Estava eu me recuperando das infernais festividades de fim de ano, que passei em NYC no escuro apartamento do meu tio Ronald Ferr, aquele vampiro matusalém que reside nos baixos da Queensborro Bridge, quando me deparei com um chamado irresistível do streaming Netflix convidando o assinante – ééé… vampiro também é “gente” – para assistir a série Drácula, da BBC inglesa, em 3 capítulos de quase 1h30 cada um. Como não tinha o que fazer, resolvi encarar a maratona vampiral, até para ampliar meus transcendentais conhecimentos sobre o tema, enquanto tio Ferr repousava sono mortífero na sua tumba escondida num local secreto no subsolo do nefasto prédio. Tratava-se de produção anunciada como a melhor sobre Drácula, na verdade o Príncipe Vlad 3º., da Valáquia (cerca de 1431 – 1476), que aterrorizou a Transilvânia empalando vivo seus inimigos, amigos e súditos, na imortal criação de Bram Stocker, de 1897. A série até que começou razoável, ao mostrar o labiríntico castelo do Conde Drácula, mas desandou de tal modo que nem sei justificar o porquê de ter assistido até o final.

Ao comentar o assunto com o Tio Ferr, saboreando uma Bloody Mary na exclusiva receita com Vampirowa (vodka romena mixada com sangue tipo O+ e temperada a gosto com sal, pimenta do reino, limão e pitadas de angostura bitter para aromatizar), ousei perguntar o que achava da série Netflix. Foi quando seus olhos esbugalharam e ficaram vermelhos de ira ancestral, pois não aceitava a performance de Claes Bang, o ator dinamarquês que interpretou o Conde Drácula do seriado, em comparação com o assombroso Bela Lugosi, de 1931, ou o calado para sempre Cristopher Lee, de 1966, que só abriria a boca para morder pescoços suculentos com seus afiados caninos. Estes sim eram vampiros que não estavam ali para conversa fiada…

Melhor continuar bebericando a favorita Bloody Mary do tio Ferr.

Assinado: Lucius Ferr


A coluna “Cronículas” nos prestigia com diversas crônicas e textos do professor emérito da Faculdade de Direito do Mackenzie Jeremias Alves Pereira Filho, que lecionou por 40 anos no Mackenzie e foi presidente do Centro Acadêmico

Postado por Rafael Almeida

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