ALICE IN BORDERLAND

por Fernanda Aparecida Lopes Balthazar

Lançada em 10 de dezembro de 2020, a série live action “Alice in Borderland”, produzida pela plataforma de streaming Netflix e dirigida por Shinsuke Sato, retrata a jornada de três amigos – Arisu, Karube e Chota – que são transportados para uma realidade paralela de Tóquio, onde precisam participar de diversos jogos sádicos e mortais a fim de sobreviverem. Recentemente, a produção japonesa, baseada no mangá de suspense que leva o mesmo nome – título originalmente escrito e ilustrado por Haro Aso –, ganhou ainda mais popularidade em razão do sucesso de outra série, qual seja, “Round 6” (ou Squid Game) – nota-se, assim, o crescimento do interesse pelos produtos audiovisuais criados por asiáticos, os quais, de fato, fazem jus ao seu devido reconhecimento, dadas tamanhas qualidade e originalidade das obras produzidas.

Em “Alice in Borderland”, cada episódio oferece um novo desafio a ser enfrentado pelos personagens, de modo que, para seguir em frente, eles devem dar tudo de si pela própria sobrevivência e de seus aliados – assim, a cada etapa, o ritmo de suspense se mantém, impedindo que a série torne-se maçante ou monótona. Uma vez que os jogos tornam-se progressivamente mais incertos e violentos no decorrer da narrativa, é interessante observar como os personagens potencializam a sua verdadeira face em situações de desespero e como as relações se desenvolvem a partir do medo do desconhecido e da desconfiança em relação aos outros jogadores, e até mesmo os próprios parceiros – essencialmente, a série retrata os absurdos que as pessoas são capazes de cometer ao estarem na iminência da morte, sobretudo quando o instinto de sobrevivência é colocado à prova. Ainda, cumpre ressaltar que a produção transmite a máxima darwinista de que não é o mais forte que sobrevive, mas sim, o que melhor se adapta às mudanças – de fato, no mundo paralelo em que se encontram, os vencedores são aqueles que entendem as regras dos jogos, embasados em lógica e decisões bem pensadas.

Ademais, é curioso apontar que “Alice in Borderland” é uma releitura, metafórica e moderna – e um tanto macabra –, da história apresentada na obra “Alice no País das Maravilhas” (Alice in Wonderland, em inglês) de Lewis Carroll, conforme será a seguir discorrido.

ARISU COMO ALICE

Além do fato de que “Arisu” é a forma japonesa de escrita do nome “Alice”, denota-se que ambos personagens principais são muito inteligentes e acabaram, de certa forma, sendo transportados a mundos paralelos.

USAGI COMO COELHO BRANCO

A tradução de “usagi” para o português é “coelho”. Usagi é uma alpinista e, dada a sua experiência, consegue facilmente pular de um lugar ao outro em ambientes que exigem um deslocamento arriscado – habilidade essa que sugere a agilidade de um coelho e que lhe veio a ser útil nos jogos. Além disso, assim como o coelho branco direciona Alice até o “País das Maravilhas”, Usagi também ajuda Arisu a seguir em frente depois de uma tragédia.

CHISHIYA COMO GATO DE CHESHIRE

Além da pronúncia de seus nomes ser parecida, ambos personagens são intrigantes: extremamente calmos e calculistas, porém interesseiros e misteriosos. Assim como o Gato, Chishiya faz parte da ação, mas age como um observador daquele mundo. E, tal como na obra de Carroll, o seu discurso demonstra que Arisu deve abandonar as regras até então conhecidas por si e aceitar aquilo que há de insano em todos. 

NIRAGI COMO LEBRE DE MARÇO

Ambos são considerados “loucos” por aqueles que os rodeiam – vale lembrar que a Lebre tem o hábito de jogar involuntariamente objetos nas pessoas, assim como Niragi está sempre querendo atirar em alguém, ameaçando-as com a arma que carrega.

KUINA COMO A LAGARTA

Embora o vínculo visual entre Kuina e a Lagarta seja o fato de que ambos fumam, é relevante apontar que os dois personagens passaram por uma transformação substancial – a ser revelada nos episódios finais da série – em seus corpos em determinada época de suas vidas. São seres que nasceram para a metamorfose.

TAKERU COMO CHAPELEIRO MALUCO

No mundo paralelo em que se encontram, Takeru é conhecido como “Chapeleiro”. Note-se, também, que, antes do atual paradeiro, ele vendia chapéus, assim como o Chapeleiro Maluco. Ambos são excêntricos e bastante carismáticos.

É possível correlacionar diversos personagens presentes nas referidas obras e, assim como no conto de fadas, as cartas de baralho e seus símbolos representam algo crucial para o deslinde da trama. Quanto ao termo border, que significa “fronteira” em inglês e compõe a palavra “Borderland”, refere-se ao fato de que os jogos estariam ocorrendo, aparentemente, apenas em Tóquio, sendo escapar de lá o objetivo principal dos jogadores.

“Alice in Borderland” consagrou-se como uma excelente adaptação, cujos efeitos especiais e atuações marcantes não decepcionam – é uma série intensa e que cumpre com maestria seu papel principal: entreter. A Netflix confirmou, nas redes sociais, a renovação da série para uma segunda temporada, dado o seu sucesso internacional – portanto, preparem-se para, em breve, retornar ao mundo dos jogos onde a principal regra é sobreviver.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Série “Alice in Borderland”. Disponibilizada na Netflix, a partir de 10 de dezembro de 2020.

“Alice in Borderland traz distopia divertida com jogo de sobrevivência”. Publicado no Canal Tech, em 14 de dezembro de 2020.

“Alice in Borderland, 2ª Temporada: Data de estreia e novidades”. Publicado na Mix de Séries, em 5 de outubro de 2021.

“Relação entre os personagens de Alice in Borderland e Alice in Wonderland”, por @giminiyeol. Publicado no Twitter, em 28 de janeiro de 2021, às 15:49 (Tweet).

“5 motivos para assistir Alice in Borderland, série de sci-fi da Netflix”. Publicado na Rolling Stone, atualizado em 11 de outubro de 2021.

“8 personagens de Alice no País das Maravilhas explicados”. Publicado no Cultura Genial, atualizado em 19 de dezembro de 2020.

Publicado por Fernanda Aparecida LopeBalthazar


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