por Ana Carolina Felix e Letícia Juang

Dando continuidade à nossa coluna de apresentação dos professores, hoje o protagonista da “Quem Dá Essa Aula?” é o Professor Luiz Gustavo Friggi Rodrigues, mackenzista de formação, coração e alma. 

Graduado, Mestre e Doutor em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, é professor de Direito Empresarial na Universidade Presbiteriana Mackenzie e no curso de Especialização em Direito Empresarial das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Além disso, é membro da Comissão Permanente de Direito Falimentar e Recuperacional do Instituto dos Advogados de São Paulo e advogado em São Paulo.

Em 2018, retornou aos mesmos famosos tijolinhos vermelhos, dessa vez lecionando Direito Empresarial e Processual Empresarial. Sendo um dos responsáveis por apresentar o mundo do Direito Empresarial aos alunos, o professor Luiz Friggi tem como principal característica a humanidade e o cuidado durante as aulas, garantindo que todos se sintam acolhidos e abraçados — mesmo que não possuam a maior afinidade com o conteúdo. Com seus memoráveis planos de fundo mackenzistas para as aulas à distância, o professor também traz consigo histórias do seu tempo de estudante, instigando, assim, o espírito mackenzista em quem está do outro lado da tela.

E é nesse contexto que o JP3 teve a honra de entrevistá-lo no início de maio, perguntando-lhe acerca de sua acadêmica e profissional e, como sempre, o professor nos atendeu de maneira extremamente solícita e acessível. Gostaríamos de agradecer mais uma vez ao professor Luiz Friggi por ter topado conversar conosco e convidar todos vocês, nossos caros leitores, a ler esse papo leve e agradável que foi nossa entrevista.

1) Professor, o senhor não só leciona na Universidade, como também tem uma respeitável trajetória na área do contencioso cível. Gostaríamos de começar perguntando o que veio antes: a decisão pela advocacia ou pelo magistério? E como se deu essa escolha? 

O que veio antes foi a decisão pela advocacia. Eu sou aluno do Mackenzie, fiz a graduação em 1998, e o gosto pelo contencioso começou na experiência do estágio. Eu fiz estágio — na época não existia Defensoria Pública no estado de São Paulo — em um ramo da procuradoria do estado que fazia a assistência para os necessitados, que era a PAJ, naquele prédio da Liberdade, 32. Hoje é defensoria lá. 

Ali eu comecei a fazer estágio com uma procuradora. Era um ambiente muito propício para aprender, havia muito trabalho, muita necessidade de uma participação efetiva de todos e os estagiários — eu era estagiário com a carteirinha oficial, eu tinha uma carteirinha vermelha — e, realmente, a gente lidava com todos os aspectos do processo. A gente fazia uma área muito específica: a Fazenda Pública. Eram processos contra o Estado, às vezes um erro médico de um hospital público ou algo que aconteceu na escola pública, ou algo nesse sentido, então, a gente atendia. E lá eu comecei a ter contato com as pessoas que precisavam de advogado — público, no caso, sem custo — e [percebi] como é importante o papel do advogado no auxílio da prestação [da justiça]. O advogado, como diz a Constituição, é essencial à justiça — [isso] não é mentira. Então, [notei] a importância principalmente [para] aquelas pessoas que não tinham condições de pagar. Hoje sou um advogado de um escritório grande, com clientes com muitas condições de me pagar, mas comecei minha trajetória ali, tomando gosto pelo contencioso dessa forma: vendo como a advocacia é importante para as pessoas. Então, lá comecei a ter na cabeça o pensar como um processualista, pensar como um advogado que vê o processo como um conjunto de elaborar estratégias, de definir o que vai ser, no momento [em] que vai. Enfim, eu fui tomando gosto [pelo contencioso] ali.

