Em fevereiro de 2022, os até então rumores e suposições sobre os conflitos entre a Rússia e a Ucrânia se tornaram reais e sangrentos com os ataques russos à região ucraniana. Após aproximadamente 1 ano e 4 meses, o assunto se abafou nas mídias e a espetacularização criada no início da guerra passou a não ter tanta repercussão entre a população. Portanto, fez-se uma coletânea com os atuais e principais acontecimentos para simplificar o entendimento sobre a Guerra Russo-Ucraniana.
Como tudo começou?
Para sintetizar o que está acontecendo, é necessário entender como tudo começou. Aqui estão os quatro principais fatores que impulsionaram o início do conflito:
- OTAN
A possível entrada da Ucrânia na organização foi interpretada como uma ameaça geopolítica à Rússia. A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) foi criada após o fim da Guerra Fria com o intuito de preservar, geopoliticamente, países como Estados Unidos, França, Reino Unido, Canadá, entre outros, os mesmos que estavam do lado oposto à União Soviética durante a guerra. Com isso, o suposto ingresso da Ucrânia na OTAN fez a Rússia temer uma aproximação da organização com suas fronteiras, o que poderia desencadear a continuação de um antigo conflito.
- Recursos Minerais
A Ucrânia é uma área de passagem de oleodutos e gasodutos, por onde a Rússia transporta petróleo e gás para a Europa. Entretanto, essa passagem demanda impostos e diversas burocracias com que, caso a Rússia dominasse o país vizinho, não precisaria mais lidar, sendo um interesse econômico colocado em questão.
- Questões Separatistas
Ao leste da Ucrânia, existem diversas áreas de maioria étnica russa, as quais levantaram movimentos separatistas, como Donetsk e Luhansk. A Rússia justifica seu ataque como uma proteção a esses movimentos, além da integração de seu próprio povo, começando seus ataques e dominação pelas mesmas regiões.
- Crimeia
A península da Crimeia foi anexada ao território da Rússia em março de 2014. Tal região pertencia ao território ucraniano, o que fez com que as faíscas entre os dois países se acendessem ainda mais e os conflitos sobre a posse do território perdurassem até hoje.
Dados sobre as mudanças até agora
O mapa da Ucrânia antes da invasão russa e suas mudanças após 1 ano de conflito, ilustram uma grande dominação dos russos, que foi sendo recuperada e de certa forma estabilizada pelos ucranianos. Hoje, a área dominada se dá predominantemente ao leste da Ucrânia, a qual mantém vantagem nos atuais combates. No que se refere à população, é a maior crise de refugiados desde a segunda guerra.
O que se estima pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) são cerca de 7,7 milhões de pessoas que se deslocaram da Ucrânia para outros países europeus, incluindo a própria Rússia. No entanto, mesmo fugindo do foco dos ataques, essas pessoas ainda têm dificuldades em construir uma vida nova, com outro idioma, outras culturas e com os traumas vitalícios do conflito.
Entretanto, não foram todos que conseguiram sair da zona principal de conflito. 7.199 mortes e quase 12 mil feridos foram registrados na Ucrânia em fevereiro de 2023, de acordo com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR).
Com o prolongado histórico da Rússia no ofuscamento dos dados sobre suas perdas em guerras, diversos veículos de mídia, como a BBC NEWS, se dispuseram a realizar as próprias pesquisas sobre a contagem das tragédias. Há também uma grande disparidade entre os dados de cada cálculo. Até fevereiro de 2023, o Reino Unido estimou entre 40 a 60 mil mortos, enquanto o Ministério da Defesa Ucraniana estimou mais de 200 mil mortes russas (número que também inclui feridos). Somando o número de mortos e feridos entre os dois países até junho de 2023, tem-se uma média de quase 220 mil pessoas prejudicadas pela guerra.
Grupo Wagner e sua atuação
Um grupo que ganhou grande notoriedade durante o conflito armado foi o chamado Grupo Wagner (PMC Wagner). A empresa, apesar de se denominar paramilitar privada, trata-se de um grupo não oficial de mercenários fundado em 2014, com uma de suas primeiras missões no anexo da Crimeia ao território russo. Com o início da guerra Russo-Ucraniana, a capital russa usou o grupo para reforçar suas linhas de frente, visto que o presidente da Rússia Vladimir Putin é um grande aliado do presidente do PMC Wagner, o oligarca Yevgeny Prigozhin. A princípio, o grupo era composto por ex-soldados da elite com alto treinamento, porém, na medida em que as mortes aumentaram, a equipe paramilitar começou a recrutar prisioneiros e até mesmo civis russos, somando em média 20 mil soldados em combate na Ucrânia.
