Temperamentos

Não importa o tamanho do seu talento. É o seu comportamento que define aonde você vai chegar.

(Tiago Brunet – 12 dias para atualizar sua vida)

Por Jade Gomes de Souza

Todos nós conhecemos ou temos inserido em nosso círculo de amizade alguém que é extremamente expressivo – aquela pessoa que geralmente em uma roda de conversa é a que fala alto, além de ser simpática, é uma pessoa entusiasta, autoconfiante e que se autopromove, sendo essa, com toda a sua desenvoltura e com o bom uso da linguagem verbal, um bom amigo, confiável e que encoraja nas tomadas de decisões da equipe, apesar de, em determinados momentos, agir por impulso e emoção – essa pessoa, anteriormente descrita, é o que Tiago Brunet, em seu livro “12 dias para atualizar sua vida”, classifica como sanguíneo. Este, é um dos temperamentos que compõem um total de outros quatro (colérico, fleumático, sanguíneo e melancólico) que exercem influência sobre o comportamento humano.

Em primeiro plano é válido ressaltar que, de acordo com Brunet, o temperamento de um indivíduo “não determina quem ele é e sim o seu padrão”. Este seria o comportamento repetitivo, automático e inconsciente que todos possuem. Isso inclui as formas de falar, pensar e agir, englobando tanto as decisões financeiras quanto as emocionais dos indivíduos. A relevância dessa temática se dá no fato de que é o seu padrão (repetição de comportamento) que atrai ou repele as pessoas. Para o autor, com temperamentos reconhecidos é infinitamente mais fácil lidar com as pessoas, pois “o nosso comportamento é diretamente manipulado pelo nosso temperamento”.

Ademais, o autor é cirúrgico no que tange a sua afirmação de que “não importa o tamanho do seu talento, é o seu comportamento que define aonde você vai chegar”. Isso porque as pessoas lembram mais de comportamentos do que de palavras, daí a importância de se falar menos e agir mais. Além disso, o nosso comportamento é influenciado pelo nosso nível de conhecimento e o nosso conhecimento é adquirido por meio do tempo que dedicamos à arte de pensar e ao gosto pela leitura. Logo, não existe um temperamento ruim, e sim temperamento não polido, não treinado.

Em segundo plano, o temperamento é fundamental não apenas para um bom convívio social, como também profissional. Uma pessoa com temperamento “colérico” (classificado como “dominador” por Brunet) – alguém direcionado para resultados e, por isso, detesta indecisões, sendo enfático e exigente por possuir autoconfiança elevada e alta expectativa em relação aos outros e a si próprio (coléricos acreditam que tudo deve girar em torno deles, de maneira que apenas eles importam e, com isso, não é difícil inferir que a sua postura acaba dificultando relacionamentos interpessoais com amigos e colegas de trabalho), além de ser rápido e impaciente, gosta de desafios, de mudanças e de ser reconhecido pelos resultados. Por exemplo, falará mais alto do que uma pessoa que tem temperamento “fleumático” (classificado como “paciente” pelo autor), que é alguém que deseja paz e harmonia, não gosta de mudanças em cima da hora e nem de conflitos, sendo um pacificador nato, além de gostar de eficiência e planejamento, gosta de se identificar com a empresa e tende a estabelecer relacionamentos profundos e, por isso, é um bom ouvinte pois importa-se com a equipe, tendo como marca principal a paciência. Dessa forma, a paciência que é presença forte no temperamento fleumático é ausência notória no colérico. Logo, esses temperamentos, se não polidos, entram em atrito.