Depois disso, pouco depois que me formei, fui trabalhar no jurídico de um banco e fiquei dois anos, [mas] não era muito a minha praia — era no contencioso mas não era na atuação direta. [Eu] era muito novo e percebi que aquilo não era muito do meu gosto e acabei voltando a trabalhar com escritório. Comecei em um escritório pequeno, formado por advogados desse banco que tinham saído, e depois comecei a ir para escritórios maiores. Depois disso fui trabalhar no Salusse Marangoni e hoje estou há quase 13 anos no Lacaz Martins, onde sou sócio e atuo na área do contencioso empresarial.

2. O senhor tem alguma dica para os alunos que pretendem seguir na área de empresarial? E para aqueles que ainda não se apaixonaram por ela?

Eu lembro que falei pra vocês e para todas as turmas que tem muitas áreas apaixonantes no Direito, como Direito Penal, Direito Constitucional, Direitos Humanos ou áreas novas até, que despertam nos alunos, principalmente os dos primeiros semestres, um sentimento de identificação com o curso, o que é importante. [Porém], a área empresarial, seja na área consultiva ou na área contenciosa, acaba absorvendo muito dos alunos no mercado de trabalho, justamente por oferecer um mercado grande àqueles que decidirem advogar e atuar [na área de empresa]. Existem grandes escritórios, centenas, milhares de empresas que vão precisar do trabalho, às vezes como trabalho interno ou um escritório de trabalho externo. 

Enfim, voltando à pergunta, o momento de identificação, às vezes, pode demorar para um acadêmico de Direito. Isso é bem natural, eu também não me encontrei [cedo]. Na verdade, eu me encontrei mais para o final mesmo, lá no meio do quarto ou quinto ano que comecei a definir o que eu gostaria de fazer. Cheguei a pensar em advogar no Direito Penal, fiz atendimento na área criminal durante um tempinho, mas vi que não era muito minha área, apesar de eu gostar e também ser contencioso — mas de uma outra natureza. 

E pra quem já sente inclinação [para a área], para quem já gosta da matéria, o que eu recomendo é que tente entrar em um contato maior com a prática. Se não for nesse ano, no próximo [por conta da pandemia], buscar fazer um estágio dentro de uma empresa ou dentro de um escritório de advocacia para ver realmente na prática se o desenvolvimento daquela atividade é aquilo que [você espera]. Às vezes a gente tem uma imagem de algo e a concretude não é o que a gente espera. O que eu digo é que, se possível, entrem em contato direto e, lógico, com a orientação de outros advogados mais experientes. A gente vai sempre sendo apadrinhado por advogados que vão nos ensinando os caminhos das pernas, vão mostrando como é. 

Isso foi um caminho longo pra mim também, às duras penas. E é isso que eu indico pra vocês, ter um contato realmente e não ter vergonha de, se não for aquilo que você esteja buscando, mudar. Se acha que já conheceu o suficiente e não é aquilo que vai seguir, parta para outra. Vocês estão numa época em que ainda é possível experimentar, é o momento certo para fazer isso, depois é que vai ser mais difícil mudar, trocar de área, enfim, seguir um outro caminho. Experimentem agora que vocês têm condição de mobilidade. Mas, é claro que vou sempre defender o meu lado. O direito empresarial ou, especificamente, o contencioso empresarial é uma área muito rica, então quem tem interesse vai estar sempre vendo coisas diferentes. O direito empresarial é muito amplo e  muito pouco repetitivo nesse sentido [de trabalho a se fazer] e isso realmente empolga o dia a dia do trabalho.

3) Como você acredita que a pandemia vai impactar o mundo jurídico — pensando não somente nos processos e nas sessões judiciais, mas também na própria faculdade de Direito (que é onde tudo começa) — em especial, na sua área? 