Apesar da antiga aliança dos Wagners com o governo, em junho de 2023, esse cenário começou a se transformar. No fim de semana do dia 23/06, Prigozhin anunciou no Telegram a chamada “Marcha da Justiça” contra a posição russa na guerra, considerado por Putin uma “punhalada pelas costas”, tendo em vista a troca de posição dos mercenários. O estopim para tal ato foi o ataque de generais russos a uma base do grupo armado. No dia 29 do mesmo mês, a agência de notícias russa TASS declarou que o grupo não iria mais atuar na guerra.
Últimos Ataques
O início do uso de “tanques kamikaze” está sendo uma tática nova do governo russo no conflito. Apesar do antigo nome “kamikaze” fazer referência aos pilotos japoneses carregados de explosivos que se atiravam no local para causar destruição, ocasionando o próprio suicídio, os kamikazes russos são antigos blindados com toneladas de explosivos, mas quem os conduz não está dentro da grande bomba. Esses ataques foram uma resposta à ofensiva Ucraniana ocorrida no mesmo mês.
Além disso, a ponte que liga a Crimeia ao Sul da Ucrânia (com ocupação russa) foi atacada pelos ucranianos, como uma estratégia de enfraquecer a logística em um local de muito uso dos russos, visto que serve de base na retaguarda dos confrontos e abriga diversos combatentes, os quais usavam da ponte para se locomover. O ataque foi realizado em sua maioria por drones.
Entretanto, os drones não se tratam de uma estratégia usada apenas pela Ucrânia, uma vez que o país rival realizava ataques com dezenas desses equipamentos por toda a Ucrânia, com foco na capital Kiev, apesar de muitos deles serem destruídos pela força antiaérea ucraniana.
Há previsão para o fim da Guerra?
Segundo os posicionamentos do presidente Vladimir Putin, a guerra não está perto do fim e ele não está apto a realizar acordos. A Comissão Europeia, um dos órgãos da União Europeia (UE), propôs aos países membros que eles ajudassem a Ucrânia com 50 bilhões de Euros (R$261 bilhões) até 2027, ressaltando os já doados 30 bilhões de euros do orçamento da organização para ajudar Kiev.
No dia 21 de junho de 2023, empresários e líderes mundiais se reuniram em Londres com a finalidade de discutir a reconstrução da Ucrânia. Todos reconhecem que há muito trabalho pela frente, com diversos secretários e ministros defendendo a garantia de empréstimos à Ucrânia, enfatizando que, em um momento ou outro, a Rússia deverá arcar com essas despesas.
REFERÊNCIAS
Guerra na Ucrânia: Rússia começa a usar ‘tanques kamikaze’; veja vídeo, Publicado por O Globo, em 21 de junho de 2023;
Ponte entre a Crimeia anexada e Ucrânia é danificada por ataque de tropas de Kiev, Publicado por O Globo, em 22 de junho de 2023;
Rússia ataca capital da Ucrânia com dezenas de drones kamikaze; Kiev avança na contraofensiva, Publicado pela Revista Exame, em 20 de junho de 2023;
O que é o Grupo Wagner, de mercenários ligados à Rússia, Publicado por G1, em 20 de janeiro de 2023;
Guerra na Ucrânia: contagem das mortes russas mostra como conflito está mudando, Publicado por BBC News, em 18 de junho de 2023;
Guerra na Ucrânia: a situação na linha de frente dos ataques às trincheiras russas, Publicado por BBC News, em 19 de junho de 2023;
Conferência discute reconstrução da Ucrânia, Disponível em Globoplay, publicado dia 21 de junho de 2023
UE anuncia plano de R$ 261 bilhões em ajuda financeira para a Ucrânia até 2027, Publicado em O Globo, em 20 de junho de 2023;
Guerra da Ucrânia: em gráficos, como conflito mudou desde o início há um ano, Publicado por BBC News, em 24 de fevereiro de 2023;
Motim na Rússia: a reação de mercenários do grupo Wagner a acordo com Putin, Publicado por G1, em 27 de junho de 2023;
Putin diz que guerra continuará, faz nova ameaça nuclear e afirma que ‘é impossível vencer as tropas russas’, Publicado por G1, em 21 de fevereiro de 2023;
Grupo Wagner não vai mais lutar na Guerra na Ucrânia, diz agência russa, Publicado pela Jovem Pan, em 29 de junho de 2023.
Publicado por: Giovanna Oliveira Cordeiro
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