Por Larissa Sousa

Nos tempos em que vivemos, é inegável que a língua inglesa vem assumindo, cada vez mais, um papel importante na vida das pessoas. Grande parte da cultura consumida pelos brasileiros, principalmente no que tange à produção musical e cinematográfica, é proveniente de países de língua inglesa, sendo que podemos citar os seriados e filmes produzidos pelas plataformas de streaming Netflix e Amazon Prime Video. Entretanto, a importância da língua inglesa na vida dos brasileiros não está restrita ao âmbito do lazer, estando também presente no cotidiano de diversas profissões, dentre as quais, a advocacia. 

Diversas são as áreas do Direito em que a língua inglesa vem conquistando cada vez mais espaço. Para fins de ilustração, podemos citar o Direito Ambiental, no qual diversas demandas tocam em tratados internacionais, e o Direito Empresarial como um todo, o qual também esbarra, por diversas vezes, em dispositivos jurídicos e demandas formuladas por meio da língua inglesa. Não obstante, também tem se mostrado claro a relevância dos estudos realizados por meio do Direito Comparado, seja para a área acadêmica, seja para a advocacia corporativa, já que, no mundo globalizado dos dias de hoje, “common law”— sistema adotado pelos países norte-americanos, no qual a jurisprudência e o costume prevalecem sobre o direito escrito—, e “civil law” — sistema adotado pelo Brasil, baseado na lei escrita — esbarram-se em diversos momentos.

Sendo assim, diversas universidades brasileiras, ao analisar o cenário gerado pela importância da língua inglesa no mercado jurídico brasileiro, decidiram por inserir tal idioma em sua grade curricular. Por exemplo, grande parte dos processos seletivos de entrada em faculdades de Direito, tanto públicas, quanto privadas, utilizam a compreensão escrita do inglês como critério de seleção de candidatos, dentre as quais se incluem o Mackenzie. 

Não obstante, observando a crescente busca dos alunos e ex-alunos por um curso de inglês jurídico que gere capacitação para enfrentar o mercado de trabalho da advocacia brasileira, o Mackenzie Language Center disponibiliza o curso de inglês jurídico. O curso, idealizado pelo professor Douglas Rodrigues, é dividido em 2 semestres: no primeiro semestre é abordado o direito civil e no segundo semestre, o direito penal, sendo que durante todo o curso é realizado um comparativo entre o direito brasileiro e o direito norte-americano, de forma a facilitar o aprendizado do aluno.

“Relatório Anual de 2017”. Imagem por Site Institucional do Mackenzie.

Nós entrevistamos o professor Douglas Rodrigues com o intuito de conhecermos sua opinião sobre a importância da língua inglesa no mercado jurídico brasileiro e sobre como foi o processo de implementação do curso no Mackenzie Language Center.

1) Qual a sua opinião sobre a importância da língua inglesa no mercado jurídico brasileiro?

Olá, pessoal! Primeiramente, obrigado pelo convite, estou muito feliz em participar e contribuir com vocês! No momento eu trabalho com os cursos de inglês específico no Mackenzie Language Center (MLC), eu trabalho com os cursos de inglês para advogados (legal english), inglês para negócios (business english), e tenho aulas também na pós-graduação, em Direito da Moda, no Mackenzie, também com o curso de língua inglesa para advogados. Com relação à primeira pergunta de vocês, sobre a importância da língua inglesa no mercado jurídico brasileiro, eu acho que é muito claro que, hoje em dia, ter o inglês no currículo, ter o idioma, já não tem sido mais um diferencial. Eu escuto muito as pessoas falando “Eu terminei o curso de inglês, eu sou formado em inglês”, e eu sempre me pergunto sobre isso, por que qual é essa definição de “formado em inglês”? A língua é um objeto vivo, está sempre em constante mudança, então a gente precisa sempre nos atualizar. 