Na minha área, especificamente, acredito que neste ano e no próximo é que a gente vai sentir realmente o impacto da pandemia. Em 2020 houve uma diminuição drástica da atividade econômica e a pandemia, por conta da restrição de circulação e de contato, [obrigou] muitos serviços a deixarem de ser prestados, muitos estabelecimentos fecharam. As grandes empresas conseguem ultrapassar momentos de crise com reservas, com meios para se preservar e depois voltar com a atividade econômica normal, mas os pequenos [não] — e o impacto vai ser e está já sendo sentido nos pequenos e médios, principalmente. Muitos dos pequenos não vão conseguir superar essa prolongada crise e vão encerrar atividade econômica, o que é ruim porque diminui a oferta de emprego, diminui a geração de renda, diminui o recolhimento de impostos e são espaços que ficam desocupados — [afetando] pessoas que viviam da locação de imóveis. Então isso gera um efeito cascata em toda a atividade econômica e a gente não sentiu muito em 2020, está começando a [se] sentir agora e acho que isso vai se prolongar por muitos anos ainda, os impactos da pandemia. No direito empresarial, isso reflete o que: no direito da empresa em crise — muitas recuperações judiciais estão sendo pedidas. 

Cabe também um papel importante ao Estado de auxiliar incentivos, linhas de créditos, programas protetivos do pequeno empreendedor para que isso não aconteça, então tem uma responsabilidade estatal também além do que o Direito pode atualmente oferecer. O Direito [vem] buscando [proteger os mercados], por exemplo, no mercado de turismo e eventos foram editadas medidas provisórias e leis que vieram a, de certa forma, proteger esses mercados, esses agentes econômicos, porque senão eles iam quebrar. Então leis que já existem ou que venham a ser editadas são importantes também, mas dentro de um equilíbrio que respeite a posição do consumidor e que venha a conseguir proteger o agente econômico nos mais variados mercados. 

Em relação à faculdade, o impacto foi que todos os cursos viraram EAD e tiveram que se adaptar de forma muito célere a essa realidade. Eu acho que cada faculdade, cada curso, cada professor se adaptou de um jeito, porque, principalmente no Mackenzie, no curso de Direito, eu não estava treinado para fazer EAD e imagino que poucos tivessem treinamento para dar aula em EAD, e a gente teve que correr atrás, se adaptar e colocar nessa forma de comunicação a mesma eficiência esperada em sala de aula. 

A gente nem sabe o que tá acontecendo com outros professores, outros cursos… A gente acaba cuidando de si. A faculdade dá apoio, muitas orientações e ajuda nesse sentido, o Mackenzie foi excelente nesse tocante, colocando à disposição dos professores muitas ferramentas e formas de auxílio. Eu tentei entregar para vocês aquilo [a qualidade esperada em sala de aula] ou às vezes até melhor, porque eu sou professor há mais de 11 anos e assim como vocês alunos vão evoluindo a cada semestre, o professor evolui a cada semestre que leciona. Não tenho vergonha de dizer que não sou o mesmo professor do ano passado, retrasado e muito menos de 2010. Então, a técnica, o aperfeiçoamento e a forma de entender vocês e os olhares dos alunos melhoram. 

Por isso, nesse ponto, às vezes o EAD é ruim, porque a gente perdeu o contato visual com os alunos, né? Eu entendo que não queiram abrir a câmera, o que às vezes até é bom por conta da tal da largura de banda — para a qualidade da chamada não cair, comprometendo a comunicação durante a aula — e tem a questão da privacidade e preservar o local onde está o aluno. Eu não tenho nenhum problema quanto a isso, mas a questão é que a gente perde o contato visual. Na sala de aula, eu conseguia olhar para um grupo de alunos ou para algum aluno me olhando torto e eu sabia que ele não tinha entendido, e mesmo que ele tivesse timidez ou vergonha de dizer, eu parava e voltava naquele ponto ou perguntava e a pessoa acabava dizendo. Aqui, pelo aplicativo [plataforma Zoom], não dá para fazer isso. O aluno tem que se manifestar por microfone ou perguntar pelo chat, só assim eu sei quando ele tem alguma dúvida ou não entendeu parte da matéria. 

Vai haver um certo prejuízo da falta do ambiente, da falta de acesso à biblioteca, da interatividade, da comunicação imediata, assim como a gente tem prejuízo aqui no escritório. Nós perdemos isso também no âmbito profissional. Para mandar um áudio, uma mensagem no WhatsApp ou um e-mail, você pensa duas vezes e tenta resolver primeiro sozinho. Não tem aquela coisa de passar na mesa do seu colega de faculdade ou de trabalho e perguntar o que ele acha disso, fazer um comentário e expor uma ideia ou uma opinião. 

