A PRÁTICA JURÍDICA LADO A LADO COM OS AVANÇOS DIGITAIS

Por Heitor Vitor

Há algum tempo, surgiu uma nova profissão para pessoas dedicadas exclusivamente a criação de conteúdos nas redes sociais, popularmente chamados de influenciadores digitais. Essa profissão ganhou espaço em muitos segmentos, como moda, maquiagem, fitness, viagens, entre outros. Entretanto há um questionamento, principalmente em carreiras mais conservadoras como o direito, se há de fato espaço para esse novo profissional e até que ponto ele gera valor para um escritório.

A Clínica de Assessoria Acadêmica MackEmpresarial (CAAME) além de proporcionar aos seus integrantes uma experiência prática do direito empresarial high level, possui também um programa de mentoria, o qual em seu último encontro teve a presença fantástica da Dra. Monika Hosaki (Advogada especialista em Startups e Inovação) que debateu com os integrantes sobre os desafios da advocacia para Startups, dentre os tópicos do tema discutiu-se muito sobre como criar conteúdos nas redes sociais sendo um advogado e como fazer isso de maneira benéfica para prospecção de clientes.

As mentorias realizadas  nunca são palestras carregadas de monólogos e afins, nas quais geralmente existe uma dinâmica entre o(a) mentor(a) e os alunos, e, consequentemente, a mentoria da dra. Monika Hosaki não foi diferente. Iniciou-se com ela explanando um pouco sobre a própria trajetória, sobre como foi inserida no mercado de startups e como se tornou uma referência entre os startupeiros (termo utilizado para pessoas que atuam no ambiente de startups, independentemente de ser CEO).

Nesse primeiro momento da conversa algumas redpills foram inseridas na discussão para proporcionar uma reflexão e engajamento de todos que estavam ali presentes: a mentora mostrou com muita clareza qual é a importância de estudar, não só uma bibliografia básica de determinado tema, mas sim, de se aprofundar na bibliografia completar, ou seja, ela explicou que só ter a vontade de ser o melhor profissional não é suficiente para que isso ocorra, precisa ir além implementando ações na rotina que condizem e que te levam até a concretização dessa vontade que todos possuímos de sermos os melhores profissionais, sendo necessário primeiro ter esse desejo de mostrar para si essa conquista, ou que está rumo a essa conquista, e depois se preocupar com terceiros.

Evidente que esse anseio por conhecimento é extremamente proveitoso que se desenvolva o quanto antes, mas  não há problema se já se passaram alguns anos desde o início da faculdade. O importante é virar essa chave, ao sair do conhecimento superficial e mergulhar em algo mais denso, pois só assim que realmente algum indivíduo se torna referência em determinado assunto. Durante toda a mentoria, foi muito enfatizado o quanto o estudo e a pró atividade em buscar por mais conhecimento estão intrinsecamente ligados ao sucesso profissional de qualquer pessoa.

Enquanto explicava sobre sua trajetória, a Dra. Monika Hosaki evidenciou-se para os alunos que a linearidade de uma carreira como todos pensam nem sempre é o mais comum de acontecer. Por exemplo, você que está lendo e é estudante de direito ou de qualquer outro curso, já  imaginou como seria sua carreira em determinada área muito antes de realmente passar no vestibular, e isso é algo extremamente normal, pois é o que gera um primeiro interesse em determinado curso. Acredito que já aconteceu para alguns, a primeira decepção profissional ou até com o concurso de não ser exatamente o que queria, o estágio em um escritório na área penal ou empresarial não ter sido tão bem sucedido quanto nos sonhos, seja por não ter tanta afinidade com a rotina ou até por a matéria quando aprofundada não encantou tanto quanto gostaria ou imaginou que fosse, e com certeza pairou a dúvida de que mudar de área durante o período de estágio é algo complexo e vai ficando mais difícil conforme passa o tempo. Pois bem, a Dra. Monika Hosaki explicou que  tais questões são algo perfeitamente normal, inclusive ao longo da carreira, acontece com muitos profissionais, inclusive, ela exemplifica a própria carreira, a qual já passou por diversas áreas. No entanto, esclarece também que de fato é mais fácil mudar de área no início da carreira, porém conhecer e dominar bem a matéria que está querendo transitar é algo essencial tanto para aqueles que já possuem experiência prévia, por questão de validação do conhecimento adquirido na prática, quanto para aqueles que desejam migrar de área do saber, devido a necessidade de comprovar domínio teórico já que não possui experiência prática, tentando assim, equilibrar a balança da competitividade.