Com relação ao inglês específico, com certeza, esse sim é um diferencial. Então eu acho que as pessoas viajam para o exterior, elas conseguem se comunicar de forma muito clara e elas conseguem fazer compras, conseguem passar 15, 20 dias viajando e às vezes a gente tem uma ideia errada, né? De que, sim, eu sou fluente em inglês, bacana, mas o inglês específico não é só sobre a fala, ele é sobre a escrita, sobre a compreensão. Então o vocabulário é muito específico e às vezes a gente domina a oralidade, mas a gente não sabe os termos próprios daquele idioma. Então, com certeza esse é um grande diferencial hoje em dia nas entrevistas de emprego em grandes escritórios. Algumas pesquisas, rapidamente eu consegui encontrar, dizem que os escritórios pequenos já começam, como requisito básico, o inglês intermediário. Escritórios grandes, como o Pinheiro Neto, o Demarest, por exemplo, eles já colocam na vaga a descrição de inglês avançado. 

Então, com certeza faz toda a diferença ter o inglês como idioma, mais ainda o inglês jurídico, o inglês específico. A gente pega uma petição em mãos, por exemplo, e às vezes aquilo parece grego, e aí você pensa: “Poxa, eu sou fluente em inglês, mas eu não estou entendendo o que está escrito aqui!” Você não consegue entender por que o seu inglês, ele foi mais focado para a oralidade, então você consegue se comunicar, você consegue fazer compras no exterior, só que uma petição carrega outros traços que a oralidade não. Então quando a gente pega um documento jurídico, por exemplo, e começa a compreender ou interpretar, você vai perceber que faltam muitas coisas, assim, a ideia da língua inglesa no mercado jurídico é justamente essa: é te preparar para o seu trabalho específico. Isso você não consegue em todo lugar, então, de fato, o inglês jurídico entra muito importante nesse momento.

Ainda com relação à importância da língua inglesa no mercado jurídico, hoje em dia os escritórios têm clientes internacionais, empresas internacionais e contas internacionais. Então facilmente você vai receber um contrato em inglês; você vai precisar se comunicar com esse escritório que está em outro país, em inglês. Mesmo que este escritório esteja na China, por exemplo, o inglês ainda é a língua que une os negócios. Se você precisa responder um e-mail para o cliente, se você precisa revisar um contrato em inglês, se você precisa ler e interpretar uma petição, um pedido, você precisa de um inglês específico. Então, sem dúvida alguma, o inglês é muito importante para o mercado jurídico brasileiro, e as chances para quem fala o idioma com certeza são muito maiores e muito melhores. 

2) Como foi o processo de idealização e implementação do curso de inglês jurídico que você leciona no Mackenzie Language Center? Houve um aumento na procura pelo curso durante a pandemia?

Sobre a idealização e a implementação do curso de inglês no MLC, esse curso começou em 2016, então nós abrimos nossa primeira turma em 2016, e o curso não para de crescer, a procura dobrou de 2016 para cá. Nossa primeira turma, se não me engano, nós tínhamos 4 a 5 alunos. Hoje em dia nós temos muito mais do que isso. A implementação do curso foi muito natural. Nós recebemos procura, os alunos, até então estudantes do Mackenzie, procuraram por esse curso específico, e nós percebemos que existia uma demanda. A partir dessa procura nós implementamos a primeira turma, ainda com bastante receio, porque era um mercado ainda novo para a gente, principalmente para mim. Eu nunca tinha trabalhado com inglês jurídico, então era tudo uma novidade, e o curso só cresceu depois disso. 

Se houve um aumento na procura durante a pandemia? Na verdade, nós estávamos preocupados, porque estamos passando por uma crise, uma crise sanitária, em muitos lugares uma crise econômica, então a nossa preocupação é que o brasileiro ele, infelizmente, acaba cortando gastos na educação. A educação não tem sido prioridade há muito tempo, então, infelizmente, se há um corte, a educação ela é sempre a primeira que sofre, mas felizmente a gente não sentiu isso. A nossa procura continua alta, nós conseguimos abrir mais de 3 turmas esse semestre, então a procura não aumentou, mas ela se manteve. O que é mais curioso é que essa procura acontece de um aluno falando para o outro. Um aluno fez o curso, ele acaba contando para o colega que o curso foi muito bom, que isso foi um diferencial numa entrevista de emprego, ele conta que participou de alguma liga que precisou usar o inglês, e aí, um colega vai contando para o outro, e assim a nossa procura se manteve bastante estável mesmo agora durante a pandemia. 