Na época em que eu cursava a faculdade, se isso [pandemia] tivesse acontecido, ia ser um desastre, iam ser semestres perdidos de verdade. Mas a gente não perdeu o semestre, nós conseguimos dar a matéria, nós temos uma plataforma com vários materiais e com aulas gravadas. A gente não teve prejuízo na faculdade — não tivemos prejuízo de conteúdo, eu acredito. Pelo menos na minha matéria aqui [em EAD] foi dado de uma forma satisfatória, da mesma forma que eu daria pra vocês em sala de aula. Agora, os semestres mais adiantes tiveram prejuízos, porque, por exemplo, a prova da OAB foi suspensa. Eles sofreram com um atraso em relação à transposição da vida acadêmica para a vida profissional deles. 

Em relação a um aspecto ligado à vida dos acadêmicos, um possível impacto pode ser arranjar um estágio, trabalhar em escritórios, já que talvez tenha havido uma diminuição na captação de estagiários durante a pandemia. Isso é um fato, né? E pode ter sofrido um impacto mesmo. 

4) Professor, o senhor sempre comenta que é mackenzista com orgulho. Gostaríamos de te perguntar: como era o Mackenzie nos seus tempos de estudante? E como é ser professor na sua alma mater? Você tem alguma história marcante que queira compartilhar? 

O que me lembra muito da minha época no Mackenzie: existia uma pessoa, um mackenzista muito famoso. Vocês sabem a origem da expressão “Isto é Mackenzie!”?¹ Que, na verdade, é um brado, é um grito de orgulho. 

O Poças Leitão era um senhor, acho que ele fez Economia ou Administração no Mackenzie, ele não era do Direito, mas ele todos os dias — ou quase todos os dias — caminhava pelo campus, caminhava pela universidade. Caminhava, caminhava, ele via os alunos e dava para ver o orgulho nos olhos dele assim… Ele parava e olhava os alunos e — acho que ele tinha uma bengala também, se eu me lembro — ele parava e bradava assim, um grito alto, dava para ouvir de longe: “Isto é Mackenzie!” E aí, continuava andando. Eu lembro muito do Poças Leitão. E uma das coisas que eu lembro é dele e desse grito que expõe, que consagra o orgulho mackenzista. É incrível como faculdade, é inexplicável. Eu não sei, não tem outra faculdade que tenha isso, esse sentimento… Se pegar as maiores de Direito de São Paulo: a Universidade de São Paulo, a PUC… eu desconheço que tenha esse [sentimento]. Os alunos da Universidade de São Paulo são muito orgulhosos de serem a melhor faculdade do Brasil, os da PUC também têm o seu reconhecimento, mas eu não vejo essa paixão pela instituição que o mackenzista tem, do símbolo, do M vermelho e de usar o moletom, de usar a camiseta. Vocês veem outras faculdades dessa forma? Tem um ou outro, mas da quantidade que o Mackenzie faz, não tem.

Na minha época, o campus era um pouco menor, tinha alguns prédios a menos — aquele prédio ali da Consolação era onde ficava a sede da Nestlé, ainda não era do Mackenzie, onde é a pós-graduação — e tem mais alguns prédios lá pra baixo, mas o campus era mais ou menos do mesmo tamanho e eu lembro que era um local onde a gente fazia amigos — como deve ser hoje — que a gente criava lá os círculos de amizade e tinha uns ambientes gostosos ali, [como] a pracinha do Direito que é na frente do Prédio 3. Na minha época não tinha direito onde vocês estão, no prédio 25. Na minha época o Direito era no prédio 3 e no prédio 4, aquele ao lado, então era muito concentrado ali. Hoje a gente tem um prédio meio longe [um] do outro, mas era muito concentrado. 

