O fluxo imigratório pelo mundo aumenta a cada dia em países europeus e nos Estados Unidos como um todo. Mesmo com os aumentos imigratórios, há pouquíssimas pesquisas sobre os efeitos da imigração para com os países receptores. Além disso, muitas das vezes, essas literaturas que abordam esse tema, sempre têm um viés político-partidário que foca na questão eleitoral. Os poucos dados do Direito Internacional, bem como de artigos científicos de direito que falam sobre, apontam que a imigração é benéfica economicamente tanto para os países receptores, mas também para os imigrantes, individualmente.
Há muitos estudos nos quais apontam que a percepção negativa sobre a imigração, mesmo que os dados empíricos demonstram o contrário, é,na verdade, construída por um alinhamento ideológico do que por evidências empíricas sobre o tema.
O debate sobre a imigração, principalmente em contextos de eleições internacionais de grandes países europeus e, acentuadamente, nos Estados Unidos, tem sido marcado por disputas e debates ideológicos que chegam até mesmo no cidadão mais comum e simples.
Em que medida as narrativas ideológicas, principalmente da direita radical pelo mundo, se sobressaem aos dados empíricos e estudos sobre os efeitos da imigração, e o quão influenciam a opinião pública?
Mesmo sem a resposta, o autor Terri Givens, na conclusão de seu artigo “Effects of migration: political parties”, é evidenciado que a política anti-imigratória serve não só para restringir os direitos dos imigrantes nos países receptores, mas, principalmente,serve como uma oportunidade para políticos ganharem votos. Inclusive, a ascensão de partidos de direita muito se dá pela luta contra os imigrantes.
Deveria ser um absurdo as pessoas colocarem a sua ideologia acima de dados fáticos que demonstram o contrário do que se propaga. Mas, além de não ser um absurdo, é algo totalmente corriqueiro. Em termos de política, isso é comumente usado para se ganhar votos.
Uma das maiores potências mundiais, que é os Estados Unidos, com o seu atual presidente, Donald Trump, foi uma das promessas de sua candidatura e que realmente está sendo cumprida: o combate aos imigrantes.
Não se tratou apenas de uma promessa de campanha. A política de perseguição a imigrantes foi efetivamente implementada pelo governo Trump em território estadunidense. Em relato apresentado em vídeo publicado na plataforma YouTube, o advogado Ludo Gardini evidencia que, em diversas ocasiões, imigrantes — inclusive aqueles em situação migratória regular — são alvo de perseguições por agentes do governo dos Estados Unidos, conforme demonstrado no link a seguir: https://youtu.be/sZegGSycI5E?si=tZy84BO4a_anQGoP
Só a perseguição não basta. Recentemente, no último dia 07 de janeiro de 2026, um agente de imigração matou uma mulher a tiros em Minneapolis, cidade onde George Floyd foi assassinado pela polícia local em 2020. Renee Nicole Good, de 37 anos, foi assassinada dentro de um carro pelo agente; americana, mãe, poeta e escritora morreu na mesma hora do ocorrido. O Prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, afirmou que os agentes federais de imigração estão causando caos na cidade, exigindo, ainda, a retirada imediata desses agentes. Ainda afirmou que a administração municipal está ao lado das comunidades de imigrantes e refugiados.

Fonte: BBC
Diante do exposto, vemos que alguns políticos, cientes do potencial mobilizador do medo e da desinformação, optam por narrativas simplificadoras e preconceituosas não com base em fatos, mas porque tais discursos rendem capital político e votos, especialmente em contextos eleitorais polarizados. Assim, a distância entre os fatos e as decisões políticas, ou não são acidentais, ou possuem uma grande ignorância dos dados, servindo de estratégia, principalmente porque no campo da imigração, a racionalidade empírica frequentemente cede espaço à lógica eleitoral, tendo prejuízo tanto dos imigrantes quanto da própria democracia dos Estados receptores.
Escrito por Vinicius Oliveira de Almeida
REFERÊNCIAS
FONER, Nancy. The social effects of immigration. In: ROSENBLUM, Marc R.; TICHENOR, Daniel J. (ed.). The Oxford handbook of the politics of international migration. Oxford: Oxford University Press, 2012. p. 190–214.
GIVENS, Terri E. Effects of migration: political parties. In: ROSENBLUM, Marc R.; TICHENOR, Daniel J. (ed.). The Oxford handbook of the politics of international migration. Oxford: Oxford University Press, 2012. p. 153–170.
ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL PARA AS MIGRAÇÕES. World Migration Report 2024. Geneva: IOM, 2024. Disponível em: https://worldmigrationreport.iom.int/msite/wmr-2024-interactive/. Acesso em: 08 jan. 2026.
ORRENIUS, Pia M.; ZAVODNY, Madeline. Economic effects of migration: receiving states. In: ROSENBLUM, Marc R.; TICHENOR, Daniel J. (ed.). The Oxford handbook of the politics of international migration. Oxford: Oxford University Press, 2012. p. 105–130.
THOMSEN, Jens Peter Frølund; RAFIQI, Arzoo. The impact of mass-level ideological orientations on immigration policy preferences over time. Italian Political Science Review/Rivista Italiana di Scienza Politica, v. 49, n. 3, p. 279-291, 2019.
YUKSEKDAG, Yusuf. Moral cosmopolitanism and the right to immigration. 2012.
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