As nossas aulas elas acontecem online, todo o nosso processo é remoto durante a pandemia, mas eu tenho certeza de que a qualidade das aulas não foi prejudicada, os alunos continuam discutindo artigos, continuam entrando em contato com o idioma específico, continuam tendo o tempo de discutir entre eles assunto bastante relevantes para o mercado jurídico brasileiro, e também com um comparativo bastante interessante com o que é aplicado em outros países, com países de língua inglesa. Então, a implementação do curso em si foi bastante natural: houve uma procura, havia demanda, nós entendemos que poderíamos oferecer um produto de qualidade, um serviço de qualidade para aquela demanda, e assim o curso começou em 2016 e a gente não parou mais.

Em 2018, nós fomos convidados pela Escola Paulista da Magistratura, a IPM, aqui de São Paulo, então nós também estendemos o curso de inglês jurídico para os magistrados do TJSP, os quais também tiveram a oportunidade de participar do inglês jurídico. E eu acho bastante curioso que aí a gente percebe que não são apenas os alunos do Mackenzie que estão procurando o curso, até porque é muito interessante pensar que os alunos do Mackenzie procuram porque eles estão querendo se preparar para o mercado de trabalho, e isso é muito bom. Nós temos alunos no primeiro semestre de Direito que já estão no nosso curso de inglês jurídico, então isso é incrível. Mas é interessante também a gente pensar que advogados já formados estão procurando, juízes estão procurando o curso. Por quê? Porque há uma defasagem: são pessoas fluentes em inglês, mas são pessoas que não conseguem dar conta de uma petição em inglês, de um contrato em inglês. 

O curso é atrativo com certeza para os alunos da universidade, mas nós percebemos também que ele chama a atenção de pessoas que já estão no mercado de trabalho. São pessoas que já tem um emprego, que já fazem parte de um escritório, por exemplo, e elas sentem a necessidade de melhorar o inglês, de aprimorar, e com certeza o inglês jurídico é a chave para isso. Claro que você ser capaz, acredito que essa seja a definição de fluência, ser fluente é você ser capaz de dar conta do uso do idioma em qualquer contexto, mas com certeza você ter no seu currículo a experiência de um curso de inglês específico vai fazer muita diferença em uma contratação, em uma entrevista de emprego, por exemplo. 

Tendo em vista a entrevista que o professor nos concedeu, é inegável a importância que o inglês jurídico tem perante o mercado brasileiro e, para finalizar, trago uma opinião pessoal, como ex-aluna do Douglas, de que o curso de inglês jurídico oferecido pelo MLC é incrível e fornece uma base sólida para a entrada no mercado de trabalho. Isso sem falar da didática incrível e da humildade do professor que nos concedeu a entrevista, características que, combinadas, fazem deste curso uma ótima escolha.

Referências bibliográficas

“Período de isolamento aumenta interesse por cursos de inglês”. Publicado no Portal R7, em 20 de julho de 2020. [https://noticias.r7.com/educacao/periodo-de-isolamento-aumenta-interesse-por-cursos-de-ingles-20072020

“Conhecimento do inglês auxilia profissionais do Direito”. Publicado no Conjur, em 22 de junho de 2014. [https://www.conjur.com.br/2014-jun-22/segunda-leitura-conhecimento-ingles-auxilia-profissionais-direito]

Pesquisa mencionada pelo professor na resposta à primeira pergunta:

“Você realmente fala bem em inglês ou é só embromation?”. Publicado no Globo, em 08 de abril de 2019. [https://oglobo.globo.com/economia/emprego/voce-realmente-fala-bem-em-ingles-ou-so-embromation-23577552

“Apesar de estar no currículo, apenas 1% dos brasileiros realmente fala inglês fluente”. Publicado no Money Times, em 15 de julho de 2019. [https://www.moneytimes.com.br/apesar-de-estar-no-curriculo-apenas-1-dos-brasileiros-realmente-fala-ingles-fluente/

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“Relatório Anual de 2017”. Imagem por Site Institucional do Mackenzie. 

Publicado por Larissa Sousa


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