Não tinham tantas facilidades como a gente tem hoje. Onde é a praça de alimentação, era uma lanchonete só, bem grande, bem das antigas mesmo, com balcão enorme que fazia uma cobrinha de fundo — que não era lá…  assim… de grandes qualidades mas a gente frequentava —, a gente acabava muitas vezes saindo do Mackenzie para ir lá comer na Benjamin Abrahão — que eu fiquei sabendo que fechou, a padaria [original] da rua Maranhão, não a da praça de alimentação. Já existia, se não me engano, não sei se tinha esse nome, mas já existia o Borges que vocês frequentam. 

Não muda muito, gente. O aluno do Direito do Mackenzie tem essa alegria, essa satisfação de saber que está numa faculdade de excelência, não vou falar de mim mesmo, mas com outros ótimos professores, e tem a certeza de que vai sair dali preparado. O que eu posso dizer para vocês, de experiência própria, é que todos os meus colegas de Mackenzie da minha turma, dos que eu conheço e acompanhei, todos estão muito bem hoje: exercendo alguma área da advocacia; tenho um colega que é juiz, [ele] está no foro central, inclusive; tenho até colegas que não foram seguir especificamente o Direito, que viraram empresários ou administradores de empresas; tem procurador do Ministério Público Federal; tem procurador da AGU. Enfim, a gente faz grandes amigos, Mackenzie é isso… E depois não quis sair [do Mackenzie], muitos foram fazer pós-graduação em outras universidades. Eu acabei ficando, vamos dizer assim, fisicamente próximo do Mackenzie, [como] os lugares onde fui trabalhar depois, e continuando minha discência no Mackenzie. Então, no mestrado e no doutorado fui orientado pelo Professor Fabiano Del Masso, que já foi coordenador da Faculdade, acho que antes do Camillo, ele era coordenador. 

Uma coincidência da vida: o Professor Camillo — falei que passei por um banco, foi meu primeiro emprego como advogado — foi quem me contratou no Banco Alfa, aqui na Alameda Santos, no finalzinho de 1999, ele era gerente do contencioso lá. Naquela época, a gente procurava estágio e emprego no jornal — olha como eu sou velho —, no jornal, no Estadão, na Folha tinham os anunciozinhos. E aí eu mandei [para o] Professor Camillo. Eu lembro que foi próximo do Natal isso, final de ano, que eu comecei a trabalhar, porque eu lembro que a minha família viajou no Réveillon da virada de 1999 para 2000. [E] foi assim um evento… Porque tecnicamente não era a mudança do século, do século [seria] só de 2000 para 2001, mas foi um evento maior, era uma reunião super importante e eu não pude viajar, porque eu tinha começado a trabalhar no Banco Alfa — com o Professor Camillo — e [eu] não ia ter férias. Eu ia ter que estar [no trabalho] um dia antes ou depois e minha família falou “então você fica aí, nós vamos viajar”. E aí perdi. Assisti sozinho, em casa, o réveillon pela televisão — eu lembro disso até hoje —, mas porque tinha acabado de começar a trabalhar com o professor Camillo, há mais de 20 anos. E eu acompanhei também a trajetória acadêmica do Professor Camillo: quando ele ainda estava no banco, começou a dar aula na FMU e depois entrou no Mackenzie — lembro que ele ficou muito feliz quando passou no processo seletivo do Mackenzie, muito tempo atrás. Eu [o] acompanhei e nunca perdi o contato com ele.

Mais recentemente, voltaram a ter os processos seletivos do Mackenzie, abriu uma vaga no Direito Empresarial e acabou dando certo de eu entrar. Professor Rovai quem fez a entrevista comigo para me admitir como professor de direito empresarial. Ele me entrevistou e acabei conseguindo a vaga. 

Então assim, sempre em evolução como docente também. E eu gosto tanto do Mackenzie, tenho tanto respeito pela instituição e admiração que eu queria já ter uma certa senioridade como professor para entrar no Mackenzie. Não queria ter entrado no Mackenzie como professor novo, inexperiente, então eu acho que veio no momento certo, depois de quase 10 anos dando aula, eu acho que era o momento certo de eu conseguir entrar já [como] professor mais experiente numa faculdade que eu admiro tanto. Eu queria dar o melhor mesmo, eu queria retribuir aquilo que a faculdade tanto me trouxe na graduação, no mestrado e no doutorado. E, realmente, eu acho que deu certo. 

