Quem já passou os chamados ‘festejos de Momo” em Araçatuba ou qualquer boa cidade do interior, na época de ouro dos clubes locais e do famoso corso de rua, sabe do que estou falando. Para quem não sabe, corso identificava a investida de navios armados contra navios mercantes, especialmente espanhóis e ingleses, no período compreendido entre os séculos XVI e XVIII, para pilhagem de suas mercadorias. Daí os navios corsários que, diferentemente dos piratas que saqueavam por conta própria, atacavam os navios mercantes com a bandeira do seu reino e dividiam a pilhagem com o seu respectivo Rei, que ficava com a maior parte. Acho que o distinto leitor já viu isso por aqui e nesse século. E sem navios!

O corso carnavalesco era outra coisa e identificava o cortejo de carros abertos repletos de foliões que disputavam prosalcas batalhas armados de confete e lança-perfume! Que saudade!! Acabou e ninguém mais circula de carro aberto como antigamente. Hoje é caminhão de som com trio elétrico ou banda de axé ou funk, seguidos por milhares de pessoas alegres, alegres demais ou alucinadas. A maioria numa frenética ansiedade de se divertir a qualquer custo e de qualquer modo. Mudou muito!

Mas, em São Luiz do Paraitinga, no interior de São Paulo no Vale do Paraíba. a 171 km da Capital, cidade fundada em 1796, o carnaval ainda é Carnaval, com “C” maiúsculo. A bela cidade sobreviveu à devastadora enchente de 2010 que, tal como um tsunami, destruiu parte do seu casario colonial e antiga Igreja Mercês, que sua dedicada população reconstruiu e restaurou em 2011, prazo recorde em se tratando desse tipo de ação em nosso desmemoriado país. E para preservar seu patrimônio arquitetônico e cultural, São Luiz resolve criar regras carnavalescas bem humoradas, que chamou de “Os Dez Mandamentos do Manual do Folião”. Por exemplo: “Não é não! Respeita as minas, ô!”; ou “Folia é na rua: xixi no banheiro. Xixi na rua é ato obsceno. É imoral! É ilegal!”; ou “Folião é limpo: lixo não é no chão, lixo é no lixo”; ou ainda, “Controle sua maluquez com a sua lucidez”. E, para coroar o décimo mandamento: “Só há Carnaval porque há marchinha. Então no Carnaval, só há marchinha”. Uma beleza!! Com essas e outras São Luiz do Paraitinga, no seu Carnaval, vai controlar os vândalos, os corsários e até os piratas!!


A coluna “Cronículas” nos prestigia com diversas crônicas e textos do professor emérito da Faculdade de Direito do Mackenzie Jeremias Alves Pereira Filho, que lecionou por 40 anos no Mackenzie e foi presidente do Centro Acadêmico

Postado por Rafael Almeida

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