destino”. Publicado em Dicionário de Símbolos.

“Akai Ito e Your Name”. Publicado no Blog Múltiplas Estrelas, em 2 de agosto de 2018.

“Mito da alma gêmea”. Publicado em Brasil Escola.

“O mito das almas gêmeas de Platão”. Publicado em Filosofia na Escola, em 1 de setembro de 2019.

Publicado por Fernanda Aparecida Lopes Balthazar


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