por Júlia Mayumi Oliveira

No dia 21 de agosto, o Coletivo Feminista Leolinda Daltro completou três anos de existência. O grupo foi fundado com o intuito de trazer a vivência feminina para a pauta das discussões estudantis mackenzistas. Sessenta e dois anos após a criação do curso de Direito, muitas questões seguem permeando a experiência das alunas: assédio, silenciamento e machismo são algumas delas. Pautas presentes no cotidiano feminino, inclusive, desde a época em que sua patrona protagonizava o movimento sufragista brasileiro.

Fundadora do Partido Republicano Feminino nos anos 1910, Leolinda foi professora e era conhecida como a “mulher do diabo” – divorciada, mãe, professora e militante. Mais de cem anos depois, alguém como ela continuaria a incomodar – não é para menos que seu nome acompanha um grupo de mulheres que realiza eventos, rodas de conversa e manifestações em prol dos direitos femininos.

Beatriz Lima participa do coletivo desde a sua fundação. Uma das responsáveis pelas redes sociais, acredita na importância de discutir as pautas femininas em todos os lugares, “principalmente dentro de um ambiente que ainda tem a fama de ser conservador”. Para ela, as ideias propostas pelo Leolinda e pelos outros grupos estudantis evidenciam a chegada de alunos mais progressistas no Mackenzie, que “não pode ter mais a cara que tinha 30 anos atrás. Nós estamos mudando isso”.

Foto: Coletivo Leolinda Daltro

Juliana Gouvêa está há um ano na administração do coletivo. Ela concorda com Beatriz no tocante à relevância política do grupo: “saber que você tem, além de todo o amparo nas horas necessárias, parceiras de luta, é a principal importância do coletivo para mim”. Segundo Juliana, ter um ambiente de cuidado com as alunas, que abarca desde reuniões pequenas até os grandes eventos, como jogos e festas, faz toda a diferença na experiência universitária.

Esse acolhimento é percebido logo ao ingressar na graduação. Andressa Deis é aluna do quarto semestre e participa do grupo desde que era bixete. “Elas foram super receptivas e deram vários conselhos ótimos, foram muito compreensivas”. Andressa conta que se sente muito confortável para interagir com as outras meninas, mesmo não conhecendo a maioria delas pessoalmente. “Acho que é isso que deixa o coletivo tão especial: eu consigo sentir, na prática, o que é realmente ver mulheres juntas, querendo colocar as outras pra cima, dispostas a ajudar sempre que possível”.

A união feminina é muito importante para o progresso dos direitos das mulheres. Nas primeiras décadas do século passado, grupos de mulheres das mais variadas classes sociais, cores, credos e orientações sexuais já se reuniam para protestar e pensar novas formas de construir sociedades mais justas.

Leolinda Daltro lutou para que as mulheres pudessem ir às urnas expressarem sua opinião. Tantas décadas depois, alguns grupos podem vestir camisetas, pintar rostos e gritar para quem quiser ouvir que são feministas. As mulheres mackenzistas representam uma parcela muito pequena da sociedade, mas, se depender delas, as conquistas de algumas serão de todas. Leolinda estaria orgulhosa.

Publicado por Júlia Mayumi Oliveira


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