Depois de um período de merecidas férias, a Academia de Letras dos Estudantes da Universidade Mackenzie (ALEMack) retorna suas atividades aqui no JP3 com a publicação da sua coluna semanal, todas as segundas-feiras, abrindo as atividades da semana. Hoje, o texto é de Renan Andrade Rodrigues, aluno da Faculdade de Direito, que ocupa a cadeira nº. 13 (Patrono Nelson Rodrigues). Para saber mais sobre a ALEMack, clique aqui.

 

O desejo sepultou o amor (Diálogo)

Renan Andrade Rodrigues

 

– Estás abatido. O que queres que Eu te faça pequenino?

– Quero ficar são.

– São do quê?

– São do desejo.

– Então entendes agora?

– Entendo que o desejo sepultou o amor.

– Então precisas cultivá-lo dentro de ti, meditando na Minha Lei.

– E como farei isto?

– Sabes que tudo é vaidade, não sabes?

– Sei, é claro.

– E sabes também que a razão de tua existência não se encontra neste mundo, mas fora dele, não é mesmo?

– Sim, Senhor. Estou no mundo, mas não sou do mundo.

– Então aprendeste bem a conjugar o Verbo.

– Tu És o Verbo.

– Tal é certo.

– Mas ainda não aprendi a amá-Lo. Como o farei?

– Se não Me amas é porque não Me conheces de fato.

– Como não? É claro que O conheço.

– Acha que conheces, mas só Me vê de longe. Precisas estar junto a Mim.

– É difícil, ainda não aprendi.

– Então Eu te ensinarei, através da história de teus antepassados.

– Falas de João?

– Este mesmo, sabes bem.

– O que tem ele?

– João veio como testemunha para falar a respeito da Luz. Ele não era a Luz, mas veio para que testificasse D’Ela. Veja que o Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio Dele, mas o mundo não O conheceu. Veio para o que era Seu, e os Seus não o receberam. Assim como você não Me conhece de perto, e não Me recebeu de todo teu coração. Do contrário aprenderia e provaria do Meu amor, que é perfeito, puro e agradável.

– Mas quem era essa Luz? Como posso conhecê-lo e aceitá-lo?

– O Verbo se fez carne e habitou no mundo, cheio de graça e de verdade, e vós pudestes ver a Sua glória, glória como do unigênito do Pai, e este é o Meu Filho. Aceitando Ele, tu também Me aceitas.

– A Luz é Teu Filho?

– Ele veio como Cordeiro, que tira o mal do mundo. Lembras do João que falávamos?

– Pois bem, João sabia que Ele vinha depois dele, contudo já existia mesmo antes dele.

– Não compreendo. Como podes alguém nascer depois e existir antes?

– Não percebes que Ele é o Cordeiro? Ele estava no princípio!

– Ainda é muito confuso.

– Pois bem, explicarei então. O Meu Filho já existia no princípio, Ele é Aquele que se senta à Minha destra, e por Ele vocês puderam ser salvos.

– Agora entendo. Então o amor é a salvação?

– Bom, em parte sim. Mas a salvação é efeito do amor, não causa. O amor em primeira instância é o cumprimento da Lei, o qual é causa da salvação. Mas para que houvesse salvação foi necessário sacrifício. O Meu amor por vós foi muito grande, de tal sorte que Eu dei o Meu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna. O mundo então foi salvo por Ele, pois a Luz veio ao mundo.

– Agora que me ensinastes eu percebo. Vejo então que Teu amor nos salvou.

– Sim, agora vocês são chamados de filhinhos, e podem se aperfeiçoar no meu amor.

– Obrigado Senhor, pois agora em Ti não só entendo, mas também posso viver feliz no Teu amor.

– Veja pequeno, a vida feliz ocorre quando aquilo que é o Bem Supremo do homem é amado e possuído. O amor está para o desejo como o gostar está para o querer, como o dar está para o ter. E isso significa, se você entendeu, que o amor é fundamentalmente altruístico e generoso, enquanto o desejo é fundamentalmente egoísta e ganancioso. Viva no Meu amor, e Eu o aliviarei.

– Tudo faz sentido agora.

– O verdadeiro sentido é este: não desejes para amar, antes ame para que desejes. Pois o desejo é muitas vezes embriagado, instintivo, e sempre procura aquilo que falta. Mas o amor não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita. O amor tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O verdadeiro amor é quando você se entregas mais à tua pessoa amada do que em se esforçar para atraí-la para si. O amor é quando tu queres mais o bem dela do que o teu próprio bem.

– Estou grato Pai, grato a Ti que me ensinaste o verdadeiro amor. Pai…?

– Diga pequeno.

– Já não estou mais abatido.

– Agora estás são. Sabes do que mais?

– O quê?

– O Meu amor te curou e isso já basta, pois o Meu amor dura para sempre e nada será capaz de te separar de Mim.

– Sem Ti nada disso teria acontecido, mas Tu me achaste e trouxeste esperança à minha alma.

– Então apresse-se a falar do Meu amor, pois neste mundo só vemos o desejo. Como tu bem disseste, o desejo sepultou o amor. É chegada a hora de revivê-lo.

 

Fim

 Dedico este texto em memória da minha querida e amada avó, Hiroita Meneses, que humildemente tomou a sua cruz e a suportou, com a fé, a esperança e o amor, buscando as coisas lá do Alto, mirando no alvo que é Jesus Cristo, seu único Rei e Salvador.

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