Quando os alunos vão bem, por exemplo, numa prova, quando vocês fazem uma atividade agora ou antes faziam uma prova, em que eu via ali a percepção, o entendimento da matéria, esse é o momento que eu fico feliz. Eu não tenho prazer nenhum de assinalar uma resposta errada, zero [prazer], fico, de verdade, chateado, porque eu acho que a culpa é minha. Às vezes, [penso] “será que esse aluno não entendeu essa parte da matéria?” E eu não posso deixar ninguém para trás, mesmo que não goste de direito empresarial, [é preciso ter] o mínimo de entendimento sobre o que eu estou falando. E claro que isso é algo inalcançável, é uma autoperseguição, uma autocrítica minha que não tem nem justificação, assim, querer que todos acertem tudo, mas eu fico realmente frustrado quando eu vejo que parece que alguém não entendeu. Mas de modo geral, como vocês vêm bem preparados, são todos inteligentes e muito capazes, a resposta, no contexto geral, é de felicidade, porque eu tenho provas ou atividades bem escritas, com um racional, uma argumentação madura e consistente. Isso eu falo num modo geral mesmo, lógico que tem uma ou outra diferença, claro, numa sala de 70 alunos, mas, num modo geral, vocês me surpreendem. Então assim, é gratificante ser professor do Mackenzie nesse sentido, de ter ali um terreno fértil — parecendo uma demagogia agora — para semear em vocês o ensinamento do Direito Empresarial.

[nota das redatoras¹: nós encontramos a história do Poças Leitão também no Facebook do Mackenzie! Clique aqui para conferir!]

5. Professor, nós alunos por vezes já conversamos sobre o quão interessante é o fato de você usar fotos do campus como fundo nas suas aulas. Em meio ao EAD, nós alunos temos tido maior dificuldade em se sentir parte da comunidade mackenzista. Desse modo, você teria palavras de encorajamento para o corpo discente?

Bom, a minha intenção era essa, né, de colocar fotos do Mackenzie. Então, eu procurei fotos que eu tinha no meu celular, fotos que eu tirei lá do Prédio 3 e tem também fotos do campus na internet, como a do Starbucks. Enfim, parece bobo, mas é para que vocês alunos tenham algum reflexo ou remetimento dos tempos no campus, que no caso de vocês [primeiras etapas], foi muito curto. É uma situação difícil, porque não existe substituição do ambiente presencial e da convivência dentro do campus. O que eu digo pra vocês é que mantenham-se firmes, pois estamos na fase final e a perspectiva é de que isso tudo acabe logo. No entanto, recomendo que utilizem o que for possível dos mecanismos e sistemas que a faculdade oferece — o apoio, o suporte e a biblioteca online — e mantenham o contato entre vocês por outras plataformas, entre os grupos de alunos, pelo WhatsApp, para que isso não se perca durante o período de afastamento. Guardem a expectativa de que vocês ainda têm muito caminho pela frente!

É difícil imaginar o que se passa na cabeça de vocês, porque nós nunca vivemos isso antes. Quando estava estudando no Mackenzie, eu ouvia o Poças gritar “Isso é Mackenzie!”. Tinham os jogos jurídicos, agora suspensos, e todas as outras coisas que nos faziam ficar apegados à marca, à instituição Mackenzie… Honestamente, não há muito o que substituir, só com a retomada, e temos uma perspectiva dela. Eu fico realmente chateado e compartilho do mesmo sentimento, apesar de não sentir a mesma dor quanto ao pertencimento longe da instituição. Mas tentem se manter conectados com o Mackenzie de outras formas, através dos grupos de estudo, eventos online,  webinars, enfim, vivendo a viver a acadêmica da forma que ela é hoje e aguardar que ela volte da forma que era antes.

Publicado por Letícia Juang


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