Por Luiz Roberto Rodrigues Junior

E assim começa a música “Pássaro Sonhador”, que tem na sua intérprete, Fafá de Belém, a expressão máxima da cultura nortista.

Mas antes de adentrar ao tema, é necessário um breve prelúdio…. Do que se trata? O que é? De onde é? Fafá? Cultura nortista?

Faz-se necessário ressaltar que o Norte do Brasil é enorme não só geograficamente, mas também culturalmente. É composto por Acre, Rondônia, Roraima, Amazonas, Amapá, Pará e Tocantins. A maior parte do território é cortado pelo Rio Amazonas, vasta e exuberante a floresta tropical amazônica, e muitas as lendas que circundam os seres de lá.

E neste cenário, reside o caboclo. Muito mais do que uma “classificação étnica do IBGE”, o caboclo que é usado morfologicamente para definir o mestiço de índio com branco, no contexto aqui, é, na verdade, o cidadão comum, que invariavelmente é mestiço, às vezes até mesmo indígena, mas é o típico “cidadão nortista” que mesmo ‘não-caboclo’ bebe e vive dessa cultura.

Fafá é uma cabocla, típica e renomada. Há anos é o símbolo do canto do hino nacional, há anos é marca maior do Brasil em Portugal. E lá, justamente lá, na terra dos nossos colonizadores, ela muito apresentou sobre essa cultura cabocla que muitas vezes nem o próprio brasileiro médio conhece.

No álbum também intitulado “Pássaro Sonhador”, cantou a música homônima que era símbolo do pavilhão do Boi-Caprichoso, bem como a mundialmente famosa “Vermelho”, do Boi-Garantido. São duas diferentes agremiações de Parintins, azul e vermelha, respectivamente. 

O que é e de onde é? Essa é uma festividade tipicamente cabocla, tão exuberante quanto o carnaval carioca, e tão intenso quanto as matas que ali reside, o festival se localiza muito próximo da divisa do Pará com o Amazonas. Muita estética e beleza.

Diante deste breve recorte, retoma-se ao tema: viaja, caboclo, viaja!

Com muito detalhe, convido o leitor para analisar os seguintes versos, da referida “Pássaro sonhador”:

Viaja caboclo, viaja
Braço forte na remada, como se ouvisse bem alto
O batucar da marujada
A floresta na magia, respondendo com esplendor
Mostra a mais linda toada, caminho da ilha encantada
Na voz de um caboclo sonhador.

(…)

Viaja caboclo, viaja
Vai chegando ao seu chão
Como um sonho de marujo, reacendendo a emoção
Ele esquece do remo, ele esquece da dor
Balançando a bandeira, na arena seu mundo que revela
Agora ele é um pássaro sonhador.

(…)

Diante de versos tão lindos, quem é de fato o caboclo? Na canção, o caboclo é o marujo, cortando o Rio-mar, é o cantador da floresta, é aquele que corta a mata encantada e que depois de tudo isso, chega à Arena. Lá, defende o seu pavilhão, balança a bandeira na festividade de beleza…. Quando transmuta, num pássaro sonhador.

Nas poesias épicas, na literatura europeia, temos a figura inabalável do cavaleiro medieval. Dotado de honra, estirpe, propósito e cavalheirismo. Foi personagem heroico, que motivou cânticos e espírito de honra a vários pavilhões, exércitos e nações.

Temos o caboclo.

Não menos honrado ou sem estirpe, afinal, sua missão é diferente. Muitas vezes, as provas da sua jornada do herói são impostas pela própria natureza. Cortando o rio e mata, seu caráter se constrói em meio à escuridão, que quando se apagam as luzes dos céus, vê-se bem de longe a cidade. A própria natureza que impõe os desafios, é a mãe que alimenta, provê, hidrata e atiça.

Sua relação com a terra é indissociável, e muitas vezes a “donzela” por quem luta é o solo onde pisa.

O caboclo é o nortista – homem ou mulher –  é o brasileiro que sofre, que luta e que ainda tem a natureza como norte. Porque afinal, ele é do Norte e disso nunca se esqueceu.

Viajem, todos, viajem, para conhecer a terra desses caboclos.

Há muito a aprender nesta terra da magia!

Publicado por Rafael Almeida


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