O Jornal Prédio 3 – JP3 inicia hoje uma nova coluna: “Direito-Mack Fora da Caixa”. O objetivo é entrevistar antigos alunos da Faculdade de Direito do Mackenzie que hoje não atuam nas chamadas carreiras jurídicas tradicionais. E não poderíamos começar melhor.

Renato Pezzotti é formado em Direito pelo Mackenzie em 1999. Morando em São Paulo, hoje é gerente de marketing da New Content, uma produtora de conteúdo, que tem clientes como a LATAM Airlines, Natura, Cielo e Electrolux. Ainda, atua no Grupo Meio & Mensagem, principal veículo sobre publicidade e propaganda no Brasil e é colaborar no site Update or Die. Na época da graduação, foi muito ligado a Associação Atlética Acadêmica João Mendes Júnior, sendo presidente em 1998 e é um dos fundadores do Comando Mackenzista.

Abaixo você confere a conversa que o JP3 teve com o Renato, um retrato de um grande mackenzista e um pedaço da história do Direito-Mackenzie.

JP3 – Conte um pouco para a gente como foi sua época no Mackenzie. Você teve bastante participação em especial na Atlética, não?

Renato – Sim. Participei da Atlética desde o meu primeiro semestre – nos Jogos Jurídicos de Presidente Prudente, em 1995, quando fomos campeões gerais. Depois, atuei como diretor de patrimônio (1996), tesoureiro (1997), presidente (1998) e vice-presidente (1999). Em 1998, tive o maior número de eleitores da Atlética no século XX. Pode pesquisar. 😉 Em 1998, também, fui um dos fundadores (e um dos maiores incentivadores, principalmente por ser o presidente da Atlética naquele ano) do Comando Vermelho Mackenzista. Naquele tempo, as baterias das faculdades eram contratadas das escolas de samba e só se reuniam às vésperas dos jogos. Juntamos meia dúzia de alunos que tocavam em algumas escolas com aqueles que não tocavam nada, mas queriam aprender, e conseguimos fundar o CVM. À época, nem era uma bateria de escola de samba – era uma torcida organizada mesmo. Tínhamos ensaios semanais, nas tardes de sábado, no saudoso Forró do Virgulino (onde hoje fica a estação Pinheiros de metrô). O pessoal ia curtir o ensaio e ficava para os shows da noite. Era quase uma segunda sede nossa. Isso fortalecia muito os laços de amizade – muitos que duram até hoje. Formamos muitos amigos com isso. E saíram até casamentos dos ensaios (e da Atlética)! Tenho muito orgulho da nossa história – comemoramos 20 anos em 2018. Ainda parece que foi ontem.

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Time de futsal das Burríadas (jogos internos dos calouros) em 1995

Fui goleiro do Futsal durante oito anos, entre 1995 e 2002. Joguei sete edições dos JJE e ganhamos quatro: em 1995, 1996, 1999, 2000 e 2001. Ente as faculdades de Direito, nosso time de Futsal era quase imbatível. Tínhamos uma excelente equipe e um ótimo técnico. Alguns nomes? Marcos Taverneiro, Caio Amuri Varga, Thiago Zioni Gomes, Luciano Greggio, Túlio Nassa, João Fernando Viera, Dênis Gamba, Ricardo Panato, Rodrigo Tótoli, Daniel Campello, Bruno Lorencini, Felipe Aranha e Leonardo Cruz, para lembrar de alguns. Vou esquecer de outros, mas é a idade.

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Time de futsal da história do Mack – Campeão dos JJE em 2000

JP3 – Quando entrou na graduação, pensava que seria o que? Seguiria alguma das carreiras tradicionais do direito, como advogado, juiz, promotor?

Renato – Na verdade, acabei prestando Direito por “livre e espontânea pressão” familiar. Não tinha muita convicção que seria advogado, mas entrou aquela questão de “que o Direito serve para tudo”. E foi a maior verdade dos meus cinco anos da Graduação.

JP3 – Durante sua graduação, você estagiou? Como foram essas experiências?

Renato – Fiz apenas o Estágio obrigatório. Descobri que não seria advogado no 3° ano, mas meus laços com a Faculdade (por causa da Atlética, principalmente) eram muito fortes. Resolvi que iria até o fim e, depois, faria outra faculdade.

JP3 – Qual momento percebeu que iria trabalhar fora das carreiras tradicionais?