Ainda sobre essa transição de carreira ou até para aqueles que pensam em criar o próprio negócio, como um escritório, a mentora diz ser essencial estudar sobre a área que está pensando em empreender, ou seja, possuir o know-how, ser proativo em congressos, palestras, matricular-se em cursos pós-graduação (pós, mestrado, doutorado, mba etc.) visando sempre desenvolver o máximo possível a rede de contatos, networking, tanto para futuros parceiros, como para possíveis clientes, ou seja, é preciso, principalmente para as pessoas que não estão inseridas no ambiente em que desejam trabalhar, que o profissional participe de qualquer evento sobre esse determinado tema para que ele saiba como é o seu cliente, em termos de demanda, ritmo de produção, maneira de pensar, qual é sua dor, se há alguém já ofertando uma solução para essa dor, se sim, como você pode entregar esse remédio de uma forma mais eficaz, se não, como desenvolver um remédio que solucione essa dor.

A Dra. Monika Hosaki descreveu a personalidade de um startupeiro como sendo alguém mais dinâmico, adaptável, com um foco maior na execução do que no planejamento, jovem, conectado no que acontece no mundo, pois já nasceu na era da internet, e consequentemente, está mais acostumado com a velocidade da informação e com sua validade. Desta forma, traçar algumas características do seu público facilita pensar em como se comunicar, onde se comunicar e o que comunicar. 

Outro ponto importante que a mentora frisa relacionados a startups é ter a noção de como ser útil para o negócio naquele momento, trazendo mais para o âmbito jurídico, pois muitas vezes no início da jornada da startup enchê-la de processos burocráticos para tentar garantir o máximo de segurança jurídica pode ser extremamente prejudicial para fechar novos contratos de vendas ou até renovar alguns já existentes, ou seja, muitas vezes para garantir um rendimento e adaptabilidade maior é necessário se expor para riscos, inclusive os jurídicos. Evidente que tem que ser algo controlado e até certo ponto previsível, exemplificando um pouco melhor esse ponto, a Dra. Monika Hosaki disse que um dos seus clientes tiveram problema com diminuição do fluxo de novos cliente devido a inserção de um contrato durante a pipeline de vendas, ela explica que isso ocorreu porque a startup era muito nova na época e não tinha o reconhecimento suficiente para comportar uma segurança jurídica muito alta logo no primeiro contato com novos clientes. Assim, a mentora concluiu que para o profissional jurídico saber até onde pode ir sem prejudicar a empresa, ele precisa ter como ferramentas a sua disposição: uma noção geral de como cada área trabalha, ser proativo para solucionar e evitar problemas gerados pela alta burocracia ou pela falta dela e o mais importante é aprender com os erros para que estes não se repitam durante a jornada.

Por fim, a mentora abordou o tópico de criação de conteúdo para as redes sociais, começando pelo questionamento de que se há necessidade de segmentação de um perfil pessoal e um perfil business, na visão da dra. Monika Hosaki é interessante ter essa distinção para que o cliente não fique confuso sobre qual é o objetivo daquele determinado perfil, além de assegurar uma certa privacidade da vida particular, é notório que a discussão não se iniciou com o questionamento sobre a necessidade de criar conteúdo para as redes sociais, e sim, sobre a necessidade de  realizar uma divisão.  Isso foi proposital por parte da mentora, pois para ela não estar inserido nas mídias digitais como um criador de conteúdo é algo inviável atualmente.

Desta forma, deve-se atentar principalmente a que tipo de conteúdo criado, se é algo mais simples e direto, algo com maior interação com os seguidores, vídeos explicativos, ou até mesmo as famosas dancinhas do Tiktok e Reels. A Dra. Monika Hosaki enfatiza o fato de que o criador de conteúdo deve se preocupar muito mais com a qualidade do conteúdo, se a mensagem está sendo transmitida com clareza, se o conteúdo possui embasamento jurídico por trás e se o conteúdo de fato agrega valor para alguém ou desperta interesse sobre determinado tema, ou seja, para ela, a prática de dancinhas e vídeos extremamente rápidos só para estarem de acordo com o algoritmo do Instagram ou do Tiktok, por exemplo, não é algo benéfico para o(a) advogado(a), pois o risco de expor uma opinião errônea sobre determinado assunto é muito grande e é algo que não é visto com bons olhos pelo mercado. Assim, para os(as) advogados(as) que iram começar a criar conteúdo ou que já criam conteúdo, é muito mais interessante e benéfico para carreira se preocupar com a qualidade da informação, consequentemente, a frequência de postagens serão menor, o que leva a conclusão da máxima de que o criador de conteúdo jurídico não deve olhar apenas para os números e métricas da conta em determinada rede social, e sim, ter como objetivo a criação de uma espécie de portfólio digital, o qual o cliente após o contato inicial em um evento voltados a startups, por exemplo, poderá acessar para saber mais sobre o profissional, consequentemente, o auxiliando a tomar a decisão de contratar seus serviços para possíveis demandas.

Publicado por Giovanna Rodrigues Silva


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