Outrossim, as reações diante de uma afronta ou contrariedade também são antagônicas em relação aos temperamentos. Um “sanguíneo” (o clássico “extrovertido”) – aquele descrito no início da nossa conversa, sendo ele persuasivo, carismático e direcionado para pessoas – pode se divertir lidando com entraves. Enquanto o “melancólico” (denominado “analítico”) – alguém organizado e voltado para o processo e que tende a ser perfeccionista por querer conhecer todos os detalhes e fatos que abarcam a problemática, por suas decisões serem baseadas na lógica, o que faz com que ele não expresse sua opinião, a menos que tenha certeza, já que valoriza a verdade e a precisão. (além disso, ele tende a exigir um alto padrão de si mesmo e dos outros, sendo racional, traça planos para resolver os problemas, daí a tendência de sempre se preocupar) – entrará em crise.

O autor afirma que sem o desenvolvimento da inteligência, através da arte de pensar e ao gosto pela leitura, não será possível identificar os temperamentos e, consequentemente, não conseguirá se adaptar a eles nos relacionamentos. O autor ressalta que “sem inteligência, não lidamos com as emoções que cada temperamento provoca”. Isso se dá, pois, de acordo com a psicóloga Elizabeth Pimentel, em palestra disponibilizada em seu YouTube, cada temperamento possui um canal característico. Destarte, para se expressar e para se comunicar de forma efetiva, é necessário a consciência de como as pessoas interagem entre si, pois como afirma Brunet: “nem todos interpretam a mesma palavra da mesma forma (…) e todo ser humano tem um filtro mental que traduz o que o interlocutor está dizendo conforme seu padrão de entendimento”. Logo, o significado de cada palavra está baseado na percepção que cada pessoa possui com base no seu padrão.

Dessa forma, o colérico que possui uma postura mais disciplinada e prática, tende a se comunicar com racionalidade, objetividade, clareza e precisão; em contrapartida, o sanguíneo, enérgico e entusiasta, quando se comunica tende a ser impulsivo e prolixo em seus discursos. Aos olhos de um bom colérico, o sanguíneo é alguém imaturo e indeciso; já para o sanguíneo, o colérico é alguém difícil de lidar devido a sua rispidez e insensibilidade à vida.

Na comunicação com o melancólico é necessário conferir tempo para que ele possa processar e analisar a proposta sem pressão, diferente dos sanguíneos que amam aventura, o melancólico aprecia a segurança, daí a necessidade de disponibilizar a eles todos os dados possíveis que abarque a temática tratada. Já os fleumáticos, por serem mais observadores e ouvintes do que comunicativos, tendem a processar um dado por vez, sendo esses o tipo de pessoa que embora recebam três perguntas seguidas num bate papo de WhatsApp só respondem uma. Para um bom melancólico, o fleumático não passa a informação de forma clara, já que ele negligencia o excesso de detalhes que o melancólico requer; enquanto para o fleumático, o melancólico extrapola no excesso de detalhes e nas críticas, o que passa a sensação de que ele vê defeito em tudo e em todos.

É mister salientar que, conforme observação de Brunet, ninguém tem puramente um temperamento apenas, normalmente se tem um predominante e outro em menor grau de incidência. Além disso, para aprender a distinguir os diferentes tipos de temperamentos é necessário identificar em si e em familiares as características predominantes, treinar classificando-os e aperfeiçoar esse sensor de identificação com a prática. É necessário frisar a relevância dessa temática, pois temperamentos exercem influência sobre comportamentos e é o seu comportamento que definirá como o mundo se lembrará de você, pois as pessoas lembram mais de comportamentos do que de palavras.

Se caso você queira verificar qual é o seu temperamento predominante faça o teste disponibilizado pelo “Educamais”, que é um projeto educativo com informações e dicas, clicando aqui.

Publicado por Jade Gomes de Souza

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3 Comments

  1. Que texto maravilhoso! Fiz o teste e descobri que sou 29% sanguíneo e 29% melancólico, e a mensagem passada até me fez ponderar acerca da minha personalidade, e claro, pensar como é interessante saber como podemos ter diversas características diversas, embora algumas se sobressaiam diante das outras, ainda temos várias! Muito bom!!

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  2. Muito lindo, vejo que Deus fez cada um com temperamental diferente e o melhor que compreende cada um de maneira diferente, parabéns pelo texto. ❤️

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