Por Larissa Sousa

A primeira impressão que tive quando li o título dessa obra  foi de que seria mais um daqueles livros para jovens adultos retratando a autodescoberta. Foi então que vi que a autora de tal livro é Elena Ferrante, a mesma autora da tetralogia napolitana “A amiga genial”, “História do novo sobrenome”, “História de quem foge e de quem fica” e “História da menina perdida”. Decidi, assim, dar uma chance ao livro, sabendo do estilo de escrita único e apaixonante da autora. A primeira impressão que tive estava certa por um lado e, por outro, completamente errada. 

Trata-se, realmente, da história de uma adolescente, a personagem Giovanna, descobrindo-se e descobrindo o mundo ao seu redor, mas essa história não tem nada a ver com apenas uma história adolescente. Ela é de uma delicadeza e de uma profundidade inenarráveis. Na minha concepção como leitora, é um daqueles livros que podem ser lidos em vários momentos ao longo da vida que em cada um deles a obra terá um impacto e um significado diferente. Explico. A história de Giovanna, ambientada em Nápoles, na Itália, retrata, no início, uma pré-adolescente em sua vida cotidiana aparentemente perfeita: seus pais, sua escola, sua família e seus passatempos. 

Entretanto, não passam muitas páginas antes de diversas descobertas virarem a vida da família do avesso, sendo a primeira delas a vontade súbita da personagem de se encontrar com sua tia Vittoria, a qual segundo seus pais – suas maiores influências até aquele momento – era a personificação de tudo que há de errado no mundo. Contudo, inquieta e curiosa, Giovanna decide ir atrás de sua tia e ver com seus próprios olhos por que aquela mulher seria tão ruim quanto ouvira sua vida inteira. 

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Créditos: Editora Intrínseca

No momento em que Giovanna percebe que Vittoria não é um monstro, mas sim apenas uma mulher tentando lidar com seu passado, seus erros e suas escolhas, ela começa a se questionar o porquê de seus pais terem a mantido afastada de sua tia por tanto tempo. Assim, a pré-adolescente continua se encontrando com sua tia, mesmo com a desaprovação dos pais, descobrindo, ao longo do tempo, não apenas coisas sobre sua tia, mas sobre ela mesma e sobre sua família, as quais, gradativamente, vão “quebrando” o cenário que tinha construído em sua mente ao longo de sua vida, posto que ela descobre que ninguém, muito menos seus pais, são quem eles diziam ser. 

Então, por que ela teria de continuar sendo quem eles queriam que ela fosse? A partir desse momento, Giovanna começa uma jornada de autodescoberta, experimentando emoções e sentimentos que nem sabia que existiam, ao mesmo tempo em que, de certa forma, ainda mantém a inocência de sua pré-adolescência, ao lidar com situações que foram colocadas em seu caminho pelo passado de sua família. 

Elena Ferrante, em “A vida mentirosa dos adultos”, constrói uma protagonista feminina forte e em busca de ser ela mesma, com a qual todos nós, em todas as idades, podemos nos identificar, na medida em que não há idade em que deixamos de descobrir coisas novas sobre nós mesmos e, inevitável e independentemente da maturidade que achamos ter, precisamos aprender a lidar e a conviver com as novas pessoas que nos tornamos com o passar do tempo. Recomendo demais essa obra, principalmente em tempos como os que estamos vivendo agora, os quais exigem, cada vez mais, autorreflexão não apenas sobre quem somos, mas sobre quem queremos ser para nós mesmos e para os outros. 

Publicado por Larissa Sousa


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