Incluir Direito: Seja a mudança que quer ver acontecer

Por Jade Gomes de Souza

O principal objetivo do Projeto Incluir Direito é aumentar a participação do negro no mercado jurídico, promovendo a inclusão e a diversidade.

CESA— Centro de Estudos das Sociedades de Advogados

Essa reportagem visa expor como esse relevante projeto surgiu, como tem sido recebido pelos maiores escritórios do Brasil e qual o impacto que ele tem proporcionado na formação dos diversos alunos que passaram por suas edições.

De acordo com CESA, o Projeto já reúne importantes reconhecimentos como: foi vencedor da 18ª edição do Prêmio Innovare (2021), na categoria advocacia; X Prêmio Dr. Benedicto Galvão, da Comissão de Igualdade Racial da OAB-SP (2021); Selo Municipal de Direitos Humanos e Diversidade, da Prefeitura de São Paulo (2021-2022); Prêmio de Iniciativa para a Diversidade, da publicação Latin Lawyer (2018).

O projeto começou com a Universidade Mackenzie, em seu campus Higienópolis, e hoje já está presente na unidade de Campinas dessa universidade, além de estar na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo – USP, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro- PUC/RJ e na Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e  com projetos de expansão para o Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia.

Confira abaixo a entrevista feita com os organizadores do projeto, representantes de alguns dos principais escritórios que o adotaram e alunos participantes:


Entrevista com Diana Salazar, Coordenadora de Filantropia e Beneficência na Universidade Presbiteriana Mackenzie.


Diana, qual foi a mola propulsora que deu início ao projeto, como ele surgiu?

Jade, o projeto tem um compromisso de transformação e de promoção da justiça social, fornecendo desenvolvimento educacional e pessoal para que jovens negros e negras participem em condições de igualdade nos processos seletivos.

Surgiu na época em que Carlos Jose, presidente do CESAR quando o projeto foi desenvolvido, ao ser perguntado sobre o número de negros nos escritórios, percebeu que menos de 1% dos membros dos escritórios eram negros, o que incluía sócios, associados e estagiários. A partir disso, a demanda foi trazida para a área de responsabilidade social do Mackenzie, que como ponto de partida realizou pesquisas para constatar o porquê de tais alunos não conseguiam ingressar nesses escritórios de renome.

Com os estudos, observamos que os alunos nem participavam dos processos seletivos, a questão não é que eles não passavam, mas, sim, que eles nem chegavam a se candidatar às vagas por terem em mente que não passariam, já que não se viam capazes para isso.

Então, começou com a percepção do CESSA em relação ao quadro societário, depois buscaram o Mackenzie pela universidade ter uma expertise na elaboração de projetos. A partir daí começou a se construir a proposta que permitisse oportunidade aos alunos.

Diana, de acordo com o site do CESA, muitos dos jovens estudantes jamais tinham elaborado um curriculum escolar, ou desconheciam a dinâmica de um processo seletivo, por serem, muitas vezes, os primeiros de um núcleo familiar a ter acesso a um curso universitário e não terem quem os orientasse sobre essas questões. Quais brechas o projeto buscou fechar?

A construção do projeto passou a ser baseada nisso, focando nas eventuais necessidades dos alunos, como o inglês, idioma muito demandado pelos escritórios, além da questão do pertencimento e do lugar de fala, concedendo conhecimento necessário para que o estudante possa adquirir a autonomia, o que lhe confere confiança.

Após entender o cenário através dos estudos realizados, o olhar se voltou para a academia do Mackenzie a fim de recrutar pessoas para construir essa parte inicial do projeto, entre os convidados que nos auxiliaram estão Silvio Almeida e Adilson Moreira. A proposta inicial era fazer um curso que visava preparar os jovens para o processo seletivo, a fim de que, com seu próprio esforço e conhecimentos adquiridos, a vaga fosse conquistada.

O conteúdo programático foi pensado como alvo de tornar o estudante capaz de participar de qualquer processo seletivo, uma vez que a questão técnica, ou seja, o ensino do Direito da Universidade é indiscutivelmente de qualidade. Dessa forma, a problemática do ingresso não abarcava a questão técnica, mas havia outras lacunas a serem identificadas e tratadas.

