Formada pela Faculdade de Direito do Mackenzie em 2012, Talita Marchione estuda hoje no Instituto Max Planck, em Munique, uma das mais importantes e respeitadas instituições de ensino da Alemanha. Abaixo, você confere a conversa que o JP3 teve com a mackenzista.

JP3 – Primeiro, conte-nos um pouco do que mais lembra de legal da época do Mackenzie? Ainda mantém contato com o pessoal da sua época?

Talita – Eu sempre estudei no período noturno e comecei a fazer estágio logo no primeiro semestre do primeiro ano. Lembro que não era nada fácil conciliar as duas coisas, principalmente porque o Mackenzie era muito exigente em relação aos estudos e presença nas aulas. No entanto, considero que essa época foi uma das melhores fases da minha vida. Mesmo cansada após um dia todo de trabalho era prazeroso ir ao Mackenzie encontrar os meus amigos e ter discussões muito interessantes durantes as aulas. Considero que a maior parte dos professores que me deram aula eram excelentes e conseguiram transmitir o conteúdo que utilizo até hoje. Por óbvio, não há como não lembrar das festas e dos jogos jurídicos. Eu fiz grandes amigos no Mackenzie e mantenho contato com eles até hoje.

JP3 – Por qual motivo decidiu ir estudar fora do país?

Talita – Eu decidi fazer um mestrado fora do país, pois sempre tive vontade de estar em contato com outras culturas e me dedicar um ano inteiro apenas aos estudos, conhecendo professores renomados mundialmente e aprendendo um pouco mais sobre as leis aplicadas em outros países.

JP3 – Como se deu a escolha pelo país e pela instituição de ensino?

Talita – Eu trabalho no Demarest há 8 anos e lá tive a oportunidade de trabalhar com Propriedade Intelectual. Eu acabei me apaixonando por essa área e comecei a pesquisar mais sobre as melhores faculdades que possuíam cursos específicos nessa área. Foi aí, então, que, após muitas pesquisas e conversas com professores e sócios do meu escritório, constatei que o Munich Intellectual Property Law Center (Max Planck) é uma das melhores instituições do mundo com foco em Propriedade Intelectual. Além disso, optei por essa instituição, pois, no tocante a essa aérea, o direito europeu se aproxima muito mais das leis brasileiras do que o direito americano, assim, poderei utilizar no futuro tudo aquilo que estou aprendendo.

JP3 – Como foi o processo seletivo para ingresso?

Talita – Em primeiro lugar, é necessário tirar uma ótima nota no TOFFEL ou no IELTS nos casos de cursos lecionados em inglês. Além disso, são necessários os seguintes documentos: (i) diplomas traduzidos, (ii) históricos escolares (iii) currículo; (iv) carta de motivação, e (v) no mínimo, duas cartas de recomendação, sendo que uma delas precisa ser necessariamente de um professor da graduação. No meu caso, eu submeti duas cartas acadêmicas (uma de um professor da graduação e outra de um professor de pós-graduação) e uma carta profissional.

JP3 – O Instituto Max Planck é uma das instituições de ensino mais respeitadas do mundo, conte-nos um pouco da instituição?

Talita – O Instituto Max Planck é uma organização independente alemã de pesquisa científica sem fins lucrativos, fundada pelos governos federal e estadual. A Sociedade Max Planck é mundialmente conhecida como uma instituição de ponta no campo da pesquisa científica e tecnológica. Em 2006, a classificação da Times Higher Education Supplement de instituições de pesquisa não-universitárias (baseada em revisão por pares acadêmicos), colocou-a no primeiro lugar no mundo em pesquisa científica, e em terceiro lugar em pesquisa tecnológica. O Munich Intellectual Property Law Center é um projeto do Max Planck direcionado especificamente à área de Propriedade Intelectual.

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JP3 – O que vem sentindo de mais diferença entre o ensino no Brasil e na Alemanha?

Talita – A maior diferença entre o ensino no Brasil e na Alemanha é a preparação para as aulas. É obrigatório a leitura prévia dos textos disponibilizados pelos professores antes das aulas, já que estes são discutidos e indagados aos alunos pelo professor. Normalmente, os textos são bem extensos e o ideal é também ler a bibliografia complementar. Além disso, diversas matérias são lecionadas durante o semestre e por diferentes professores. Por fim, as provas são muito mais extensas e duram cerca de 5 horas, abordando todas as aulas relacionadas a um determinado assunto.

JP3 – Como vem sendo a adaptação a um novo pais?

Talita – No começo, a adaptação foi um pouco complicada, pois eu tive que entender os costumes dos alemães que são bem diferentes do Brasil, bem como me adaptar à língua alemã em relação às coisas do dia-a-dia. Após 2 meses morando aqui, considero que estou bem adaptada, mas a cada dia aprendo algo novo.

JP3 – Qual conselho/dica daria para quem tem interesse de estudar fora do país?

Talita – Acredito que o ideal é que a pessoa tenha um ótimo relacionamento com os professores e profissionais que no futuro darão as cartas de recomendação para o ingresso na faculdade, bem como procure estudar para tirar o quanto antes os certificados da língua a ser lecionada no curso que pretende fazer. Além disso, é importante realizar um planejamento financeiro para os casos em que não são concedidas bolsas de estudo.