Documentos da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), divulgados por determinação do presidente Donald Trump, indicam que o regime chavista mantinha, desde 2012, uma estrutura técnica capaz de manipular resultados eleitorais na Venezuela, com capacidade de deslocar até 1,5 milhão de votos por meio de máquinas de votação previamente configuradas. Segundo os relatórios, datados de 29 de junho e tornados públicos em julho, três instituições venezuelanas integrariam esse esquema: a Direção-Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), o Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) e o próprio Conselho Nacional Eleitoral (CNE), responsável por organizar o pleito no país.
O episódio mais grave descrito nos documentos teria ocorrido em julho de 2024, quando o chavismo teria alterado diretamente os números para reverter a vitória do opositor Edmundo González Urrutia sobre Nicolás Maduro; as atas eleitorais reunidas pela oposição, identificadas por códigos QR, indicavam uma vantagem de aproximadamente 7 milhões de votos contra 3 milhões para o candidato governista. Diferentemente de esquemas anteriores baseados em sofisticação tecnológica, a fraude de 2024 teria consistido em adulteração direta dos boletins. A própria CIA, no entanto, ressalva que a existência da estrutura técnica não comprova que o mecanismo tenha sido acionado em todos os pleitos do país, incluindo o de 2012, quando Hugo Chávez venceu Henrique Capriles em resultado então aceito pelo próprio opositor.
A divulgação reacende o debate sobre a legitimidade do sistema eleitoral venezuelano e deve intensificar a pressão internacional por reformas institucionais, num momento em que Elvis Amoroso segue à frente do CNE em meio a negociações para a reformulação da autoridade eleitoral do país.
Escrito por Victor Delecrodi
Siga o JP3!
Instagram: @jornalpredio3
Facebook: fb.com/jornalpredio3
Mais notícias e informações:
- O Tribunal Sem Rito: O Linchamento Virtual e o Atropelo das Garantias Constitucionais
- A multiparentalidade e a evolução do Direito de Família brasileiro
- A função social da propriedade: um limite ao direito de propriedade
- Deepfakes e o fim da confiança nos próprios olhos
- Do Veneno ao Status: Como o Monstro-de-Gila Deu Origem ao Fenômeno Estético do Ozempic

Deixe uma resposta