Reflexões sobre o modelo tradicional de justiça!
Por Rafaela Cury Silveira
A ideia da coluna é trazer indicações literárias feitas pelos professores da Faculdade de Direito do Mackenzie. Os livros abordados serão aqueles que os docentes consideram essenciais para a formação profissional e também pessoal dos estudantes, ou seja, podem ser obras tanto jurídicas como não-jurídicas.
Nessa edição, entrevistamos a Professora Jéssica Pascoal Santos Almeida, que leciona Teoria Geral da Pena e Prática da Dosimetria da Pena.
É de graça! Inscreva-se: http://www.alumnidireitomackenzie.com
Um livro importante para sua formação profissional?
“Trocando as lentes”, de Howard Zehr
O livro traz um importante questionamento sobre a eficácia do modelo tradicional de justiça. Para a Professora, o livro promove “uma reflexão inovadora sobre uma outra forma de pensar a justiça, a partir do paradigma restaurativo”. O autor, que é um dos pioneiros na Justiça Restaurativa, sugere um modelo que não visa a punição como fim, mas sim como instrumento para a reparação dos danos causados a partir da comunicação entre o autor do crime e a vítima, objetivando a restauração do pensamento coletivo e o fortalecimento do senso comunitário. Em um país com superlotação carcerária, altos índices de criminalidade e desconfiança em relação à segurança pública, a discussão se mostra não só relevante, mas também necessária
A obra está disponível para empréstimo na biblioteca do Prédio 45, 2º subsolo.
Um livro importante para sua vida?
“Comunicação não-violenta”, de Marshall Rosemberg
De acordo com a Professora, “o livro apresenta técnicas para aprimorar os relacionamentos interpessoais e profissionais a partir da comunicação, buscando diminuir os processos de violência que vivenciamos e praticamos, muitas vezes sem ter consciência disso”. O autor, PHD em Psicologia Clínica, não acreditava que havia algo de positivo em categorizações entre o “bem” e o “mal”, pois o juízo de valor seria uma prática apenas de culturas moralistas, e somente nelas existiria o uso de medidas punitivas. Afirma, ainda, que inúmeros antropólogos já relataram que em diversas culturas do mundo não existe a ideia de “bem” e “mal”, e que, justamente por isso, tais sociedades tendem a ser mais pacíficas.
A obra está disponível em versão eletrônica no acervo online da biblioteca, que você pode acessar aqui.
O que está lendo hoje?
“Holocausto brasileiro”, de Daniela Arbex
Um marco no jornalismo investigativo do Brasil, a obra conta, através do depoimento de ex-funcionários e sobreviventes, sobre o genocídio de 60 mil pessoas que ocorreu no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, em Minas Gerais. O centro recebia (além de pacientes com diagnóstico de distúrbio mental) homossexuais, prostitutas, epiléticos, mães solteiras, mulheres que perderam a virgindade antes do casamento, alcoólatras e todo tipo de pessoa que fosse considerada fora dos padrões sociais “normais”. O livro-reportagem faz um retrato de um dos momentos mais tristes da história do país e a Professora, que pesquisa sobre medidas de segurança, garante que “conhecer esta passagem é fundamental para repensar a questão manicomial e compreender como nossa sociedade ainda mantém instituições como esta”.
A obra está disponível para empréstimo na biblioteca do Prédio 2.
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