Vimos como funcionava os processos nesses escritórios, que tinha a avaliação técnica, redação e entrevista. Pensando nesse cenário, partimos do autoconhecimento, por isso, o teste Quati realizado no Incluir, para que, a partir desse autoconhecimento, seja possível elaborar um plano de desenvolvimento pessoal que auxilie no foco e no alcance dos objetivos almejados. Pensamos na simulação de entrevista, no coaching de imagem, ensinando a como se portar e a vestir no ambiente corporativo. Olhamos, também, para a comunicação, pois ela não se resumia apenas a escrita, mas havia as entrevistas e dinâmicas de grupos que envolvia a argumentação e oratória. Além de pensarmos nas questões raciais, já que é necessário ter claro o conhecimento de que existe o racismo estrutural, de que haverá muitas dificuldades só por causa da cor da pele e, por isso, o projeto busca preparar a forma de como você pode se posicionar e combater isso, mas com uma forma resiliente, assertiva de se posicionar diante desses entraves.

Diana, como você resumiria a ideia central do projeto?

Eu posso dizer que a ideia do projeto está em responder à questão: do que se precisa para participar do processo seletivo?

Preparamos os alunos para processos seletivos e se antes tinha aquela percepção de “ah, aquele escritório não é pra mim, não pertenço aquele mundo”, estamos aqui para dizer que “sim, vocês pertencem, se tem alguma defasagem nós, com os módulos, acreditamos que podemos suprir e que, sim, vocês devem ocupar esses espaços também”. Então, nosso papel como projeto é até a porta de entrada. Fornecemos a preparação que vocês precisam para entrar, o mentor auxilia na preparação para lidar com o ambiente profissional, mas, como te disse, depende da desenvoltura do aluno aplicando tudo o que aprendeu.

Nós buscamos mudar essa percepção: não apenas de vocês consigo próprios, mas com os escritórios.

Realmente Diana, um ponto relevante destacado pelo CESA é o de que foi constatado que os próprios escritórios não tinham consciência da abissal desigualdade e do racismo estrutural que marcam nossa realidade social. Como foram os testes do projeto?

O primeiro grupo foi bem reduzido e a partir deles percebemos algumas necessidades, como a própria mentoria. Ela é resultado de uma demanda que percebemos, porque quando você não está no ambiente de trabalho, nunca estagiou, você tem, naturalmente, muitas dúvidas. Então, seria muito legal para os alunos ter esse contato com alguém já experiente e inserido na área para poder aconselhar.

E quando você tem um mentor, ele não vai te dar o caminho das pedras, mas vai te fazer refletir sobre como você poderá buscar alternativas para sua carreira. O mentor se torna um ponto de confiança que vai ajudá-los nessa trilha e no desenvolvimento de vocês. E através dos mentores conseguimos localizar possíveis déficits e resolvê-los, mapeando as eventuais necessidades surgidas.

No início, o projeto tinha sido pensado para ser realizado durante um ano, aos sábados intercalados, mas à medida que foi passando, percebemos que estava muito extenso e alguns alunos precisavam se inserir rapidamente no mercado de trabalho por necessidade pessoais, além de que os escritórios iniciavam os processos no meio do ano. Enfim, para conciliar, com a chegada da pandemia, reduzimos para 1 semestre todos os sábados e percebemos que deu tudo certo.

Nós sabemos que fica um pouco pesado, mas que a recompensa pelo esforço desses 6 meses é certa, porque vocês estão muito bem preparados.

Diana, no início das edições, como na primeira, não tínhamos a quantidade de escritórios participando, como temos hoje. Hoje temos 27 escritórios, como foi o alcance desses escritórios?

Jade, é muito legal que mais e mais escritórios tenham aderido ao projeto e comitês de diversidade tenham sido desenvolvidos nesses escritórios, muitos devido ao Projeto Incluir Direito, quando se percebeu a necessidade de discutir e diversificar.

O CESA (Centro de Estudos das Sociedades de Advogados) é uma associação com mais de mil escritórios pelo Brasil. Para iniciar o projeto foi selecionado 9 escritórios com visões similares a ideia inicial que tínhamos.

Conversamos com esses 9 e expusemos a ideia, depois selecionamos 10 alunos. Deu-se um piloto, a fim de testar tudo o que planejamos para ver o que daria certo e o que precisava ser melhorado.

E com isso mais escritórios foram aderindo, sendo um trabalho realizado pelo Cajé.


Entrevista com os escritórios mais renomados do Brasil


Confira na integra o depoimento de cada representante nos respondendo como tomaram conhecimento do Projeto, o porquê de ter aderido e o ano em que aderiram:


Entrevista com alguns dos alunos participantes


Confira abaixo alguns alunos que passaram pelo projeto nos contando parte de sua experiência com o Incluir Direito:

O Projeto incluir Direito tem promovido a mudança gerando a equidade racial através de sua intervenção, com isso, tem sido a mudança que esperamos acontecer.

confira abaixo todos os escritórios que aderiram ao projeto e apoiam essa causa:

Publicado por Jade Gomes de Souza


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