A partir da última segunda (23/10), a Academia de Letras dos Estudantes da Universidade Mackenzie (ALEMack), instituição fundada em 1956, passou a ter uma coluna semanal no JP3. Toda segunda-feira, um acadêmico publicará um texto abrindo os trabalhos da semana. Hoje, o JP3 publica o texto de Clara Perin Bressan, estudante da Faculdade de Direito que ocupa a cadeira nº. 33 (Patronesse  Cora Carolina). Saiba mais sobre a ALEMack clicando aqui e curta a página no Facebook (aqui).

 

Sobre incertezas e futuro

Clara Perin Bressan

Há alguns meses eu estava olhando no meu Facebook e me deparei com um anúncio interessante. Era de uma agência que organizava intercâmbios de voluntariado mundo afora. Como sempre tive interesse em fazer voluntariado, mas nunca tive a oportunidade, me inscrevi no cadastro da agência. Porém, como tudo na internet é efêmero, não achava que aquilo poderia ir para frente tão rápido, imaginei que fosse demorar ou que talvez eu nunca obtivesse uma resposta. Para minha surpresa, menos de uma semana depois, uma funcionária da empresa entrou em contato perguntando qual era o meu campo de interesse no voluntariado e se eu estaria disposta a conversar com ela sobre os projetos.

Bem, eu fui ao encontro dela em uma reunião, conversei sobre os projetos e, em menos de duas semanas depois, já tinha definido para onde iria e quando eu iria. Talvez porque tenha sido tudo muito rápido, fiquei muito em dúvida se eu deveria mesmo fazer aquilo. Afinal, eu viajaria para um país que eu nunca tinha visitado na vida, ficaria em um lugar totalmente desconhecido e trabalharia com algo que eu nunca trabalhei antes. Somaram-se a isso alguns fatores da minha vida aqui: eu passaria o Natal e Ano Novo fora, demoraria mais tempo para tirar a minha carta de motorista entre outras coisas.

Nesse meu turbilhão de dúvidas e indecisões, de vou ou não vou, eu percebi algo muito importante. A tendência do ser humano, de um modo geral, é de se arrepender do que não faz. Claro, sempre existem aquelas coisas que fazemos e logo depois, percebemos que não deveríamos ter feito ou que não deveríamos ter feito naquela hora ou daquele jeito. Mas eu acredito que a maior causa do arrependimento é o “e se”. E eu tivesse dito “eu te amo” para aquela pessoa naquela hora? E se eu tivesse aceitado aquele emprego? E se eu tivesse ido naquela viagem?

Foi assim que eu decidi que eu deveria ir. Como meus pais bem me lembraram depois: afinal, essa tinha sido uma iniciativa completamente minha. Em outros momentos eu havia feito algumas coisas talvez por pressão da minha família ou por uma pressão que eu própria colocava em mim mesma. Entretanto, essa atitude foi diferente, era uma vontade minha de ir. Como eu poderia desistir disso por medo?

Portanto, essa é a lição que todos nós devemos tirar: não pense muito sobre o futuro. Sempre reflita antes de tomar uma decisão, óbvio, mas depois que se decidir, não mude muito de ideia. Meu pai sempre diz: “Tome uma decisão e siga com ela, sem refletir muito”. Evite pensar no “e se”. Quando aparecer uma oportunidade incrível para você, não a jogue fora, pois ela pode nunca mais voltar. E talvez seja melhor se arrepender do que fez, nesses casos, em vez do que não fez. Afinal, nós só temos uma vida. Essa frase é clichê, mas é verdade.