Por Maria Fernanda Prado Russo

A mulher, a “mil e uma utilidades”, a mãe, a esposa, a trabalhadora tem espaço em meio ao caos que a COVID-19 foi capaz de proporcionar?

De fato, a mulher na sociedade está longe da equidade ou igualdade em relação ao homem. É inegável a diferença e o peso que a classificação de um gênero pode ocasionar na vida de uma pessoa. De todo modo, o mundo é da forma que o enxergamos, e nós, estamos preparados para tirar a venda que se fixa em nossos olhos impedindo que enxerguemos a injustiça, a dor do próximo?

Por razão da pandemia, toda a família tradicional brasileira foi “obrigada” a ficar em casa para evitar a propagação do vírus e se proteger. Essa é a parte clara da história e a que cabe aqui mencionar nesse momento. O que poucos se permitem enxergar é a triste realidade que incontáveis mulheres foram submetidas a viver, sem nenhuma escolha, sem opção de fuga. O confinamento de vítima e agressor corrobora a pura realidade da violência doméstica. A dor das mulheres está na frente dos olhos de todos aqueles que vivem com a venda da ignorância e do preconceito.

Com efeito, a penumbra da “vida real” é, com toda certeza, uma completa escuridão para quem vive. Mulheres são, desde sempre, vítimas da violência, da injustiça e da objetificação. Violência essa que pode ser física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Tudo isso dentro do próprio lar. É fenômeno antigo e banalizado que faz parte do cotidiano, pois, ser mulher também é ser “só mais um número”. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), os casos de feminicídio cresceram 46,2% em São Paulo durante a pandemia de COVID-19. Quarenta e seis vírgula dois por cento de aumento nos casos de homicídio contra mulheres, apenas na cidade de São Paulo. Enquanto, de outro lado, o número de denúncias diminuiu, revelando a opressão e o medo. #FicoEmCasa ou denuncio meu agressor? A guerra de 2020 é mesmo apenas contra um vírus?

É assim que se evidencia o alvo, a vulnerabilidade. Dessarte, o paradoxo é: estar dentro de casa durante uma pandemia deveria ser algo seguro, deveria ser uma ação pró vida, mas a realidade, mais uma vez, se faz cruel, insegura e estar em casa também se torna um pesadelo sombrio, um perigo por estar trancada com seu destino de luta desigual, com seu agressor.

Estar sujeita ao desumano, ao cúmulo da hipocrisia trás consigo consequências que, muitas vezes, são irreversíveis, traduzidas na expressão máxima do ódio: o óbito.

Outro fator relevante é a sobrecarga da mulher em virtude da loucura que estamos vivendo. Trabalhar em casa, pode não ser uma situação simples para muita gente, principalmente para a mãe que precisa cuidar dos filhos, da casa e também, não menos importante, se preocupar com o home office e tarefas essenciais para a sobrevivência. Ou seja, grande parte da vida e realidade feminina se revela com um diferencial: mais demanda e responsabilidade sem acréscimo de horas no dia.

Em suma, o objetivo desse texto, com tom de indignação e sororidade, é impactar, é fazer refletir. É imprescindível que se democratize toda e qualquer informação, a fim de retirar a venda de quem se cala e não enxerga a desumanização da mulher no cotidiano. A empatia é o sal, é o que salva. Querer o bem e a justiça é o destino do mundo. Nem tudo está perdido.

A princesa está realmente presa na torre gigante e perigosa. Mas não esqueça, você pode se salvar. Você decide o SEU conto de fadas, pois nenhuma torre ou “príncipe” é maior que o dragão que existe em você, mulher.

Peça ajuda. Denuncie. Procure centros de atendimento às vítimas de violência doméstica em sua cidade, e em caso de urgência, ligue 180 – Central de Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência Doméstica ou 190 – Polícia Militar.

Além de todos os adjetivos sempre dados, ser mulher, acima de tudo, é ser forte. A força é a essência, está intrínseca em todas nós.

Luta!


Postado por Paulo Pereira

 

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