Renato – Ao perceber que em algumas aulas não conseguir ficar mais do que meia hora (risos). Acabei pegando muitas DPs porque preferia ficar na pracinha do que na aula (como quase todos os alunos…). Ali também percebi que a minha escola pela área de Humanas estava correta, mas muito mais voltado para o Jornalismo e Publicidade do que para o Direito.

JP3 – Hoje você trabalha com o que?

Renato – Depois que me formei no Direito, entrei no Jornalismo – também no Mackenzie. Fiz parte da primeira turma do curso na nossa Universidade. E sempre fui jornalista: fui editor do Meio & Mensagem, principal jornal sobre publicidade e propaganda do País e, de lá, migrei para a atuação em agências de publicidade, trabalhando sempre com eventos e marketing esportivo. Trabalhei um ano na 9ine Sports, como assessor de imprensa da agência e de seus clientes, como o Ronaldo Nazário e o Anderson Silva. Até o meio do ano passado, fui diretor de redação da Norte Marketing Esportivo (que publica a Revista O2, de corrida de rua). Desde agosto de 2017 atuo como gerente de marketing da New Content, uma produtora de conteúdo, que tem clientes como LATAM Airlines, Natura, Cielo e Electrolux, entre outras marcas. Também escrevo para outros veículos como freelancer, sempre sobre propaganda, publicidade e marketing esportivo.

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Cobertura dos Jogos Olímpicos de Londres (levando o Mackenzie no peito)

JP3 – Como foi a passagem entre o mundo do direito e o mundo “fora do direito”?

Renato – Não tive essa “passagem”, mas sempre tenho que explicar o que exatamente faço para os meus amigos advogados. A maioria demora para entender (risos).

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Cobertura dos Jogos Olímpicos de Londres (levando o Mackenzie no peito)

JP3 – Como suas habilidades adquiridas com o curso de direito te ajudam hoje?

Renato – Principalmente em relação a lidar com pessoas – e ser correto, sempre. A faculdade de Direito nos força (ou forçava, pelo menos na minha época) a isso. E a faculdade também me obrigou a ler muito, o que me ajudou agora, quando terminei meu Mestrado em Comunicação e Consumo na ESPM. Para a área de comunicação, o Mestrado tem um perfil muito acadêmico para quem está no dia a dia de concorrências, entregas e jobs. Me ajudou muito nessa última iniciativa. Além disso, eu fiz muitos amigos na época do Direito – inclusive de outras universidades, “inimigos” de JJE. Tenho amigos muito queridos até hoje que falo sempre, principalmente da PUCCAMP e da Sanfran. Inclusive, costumo até ir a eventos comemorativos das faculdades. As amizades foram o maior “legado” dos anos do Direito.

JP3 – Conte um pouco sobre como é o seu dia-a-dia na empresa?

Renato – Tenho um dia a dia bem diferente do trivial. Meu acordo com a New Content prevê minha presença física somente dois ou três dias por semana na empresa. Converso muito com os sócios sobre as estratégias de divulgação da companhia, sobre as novidades do mercado (principalmente publicitário), sobre ideias para conteúdos proprietários para a empresa e para os clientes. Também tenho contato direto com os diretores de criação, que, em sua maioria, são jornalistas, sobre os atuais e futuros trabalhos de cada cliente.

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Entrevista com o Ronaldo, em 2011

JP3 – O seu exemplo, de alguém que saiu das carreiras tradicionais do direito, é cada vez menos raro. Como você vê esse movimento?

Renato – Muitos amigos da minha época deixaram o Direito e atuam em outras áreas. Acho que é um movimento natural. Mesmo na New Content temos profissionais formados em Direito que trabalham nas áreas de Atendimento e Planejamento.

JP3 – Qual conselho/dica você daria hoje para um estudante ou alguém formado em direito que, apesar de gostar da profissão, sente que gostaria de trabalhar em outro lugar? Vale a pena mudança?

Renato – Eu acho que a pessoa não deve ter medo de mudar. Já fiz duas faculdades, fiz MBA em Publicidade e agora terminei o Mestrado em Práticas de Consumo. Trabalhei em canal de TV, em jornal impresso e revista mensal. Já fui relações públicas de empresa de marketing esportivo, de agência de publicidade e de produtora de conteúdo. Para quem não tem problema em se adequar a novos desafios, com pessoas diferentes e em diferentes esquemas de remuneração, aconselho muito!

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Renato e diversos mackenzistas na Festa de 60 anos do Centro Acadêmico e da Atlética, em 2015